sábado, 28 de março de 2026

O encontro do papa Leão XIV com a nova arcebispa de Cantuária: A religião ecumênica dos últimos dias

 Autor: Ricardo dos Santos 


  Com bastante entusiasmo, o site católico Vatican News lança, na sexta-feira 27 de março, a matéria a respeito do encontro do papa Leão XIV com a nova arcebispa anglicana de Cantuária que se chama Sarah Mullally. O encontro será realizado em abril. Assim diz o título da matéria:

Leão XIV se encontrará com a nova arcebispa de Cantuária em abril 
Sarah Mullally será recebida pelo papa durante sua viagem a Roma, agendada para 25 a 28 de abril. O anúncio da visita ocorre dois dias após a posse oficial da mais alta autoridade espiritual anglicana.

  Aqui está o link da matéria para ler o texto na íntegra:
https://www.vaticannews.va/pt/papa/news/2026-03/arcebispa-cantuaria-sarah-mullally-encontrara-leao-xiv.html

  Nós, cristãos bíblicos e estudiosos da Palavra, devemos estar inteiramente ligados no cenário ao qual o mundo se encontra. Muitos crentes no Senhor Jesus infelizmente ainda estão dormindo com relação às profecias dos últimos dias. Ficam restritos a assuntos relacionados à fé cristã, à doutrina, ao criacionismo, à apologética, à história da igreja e outros assuntos teológicos que também são de extrema importância, mas esquecem da parte das profecias dos últimos dias, os eventos finais, a geopolítica mundial sendo preparada para o governo da iniquidade (o anti-cristo). Muitos sequer acreditam que vai haver o arrebatamento da igreja antes da Grande Tribulação, negam a questão da Nova Ordem Mundial (NOM) e o período de sete anos do governo do anti-cristo, negam o caos terrível que está para vir sobre a face da terra. Assim dizem eles: "Isso é mera teoria da conspiração." Nós que estamos alicerçados na Palavra de Deus e que estamos atentos a tudo isso, temos como a nossa maior esperança a volta de Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo e o nosso encontro com Ele nos ares.
  Por outro lado, temos os crentes que estão preocupados com relação às profecias dos últimos dias e aos acontecimentos pelo mundo afora, porém ignoram um dos sinais mais importantes dos últimos tempos: a grande apostasia e o aumento acelerado de religiões, seitas e heresias. Eles se atentam para a questão do aumento da violência, aumento das guerras, aumento da corrupção, aumento da maldade, aumento de catástrofes, destruição da família, destruição de princípios e valores, ideologias progressistas etc.. De fato, todas essas coisas citadas têm realmente aumentado e vai aumentar muito mais de agora em diante. Porém, não se atentam para esse assunto de extrema importância que é a questão do aumento das seitas e heresias. Isso é mais uma prova de que estamos no fim dos tempos, pois a bíblia diz: "Porque virá tempo em que não suportarão a sã doutrina, mas tendo coceira nos ouvidos, amontoarão para si doutores conforme as suas próprias concupiscências" (II Timóteo 4:3). Muitos, de maneira sincera porém na ignorância, têm chamado católicos de irmãos, adventistas de irmãos, testemunhas de jeová de irmãos... Estão completamente desatentos quanto a essa questão. Igrejas que até há tão pouco tempo atrás eram rigorosamente bíblicas e pelejavam em defesa da verdadeira fé original, já estão abrindo espaço para bandas ou corais adventistas cantarem em suas igrejas. Isso é um perigo! 
  Sendo assim, voltando ao nosso assunto da matéria, muitos dos que estão desapercebidos quanto à realidade do que está acontecendo e das coisas que estão por vir ao mundo, leem artigos como esse do site Vatican News e ficam entusiasmados com a associação entre duas religiões que há muito tempo são separadas, desde os movimentos da Reforma Protestante do século 16. Essas duas religiões históricas que estamos falando são: Igreja Católica Apostólica Romana e Igreja Anglicana (religião oficial da Inglaterra). Eles comemoram dizendo: "Vejam só! Que bom! As igrejas estão se unindo, as diferenças estão ficando de lado! Precisamos realmente construir pontes! Precisamos realmente unir toda a cristandade e juntos lutar contra a fome, contra as injustiças, contra as guerras, contra a miséria no mundo e lutar pela paz mundial! Precisamos manter o diálogo inter-religioso!" O discurso aparenta ser muito bonito, mas onde é que fica a Palavra de Deus nisso? Onde é que na Bíblia vemos Jesus preocupado com diálogo ecumênico com os religiosos de sua época? Onde vemos Paulo ou outro apóstolo se preocupando em unificar religiões? Muito pelo contrário, eles pregavam a mensagem do arrependimento, eles pregavam a verdade do evangelho. Jesus batia de frente com as heresias dos religiosos de sua época. O apóstolo Paulo batia de frente com a idolatria dos gentios em sua época. Foram perseguidos, apedrejados, abandonados, crucificados e mortos, porém não negaram a verdade do evangelho.
  Um cristão verdadeiramente bíblico sabe que não há motivo algum para comemorar isso, pois ele compreende muito bem os tempos que estamos vivenciando e como esse ecumenismo religioso abrirá caminho para o homem da iniquidade. 
  Vamos, então, analisar detalhadamente cada heresia desse texto do site Vatican News. Só nesse texto podemos perceber o terrível declínio da Igreja Anglicana da Inglaterra. Vamos lá!

Arcebispa 

  Já de início encontramos a primeira heresia absurda do texto: "arcebispa". Biblicamente, pode uma mulher exercer a função de pastora ou de bispa?
  Vamos fazer uma breve análise bíblica e histórica.

I. Fundamentação Bíblica: 1 Timóteo 2 e 3

Proibição Apostólica

  Em 1 Timóteo 2.12, Paulo afirma: "Não permito, porém, que a mulher ensine, nem use de autoridade sobre o marido; mas que esteja em silêncio." A proibição é direta e reforçada com base na ordem da criação (v.13) e na narrativa da queda (v.14).

Qualificações Pastorais

  1 Timóteo 3.1–7 descreve as qualificações do bispo. Termos como "marido de uma só mulher" e "que governe bem a sua casa" evidenciam o gênero masculino como pré-requisito ao episcopado.

II. Ordem na Criação e Complementariedade

  Em 1 Coríntios 11.3, Paulo ensina que "Cristo é a cabeça de todo o homem, e o homem a cabeça da mulher". Trata-se de uma distinção funcional, e não de valor. A liderança masculina na igreja reflete a ordem estabelecida por Deus.

III. Testemunho Histórico da Igreja

Igreja Primitiva

  Não há registro de mulheres exercendo o ofício de presbíteras ou bispas nos três primeiros séculos.

Pais da Igreja

Tertuliano: "Não é permitido à mulher falar na igreja, nem ensinar, nem batizar, nem tomar parte em nenhuma função masculina."

Crisóstomo: "A mulher deve manter-se em sujeição... A liderança foi confiada ao homem."

Agostinho: "A mulher está sob o governo do homem, por ordem da criação."

Reforma Protestante

  Reformadores como Lutero e Calvino mantiveram a liderança masculina como princípio inegociável. Calvino sobre 1 Tm 2.12: "O ofício de ensinar publicamente é incompatível com o caráter feminino."

IV. Contra-argumentos e Respostas

"E Débora?" Foi exceção num período de crise masculina.

"Febe, Priscila, etc.?" Serviram, mas não exerceram ofícios pastorais.

"Gálatas 3.28?" Refere-se à igualdade em Cristo para salvação, não a funções eclesiásticas.

V. O Feminismo e o Pastorado Feminino

  Kathleen Bliss foi uma das precursoras do chamado movimento feminista cristão ao lançar, em meados do século XX, a obra "O Trabalho e o Status da Mulher na Igreja". Esse livro é amplamente considerado o marco inicial do feminismo moderno dentro do contexto eclesiástico, ao questionar o papel historicamente atribuído às mulheres nas igrejas, limitado, em grande parte, às atividades auxiliares como o ensino na escola dominical e a atuação em obras missionárias.
  A discussão ganhou maior notoriedade em 1961, quando o Conselho Mundial de Igrejas, fortemente influenciado por essas ideias, publicou o panfleto "Quanto à Ordenação de Mulheres". O documento conclamava as igrejas-membro a reexaminarem suas tradições à luz de uma nova perspectiva, incentivando a ordenação feminina ao ministério pastoral. Muitas denominações acataram essa proposta, dando início à prática do pastorado feminino ordenado.
  No entanto, é importante destacar que, ao longo de quase dois milênios de história da igreja, esse entendimento jamais foi adotado pelas comunidades cristãs fiéis às Escrituras. Somente a partir da década de 1960 algumas igrejas passaram a reinterpretar os escritos do apóstolo Paulo — e outros textos bíblicos — sob o viés da chamada hermenêutica pós-moderna, um método crítico fortemente influenciado por pressupostos culturais contemporâneos.
  Nos contextos em que vemos mulheres assumindo, ou sendo investidas, com o título de pastoras, é comum perceber a presença de um espírito de rebeldia, exaltação pessoal e uma clara disposição de ir além do que está revelado nas Escrituras. A cruz de Cristo e o verdadeiro Evangelho são, assim, negligenciados — substituídos pela busca por reconhecimento, influência e visibilidade. Em vez da humildade exigida pelo ministério cristão, opta-se pelos holofotes de uma glória passageira.

  Com todos esses argumentos bíblicos e históricos, podemos ver que tanto a Igreja Anglicana da Inglaterra como qualquer outra igreja de qualquer denominação que aceita pastorado feminino, está em desobediência à Palavra de Deus.
  Voltando, então, à pergunta: Biblicamente, pode uma mulher exercer a função de pastora ou de bispa? A resposta é óbvia: Não.

Breve histórico de Sarah Mullally 


  Quando vemos o breve histórico de Sarah Mullally, percebemos que o nível da Igreja Anglicana da Inglaterra está cada vez mais baixo, sua moralidade está cada vez pior. Como se não bastasse aceitar pastorado feminino, para piorar, ainda elegem uma mulher que já defendeu causas consideradas liberais na instituição, incluindo a permissão de bençãos para "casais" do mesmo sexo. Então, podemos perceber que o buraco é bem mais embaixo.
  Sarah Mullally é a primeira mulher a liderar a instituição Anglicana na Inglaterra. Assumiu ao cargo na quarta-feira, 25 de março do corrente ano. A nomeação ocorreu em outubro de 2025 e gerou críticas de anglicanos conservadores, principalmente em países da África, que se opõem a bispas.
  Antes de assumir Cantuária, ela era bispa em Londres desde 2018. Além disso, ela é também ex-enfermeira.
  Em seu primeiro discurso na Catedral da Cantuária, a ex-enfermeira de 63 anos condenou os escândalos de abuso sexual e as questões de segurança que têm atormentado a igreja, além do antissemitismo após um ataque a uma sinagoga em Manchester, que matou dois homens.
  Uma de suas frases foi a seguinte: "Em cada etapa dessa jornada, ao longo da minha carreira de enfermagem e do ministério cristão, aprendi a ouvir atentamente - às pessoas e à suave inspiração de Deus - para buscar unir as pessoas e encontrar esperança e cura." (Em destaque temos "unir as pessoas". Ou seja, essa falsa união, essa aparência de paz, essa falsa mensagem de paz e amor, é tudo o que o governo mundial do anti-cristo planeja. O sistema quer unir as pessoas para aceitarem o futuro governo do iníquo).
  Ela é reconhecida como uma administradora competente que trabalhou para modernizar a administração de sua diocese em Londres, ao mesmo tempo em que desempenhou um papel de liderança na resposta da igreja à pandemia de COVID-19. (Vejam só! Ela trabalhou para "modernizar a administração de sua diocese em Londres", ou seja, o sistema precisa de tudo bem modernizado para a implantação do governo mundial, igrejas modernas, cultos modernos, novos modelos de administração, "louvores" modernos, pastores e lideranças modernos. Ela também desempenhou um papel de "liderança na resposta da igreja à pandemia de COVID-19". Qualquer um que analisa bem as coisas que estão acontecendo no mundo percebe que a pandemia não foi nada menos que um ensaio para o que está por vir no período da Grande Tribulação).
  Para encerrarmos essa parte do histórico da arcebispa, há informações de que ela liderará esforços para lidar com o declínio no número de frequentadores da Igreja, incluindo alcançar os mais jovens, e enfrentar os desafios financeiros. (Destacando essa informação importantíssima para nós: "ela liderará esforços para lidar com o declínio no número de frequentadores da Igreja..." Quem disse que no sistema da besta, o sistema religioso vai estar vazio? Quem disse que as igrejas não vão estar cheias? O cristianismo apóstata vai estar a todo vapor, a religião vai atuar fortemente. Aquela igreja rica de Laodicéia, a qual Cristo está do lado de fora batendo a porta, vai estar fortemente atuante nesse período. Sendo assim, a nova arcebispa de Cantuária já está trabalhando em prol disso. Ela não está preocupada com a mensagem da cruz, ela não está preocupada com a pregação do evangelho, ela não está preocupada com uma igreja cheia de almas sendo salvas ao ouvirem o evangelho, o que ela quer é simplesmente uma religião cheia, um templo cheio de religiosos que estarão em conjunto com a religião da besta. Continuando: "incluindo alcançar os mais jovens..." Os velhos têm mentalidade antiga, já ultrapassada. O negócio dela é jovem, pois o jovem tem novas ideias, novas mentalidades, o jovem gosta de modernidades. Isso é tudo o que o sistema da besta precisa).

[Observação: As informações do histórico de Sarah Mullally estão baseadas no site da CNN Brasil. Os escritos destacados em negrito são observações minhas].

O encontro de Sarah Mullally com o papa Leão XIV 

  A matéria diz que o encontro entre a arcebispa Sarah Mullally e o papa Leão XIV será durante sua viagem a Roma, marcada de 25 a 28 de abril. Ela não vai viajar a Roma para evangelizar os romanos. Ela não vai viajar a Roma para passear com a família. Ela não vai viajar a Roma para fazer um estudo, uma pesquisa sobre esse lugar histórico. Ela não vai a Roma para fazer um turismo. Não! Ela vai a Roma se encontrar com o papa, o líder máximo da Igreja Católica Apostólica Romana.
  Na última quinta-feira, 26 de março, houve o encontro e a oração conjunta com o cardeal Kurt Koch, prefeito do Dicastério para a Promoção da Unidade dos Cristãos, na Capela de Nossa Senhora do Martírio, para comemorar o 60⁰ aniversário da Declaração Conjunta de 24 de março de 1966, a primeira declaração ecumênica formal entre as Igrejas Anglicana e Católica Romana, assinada pelo papa Paulo VI e pelo arcebispo Michael Ramsey.
  Logo a Inglaterra que no passado foi a nação de grandes avivamentos e que gerou gigantes na fé, homens como: John Wicliff, John e Charles Wesley, Charles Spurgeon, George Whitfield, J. C. Ryle, Martin-Lloyd Jones, A. W. Pink! Inclusive, alguns desses nomes aí citados foram anglicanos. Logo a Inglaterra que gerou os puritanos, donde saíram os congregacionais, os presbiterianos, os batistas e mais tarde os metodistas! Logo a Inglaterra que gerou a maior nação protestante do mundo, os Estados Unidos da América! Logo a Inglaterra que gerou a Bíblia King James 1611 e que foi a fonte para diversas outras traduções! Logo a Inglaterra que levou missionários para a expansão do evangelho em diversos lugares do mundo! Hoje vemos a Inglaterra cada vez mais islamizada, cada vez mais progressista, cada vez mais ecumênica, cada vez mais anti-cristã. Triste realidade da atual Inglaterra! Cenário de destruição!
  Podemos dizer sem dúvida que a Inglaterra está preparando o cenário para o fim dos tempos, para a entrega ao homem da iniquidade.

Conclusão 

  É necessário estarmos atentos às profecias da Palavra de Deus. Devemos fugir dos falsos ensinamentos, dos falsos mestres, dos falsos profetas. Aquele que está dormindo, é tempo de acordar para a realidade. O fim está muito próximo. Em breve acontecerá o arrebatamento da igreja e o mundo será entregue ao homem da iniquidade. 
  Devemos fugir desse ecumenismo propagado pelas falsas igrejas. Que possamos permanecer fiéis ao Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo e à sua Santa Palavra.

Ricardo dos Santos 

quinta-feira, 19 de março de 2026

Pilatos e a responsabilidade do homem

 Autor: Ricardo dos Santos 

Estudo baseado no livro "A cruz de Cristo" de autoria de John Stott 


  John Stott em seu livro "A cruz de Cristo" escreve a respeito de um assunto central da fé cristã, algo que se tornou o símbolo universal para nós cristãos: a cruz. É um excelente e profundo livro escrito por esse escritor e pregador conhecido mundialmente.
  O capítulo 2 desse livro tem como o seguinte tema: "Por que Cristo morreu?" Ele cita as principais figuras envolvidas na crucificação do Senhor Jesus: Os soldados romanos e Pilatos; O povo judaico e seus sacerdotes; Judas Iscariotes, o traidor. É baseado justamente nesse capítulo que estamos fazendo esse estudo.
  Sabe-se que Pilatos foi nomeado procurador (isto é, governador romano) da província fronteiriça da Judeia pelo imperador Tibério e serviu durante dez anos, de cerca de 26 a 36 A.D. Ele adquiriu a fama de hábil administrador, tendo um senso de justiça tipicamente romano. Os judeus, porém, o odiavam porque ele os desprezava. Eles não se esqueciam de seu ato de provocação do início do seu governo quando exibiu os estandartes romanos na própria cidade de Jerusalém. Josefo descreve outra de suas loucuras, a saber, que desapropriou dinheiro do templo a fim de construir um aqueduto. Muitos acham que foi no motim que se seguiu que ele misturou sangue de certos galileus com os seus sacrifícios (Lucas 13:1). Estas são apenas algumas amostras do seu temperamento esquentado, de sua violência e crueldade. De acordo com Filão, o rei Agripa I , numa carta ao imperador Calígula, descreveu Pilatos como: "Um homem de disposição inflexível, e muito cruel como também obstinado." Seu objetivo principal era manter a lei e a ordem, conservar os judeus perturbadores firmemente sob controle, e, se necessário para esses fins, ser implacável na supressão de qualquer tumulto ou ameaça de motim.
  Daí, nas páginas 51 e 52 ele fala a respeito do reconhecimento de Pilatos da inocência de Jesus. Jesus estava sendo acusado pelos líderes judaicos de estar pervertendo a nação, de estar vedando pagar tributo a César e de estar afirmando ser ele o Cristo Rei (Lucas 23:2). Ao investigar o caso, Pilatos teve a convicção da inocência de Cristo, ficou impressionado com a nobre conduta, com o domínio próprio e a inocência política do prisioneiro. Mas, mesmo assim a multidão gritava: "Crucifica-o! Crucifica-o!" Pilatos fez três tentativas de persuadir o povo sobre a inocência de Jesus, porém foi em vão. A própria mulher de Pilatos o enviou uma mensagem dizendo: "Não entres na questão desse justo, porque num sonho muito sofri por causa dele" (Mateus 27:19).
  John Stott, então, fala a respeito de suas engenhosas tentativas de evitar ter de tomar um partido. Ele queria evitar sentenciar a Jesus (visto acreditar ser ele inocente) e ao mesmo tempo evitar exonerá-lo (visto acreditarem os dirigentes judaicos ser ele culpado).
  Vamos, então, analisar a respeito das quatro artimanhas de Herodes para tentar soltar a Jesus e ao mesmo tempo pacificar os judeus, isto é, ser justo e injusto simultaneamente. O que tudo isso tem a ver conosco? Qual lição podemos tomar para a nossa vida diante das responsabilidades? Vamos analisar.

[Observação: As palavras de John Stott escritas no livro colocaremos em itálico.]

  "Primeira, ao ouvir que Jesus era da Galileia, e, portanto, estar sob a jurisdição de Herodes, enviou-o ao rei para julgamento, esperando transferir a ele a responsabilidade da decisão. Herodes, porém, devolveu Jesus sem sentença (Lucas 23:5-12)."

  Muita das vezes, queremos lançar nossas responsabilidades aos nossos líderes. Isso acontece tanto no seio da igreja quanto no meio secular. Na igreja, muita das vezes queremos jogar as responsabilidades nas costas do pastor, ou dos presbíteros, ou dos diáconos, ou do professor da Escola Bíblica Dominical, ou do líder de um determinado departamento. Não deve ser assim. O chamado que Deus tem para nós, nós é que devemos cumprir, nós é que devemos fazer; o talento que Deus nos deu em determinada área, nós é que devemos pôr em prática.
  Está escrito em Efésios 2:10: "Porque somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para as boas obras, as quais Deus preparou para que andássemos nelas."
  Em Colossenses 3:23: "E tudo quanto fizerdes, fazei-o de todo o coração, como ao Senhor, e não aos homens."
  Tiago 4:17: "Aquele, pois, que sabe fazer o bem e não o faz, comete pecado."

  "Segunda, ele tentou meias medidas: 'Castigá-lo-ei, pois, e soltá-lo-ei' (Lucas 23:16,22). Ele esperava que a multidão se satisfizesse com algo menos que a penalidade máxima, e que o desejo de sangue do povo fosse saciado ao verem as costas de Jesus laceradas. Foi uma ação mesquinha. Pois se Jesus era inocente, devia ter sido imediatamente solto, não primeiramente açoitado."

  Não podemos querer agradar os dois lados nem ficar em cima do muro. O próprio Senhor Jesus nos diz em Mateus 6:24: "Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de odiar um e amar o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e a Mamom."

  "Terceira, ele tentou fazer a coisa certa (soltar a Jesus) com o motivo errado (pela escolha da multidão). Lembrando-se do costume que o Procurador tinha de dar anistia de Páscoa a um prisioneiro, ele esperava que o povo escolhesse a Jesus para esse favor. Então ele podia soltá-lo como um ato de demência em vez de um ato de justiça. Era uma ideia astuta, mas inerentemente vergonhosa, e o povo a frustrou exigindo que o perdão fosse dado a um notório criminoso e assassino, Barrabás."

  Essa situação é muito parecida com a primeira, com a diferença de que aqui ele estava tentando manipular a massa para cumprir seu propósito. Não devemos manipular ninguém nem querer transferir nossas responsabilidades para aqueles que estão subordinados a nós.

  "Quarta, ele tentou protestar sua inocência. Tomando água, lavou as mãos na presença do povo, dizendo: 'Estou inocente do sangue deste justo' (Mateus 27:24). E então, antes que suas mãos se secassem, entregou-o para ser crucificado. Como pôde ele incorrer nessa grande culpa imediatamente depois de ter proclamado a inocência de Jesus?"

  Um ato covarde de Pilatos. Não podemos lavar as nossas mãos diante de uma situação ou problema que está diante de nós. Não devemos fugir dos problemas que precisamos resolver. Muito menos ficar calados diante de uma situação em que um inocente está sendo condenado.

Conclusão 

  Para concluir, podemos continuar usando das palavras de John Stott nesse conceituado livro. Em um determinado parágrafo, ele escreve:
  "É fácil condenar a Pilatos e passar por alto nosso próprio comportamento igualmente tortuoso. Ansiosos por evitar a dor de uma entrega completa a Cristo, nós também procuramos subterfúgios. Deixamos a decisão para alguém mais, ou optamos por um compromisso morno, ou procuramos honrar a Jesus pelo motivo errado (como mestre em vez fe Senhor), ou até mesmo fazemos uma afirmação pública de lealdade a ele, mas ao mesmo tempo o negamos em nossos corações."

Livro: A cruz de Cristo 

John Stott: Teólogo, pregador e escritor 


                                                       Ricardo dos Santos