A inovação chegou nas igrejas. Igrejas novas ou antigas estão reformando suas estruturas, e agora apostam tudo em um novo “estilo religioso”. Ambientes pretos com iluminações peculiares impressionam os fiéis. E o que mais causa estranheza é a adesão de uma cor (preta) nada comum para um ambiente religioso.
Muitos de nós já nos deparamos com inúmeras “igrejas” com, assim denominadas, uma “nova aparência”; suas estruturas completamente pintadas de preto, púlpitos substituídos por palcos que contam com luz estroboscópica, canhões de led, cortina de fumaça, e/ou até mesmo os púlpitos tradicionais (de madeiras) substituídos por galões de óleo reciclados. Estas estão adotando, também, estilos musicais que antes não eram tidos como composições religiosas. É assustador até onde a modernidade têm influenciado o mundo religioso. Isso mesmo, assustador!
A igreja não é um entretenimento. Não é para entreter. Ela é suposta a pregar um novo nascimento que lhe fará uma nova criatura em Cristo. Mas o mundo está à procura de entretenimento, algumas festas sociais ou algum tipo de sensação.”
Concluindo uso aqui as palavras do pregador e avivalista Charles Spurgeon:
“O fato é que muitos gostariam de unir igreja e palco, baralho e oração, danças e ordenanças. Se nos encontramos incapazes de frear essa enxurrada, podemos, ao menos, prevenir os homens quanto à sua existência e suplicar que fujam dela. Quando a antiga fé desaparece e o entusiasmo pelo evangelho é extinto, não é surpresa que as pessoas busquem outras coisas que lhes tragam satisfação. Na falta de pão, se alimentam com cinzas; rejeitando o caminho do Senhor, seguem avidamente pelo caminho da tolice.”
“Que fareis, pois, irmãos? Quando vos ajuntais, cada um de vós tem salmo, tem doutrina, tem revelação, tem língua, tem interpretação. Faça-se tudo para edificação” (I Coríntios 14:26)
Nunca o mundo esteve tão religioso, e as igrejas tão mundanas. Não se faz mais distinção entre shows e cultos de “adoração”. Em algumas reuniões, os jovens utilizam gritos característicos das torcidas de futebol, como “Ê-ô, ê-ô, Jesus Cristo é o Senhor!” ou “Eu já falei, vou repetir, é Jesus Cristo que comanda isso aqui!”, além de dançarem ao som de ritmos pra lá de vibrantes.
Há igrejas cujo púlpito é uma prancha de surf, frequentadas por jovens que, nos “cultos”, vestem bermudas, calçam chinelos de dedo, além de exibirem tatuagens e piercing. Para arrecadar fundos extras, algumas denominações realizam festas similares às juninas, permitindo que seus membros dancem quadrilha no “arraiá evangélico”. E há até igrejas que promovem uma espécie de Halloween – dia das bruxas -, alterando o nome para Elohin!
O que é o evangelho do entretenimento?
O evangelho do entretenimento tem transformado os cultos de Deus em meros ajuntamentos para pular, gritar, dançar, assobiar, fazer “trenzinho”, cantar, cantar e cantar. Trata-se de um evangelho “sem limites”, que pode ser comparado ao “fermento” de Herodes (Marcos 8:15) – os herodianos eram liberalistas, modernistas, secularistas, irreverentes e contextualizadores.
Nos “cultos-shows” não há espaço para a exposição da Palavra de Deus. Em muitas dessas reuniões de “adoração extravagante” – expressão muito em voga na atualidade -, a pregação, quando ocorre, é uma rápida palestra motivacional, voltada para o bem-estar dos espectadores, e não uma exposição da sã doutrina. Tudo é feito a fim de agradar e entreter a “galera”.
Fico imaginando como Paulo reagiria, em seu tempo, se os crentes fossem aos cultos em busca de entretenimento. Ele, que sempre combateu a desordem, deu as seguintes instruções sobre a Ceia do Senhor: “…se algum tiver fome, coma em casa, para que não vos ajunteis para juízo... (I Coríntios 11:34). E, quanto aos dons espirituais, enfatizou: “…faça-se tudo decentemente e com ordem” (I Coríntios 14:40).
Muitos músicos, em nossos dias, orientados pelos propagadores desse falso evangelho – essencialmente comercial e também voltado para as preferências humanas -, imitam os intérpretes mundanos, secularizando cada vez mais a liturgia do culto. Mas Deus não mudou; a Sua Palavra é a verdade. E nela está escrito: “Guarda o teu pé, quando entrares na Casa de Deus…” (Eclesiastes 5:1).
Texto de Clarice Becker. Clarice Becker é membro da Igreja Presbiteriana.
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