quinta-feira, 11 de julho de 2024

O papel de Jesus na salvação: vida, morte e ressurreição

Autor: Rev. Miguel Núnes 



  Tanto a vida, como a morte e a ressurreição de Jesus contribuem para a salvação dos perdidos. Jesus veio para viver uma vida que nenhum de nós poderia viver; para morrer uma morte que nenhum ser humano poderia morrer e para ressuscitar dentre os mortos para vencer finalmente o pecado e a consequência do pecado, que é a morte. Portanto, a salvação do homem requer a) a vida, b) a morte e c) a ressurreição de Cristo.

A vida de Jesus

  Adão, como representante da raça humana, pecou e, por consequência, violou a lei de Deus. A partir desse momento, o homem adquiriu uma dívida moral com Deus e nenhum dos descendentes de Adão pôde cumprir a lei de Deus até que Cristo veio para cumprir as demandas da lei. Jesus, em Sua passagem pela terra, deixou claro que Ele não havia vindo para abolir a lei, mas para cumpri-la (Mt 5:17). Quando João Batista pensa que ele não deveria batizar Jesus, e sim o contrário, Jesus responde: "Deixa por agora, porque assim nos convém cumprir toda a justiça". Jesus foi apresentado ao templo no oitavo dia, em cumprimento à lei e, em cada ocasião, cumpriu totalmente a lei de Moisés. Dessa forma, acumulou os méritos necessários que puderam ser carregados ou imputados em nossa conta. Como Jesus cumpriu todos os preceitos da lei, ao fim de Seus dias, nem Pilatos nem o sinédrio encontraram faltas nele; tiveram que buscar falsos testemunhos para acusá-lo (Mt 26:20). Nem mesmo do ponto de vista político Pilatos encontrou faltas nele (Lc 23:4); tampouco Herodes foi capaz de encontrar. Ninguém cumpriu a lei: somente Jesus conseguiu fazê-lo. A lei de Deus, que Adão não conseguiu cumprir e que nenhum de seus descendentes tampouco conseguiu, Jesus a cumpriu do princípio ao fim.

 Sua vida, não apenas Sua morte e ressurreição, é importante para a salvação em nosso favor.

A morte de Jesus

  Jesus mesmo definiu a missão de Sua primeira vinda: Ele veio para "dar a sua vida em resgate de muitos" (Mc 10:45). Cada um dos descendentes de Adão nasceu condenado pelo pecado (Sl 51:5). Porém, o pecado não pode ser perdoado sem que alguém pague por ele, do contrário a justiça de Deus não teria sido satisfeita, e nosso Deus é um juiz justo. De forma que Deus Pai, ou condenava toda a humanidade ao inferno, ou enviava Seu Filho para cumprir a lei, e tendo cumprido a lei, foi morrer na cruz, no lugar do pecador, tal como o fez: "Levando ele mesmo em seu corpo os nossos pecados sobre o madeiro, para que, mortos para os pecados, pudéssemos viver para a justiça; e pelas suas feridas fostes sarados" (1Pe 2:24).

  O apóstolo Paulo o diz de uma forma ainda mais clara na epístola aos Romanos: "Mas Deus prova o seu amor para conosco, em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores. Logo muito mais agora, tendo sido justificados pelo seu sangue, seremos por ele salvos da ira. Porque se nós, sendo inimigos fomos reconciliados com Deus pela morte de seu Filho, muito mais, tendo sido já reconciliados, seremos salvos pela sua vida" (Rm 5: 8-10).

  Sem ter cumprido completamente a lei de Deus, Jesus jamais teria se qualificado para oferecer-se em sacrifício pelos pecados dos seres humanos. Ninguém fez nenhuma das duas coisas: nem cumprir a lei à perfeição, nem morrer pelos pecados da humanidade. Porém, no dia em que Jesus morreu, Ele mesmo soube que havia terminado a obra que Deus Pai lhe havia designado e, por isso, pôde dizer ao morrer: "Está consumado. E, inclinando a cabeça, entregou o espírito" (Jo 19:30). Com uma única palavra Jesus disse que todo o trabalho de redenção havia sido concluído ali, na cruz. Não havia mais o que cumprir; nada mais o que fazer. Nenhuma obra feita pelo homem poderia ter melhorado a obra de redenção de Jesus, porque quando a terminou era perfeita, e na perfeição não aceita melhorias. É praticamente uma blasfêmia pensar que as obras do ser humano, manchadas pelo pecado, possam contribuir, um mínimo que seja, para sua salvação.

  Outras religiões baseiam suas crenças nos ensinamentos do seu fundador; o Cristianismo se distingue de todas as demais pela importância que atribui à morte de seu fundador. Sem a cruz de Cristo, não temos uma fé cristã, mas simplesmente um sistema de valores morais.

A morte de Cristo foi vicária ou substitutiva

  Vicária significa substituição. Em outras palavras, eu deveria ter sido cravado na cruz, mas Jesus tomou meu lugar, como nos lembra Paulo em 2 Coríntios 5:21, onde diz que aquele que não conheceu pecado foi feito pecado por nós.  A mesma ênfase é dada no Antigo Testamento, como vemos em Isaías 53:5-6.

Sua morte não somente foi vicária, mas foi também propiciatório

  Propiciação é um termo que vem do mundo secular. Implicava em oferecer uma oferenda a um deus pagão para acalmar sua ira. Então, a morte de Cristo foi propiciatória no sentido de que, certamente, Deus estava irado com o pecado do homem (Sl 7:11) e Cristo veio para aplacar a ira de Deus; nesse sentido, foi propiciatória (Rm 3:25; Hb 2:17; 1Jo 2:2; 1Jo 4:10).

A ressurreição de Cristo

  Muitos já disseram que a ressurreição do Filho ao terceiro dia foi o amém do Pai ao sacrifício perfeito de Seu Filho. Certamente é isso que representa. Se esse sacrifício não tivesse cumprido as demandas da lei, Deus Pai jamais o teria aceito como bom e válido. A morte de Cristo em nosso favor foi vital, mas não o suficiente para nossa salvação, como bem explica o apóstolo Paulo aos Coríntios: "Ora, se se prega que Cristo ressuscitou dentre os mortos, como dizem alguns dentre vós que não há ressurreição de mortos? E, se não há ressurreição de mortos, também Cristo não ressuscitou. E, se Cristo não ressuscitou , logo é vã a nossa pregação, e também é vã a vossa fé. E assim somos também considerados como falsas testemunhas de Deus, pois testificamos de Deus, que ressuscitou a Cristo, ao qual, porém, não ressuscitou, se, na verdade, os mortos não ressuscitam. Porque, se os mortos não ressuscitam, também Cristo não ressuscitou. E, se Cristo não ressuscitou, é vã a vossa fé, e ainda permaneceis nos vossos pecados. E também os que dormiram em Cristo estão perdidos. Se esperamos em Cristo só nesta vida, somos os mais miseráveis de todos os homens" (1Co 15:12-19).

  Essa única passagem nos mostra a importância da ressurreição de Cristo para a salvação do ser humano. Sem sua ressurreição, nós ainda estaríamos submersos em delitos e pecados porque a ressurreição de Cristo proclama Sua vitória sobre o pecado e a morte. Assim como ele morreu em nosso lugar, Sua ressurreição promete e assegura nossa vitória sobre o pecado e sobre a morte.

  A igreja primitiva nasceu e cresceu com a pregação da morte e da ressurreição de Jesus

 A igreja cristã hoje espera Jesus pela segunda vez justamente porque ressuscitou e prometeu voltar para os seus. Muitos tentaram negar a ressurreição de Jesus porque um homem morto, como Maomé, Buda, Joseph Smith e todos os demais mestres religiosos do passado, não pode fazer promessas de sua tumba; Cristo as fez antes e depois de Sua morte. Sua ressurreição deu veracidade às promessas anteriores, assim como àquelas que fez sair depois de sair do sepulcro.

Texto retirado do livro "Ensinamentos que transformaram o mundo", cujo autor é o doutor Miguel Núnes, pastor titular da Igreja Batista Internacional em Santo Domingo, República Dominicana


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