segunda-feira, 30 de dezembro de 2024

Breve história do irmão Roy Bell: um ex-criminoso que se tornou um grande ministro Batista Fundamentalista

 Extraído do canal Investigação Bíblica do YouTube 



  De família católica romana e filho de um mafioso morto quando ele ainda tinha 10 anos de idade, Roy Bell entrou cedo no mundo do crime e das drogas. Fez parte de uma gangue de motoqueiros, e virou assaltante de banco colecionando 4 prisões, 2 fugas e 12 sentenças condenatórias; o que resultou em sua prisão perpétua. Todavia, nada disso o impediu de ser transformado pelo Espírito Santo, já que fora discipulado via-correspondência por ninguém menos do que Peter Ruckman ao longo de 30 dos seus anos de cadeia, experiência que o capacitou a exercer a capelania penitenciária ao longo de 10 anos. 

  Enfim, durante a crise sanitária mundial (2020), a quarentena dos agentes penitenciários levou o estado de Nevada a conceder condicional aos detentos de bom comportamento sem crimes hediondos no currículo. A decisão permitiu a Roy reiniciar sua vida aqui fora (sob condicional perpétua), ministrando em diversas igrejas batistas do país e tocando um dos melhores canais fundamentalistas no YouTube, o Old School Bible Baptist. Exemplo raro de que existe ressocialização para todo aquele que QUER nascer de novo (Jo 3:3), este irmão em Cristo vai muito além de um baita testemunho de vida para ser um baita professor de Bíblia.

O canal Investigação Bíblica do YouTube é um canal fundamentalista, apologético e luta em defesa da bíblia do Texto Tradicional (King James 1611 e Almeida Corrigida e Fiel da SBTB) contra as heresias das versões modernas. Esse canal é uma forte ferramenta de combate ao sistema global do anti-cristo e a Nova Ordem Mundial.



sexta-feira, 27 de dezembro de 2024

Todas as evidências apontam para Deus

Autor: Dave Hunt 


  Suponha que dois sobreviventes do naufrágio de um navio tenham ficado, por dias, à deriva em um bote salva-vidas no oceano Pacífico e, por fim, são arrastados para a praia de uma ilha. A grande esperança deles, claro, é que a ilha esteja habitada para que possam ter alimento, cuidados médicos e meios para retornar a sua distante terra natal. Seguindo seu caminho para dentro da floresta, repentinamente encontram uma fábrica automatizada operando a pleno vapor. Apesar de nenhuma pessoa aparecer, os produtos estão sendo manufaturados, embalados e rotulados para o embarque.
  Um deles exclama: "Deus seja louvado! A ilha é habitada! Alguém deve ter feito esta fábrica e a supervisiona!"
  "Você está louco", seu companheiro replica. "Você esteve exposto ao sol por muito tempo. Não há absolutamente nenhuma razão para acreditar que esta coisa foi planejada e posta para funcionar por qualquer ser pensante. Isto apenas aconteceu por acaso sabe-se lá há quantos bilhões de anos."
  O primeiro homem deu uma olhada para os pés e viu um relógio com a pulseira quebrada caído sobre a sujeira. Novamente, ele exclama: "Olhe! Um relógio! Isso prova que a ilha é habitada!"
  "Você deve estar brincando", seu companheiro replica. "Esta coisa é apenas uma conglomeracão de átomos que, por acaso, chegou a essa forma após bilhões de anos de seleção aleatória."
  Nenhuma pessoa em sã consciência pode imaginar que uma fábrica ou um relógio poderia surgir por acaso. Portanto, como qualquer pessoa racional poderia insistir que o universo veio a existir por acaso e, muito menos, que as complexas formas de vida da Terra possam ter surgido por acaso! Uma simples célula viva de uma folha ou de um animal é milhares de vezes mais complexa do que uma fábrica e um relógio juntos. O corpo humano consiste de trilhões de células, de milhares de tipos diferentes, todas trabalhando juntas em perfeito equilíbrio. Nossos melhores cientistas não podem produzir um cérebro humano mesmo com toda tecnologia e computadores disponíveis hoje. Apenas Deus pode fazer isso. Certamente, isso não se deve ao acaso!
  Também não faria sentido Deus criar o homem se não tivesse um propósito definido para ele. Nada é mais frustrante para uma pessoa inteligente do que não ter propósito algum na vida. Nem mesmo a ideia de propósito poderia surgir por acaso, pois propósito e acaso são opostos. Não existe plano sem planejador. Portanto, sabemos que Deus tinha um propósito para nos criar. E assim, Ele precisava ter uma maneira de nos comunicar seu propósito.
  A bíblia afirma ser a Palavra de Deus para a humanidade e explica os propósitos e planos divinos. Não se espera que acreditemos nessa afirmação sem evidências suficientes, mas, de fato, essa afirmação é fundamentada por um vasto número de evidências. Muitas delas estão nos museus do mundo todo e são tão irrefutáveis que qualquer pessoa capaz de ler a bíblia não tem desculpa para duvidar dessas afirmações. 
  A maior prova da existência de Deus que a bíblia oferece é o cumprimento de centenas de profecias específicas. Em Isaías 46:9-10 Deus diz que prova sua existência ao anunciar o que acontecerá antes que aconteça. Em Isaías 43:10, Deus diz à nação de Israel que ela precisa ser sua testemunha de que Ele é Deus, tanto para si mesma quanto para o mundo. Como isso acontece? Por causa das muitas profecias que Deus fez em relação a Israel e que se cumpriram: que os judeus seriam espalhados por todas as nações da terra; que seriam odiados e perseguidos e mortos como nenhum outro povo (anti-semitismo); que seriam preservados apesar dos milhares de tipos de Hitler que tentaram exterminá-los; que, nos últimos dias, seriam trazidos de volta a terra deles... e muitas outras profecias que foram claramente cumpridas e estão no processo de serem cumpridas bem diante de nossos olhos.

Dave Hunt foi apologeta, autor e palestrante reconhecido internacionalmente. Esse texto foi extraído do seu livro "Em defesa da fé cristã".

quarta-feira, 4 de dezembro de 2024

A luta dos batistas pela liberdade religiosa

  Autor: Bruno Faé

Texto retirado do blog Memória dos Batistas

 


  Para compreender a importância dos Batistas na luta pela liberdade religiosa é preciso conhecer o contexto no qual o grupo surgiu e se desenvolveu. A Inglaterra do século 17 tinha uma religião oficial (Anglicana) e ambos, Igreja e Estado, estavam sob governo do Rei. Os cidadãos deviam estar obrigatoriamente inseridos nas duas instituições. No caso da Igreja, essa inclusão era feita por meio do batismo, logo após o nascimento. Aqueles que não batizavam os bebês estariam negando-lhes, além da entrada no Reino de Deus, também a cidadania plena. Ou seja, era considerado uma espécie de abuso infantil. Assim, estavam violando a lei tanto os que não faziam parte da Igreja oficial quanto os que não praticavam o batismo infantil, podendo receber punições como prisão, exílio ou até mesmo a morte.
​  Compreendendo essa situação, é possível entender por que a prática do batismo somente de adultos esteve tão intimamente ligada à luta pela liberdade religiosa e pela separação entre Igreja e Estado. Nesse contexto, surgem os Batistas, em 1609, na Holanda, a partir de um grupo de ingleses que fugira do país por pretender se separar da Igreja oficial, liderados pelo pastor John Smith e pelo advogado Thomas Helwys (1550-1616). Logo, começou a luta dos Batistas por liberdade.
Defesa da liberdade religiosa na Inglaterra

  Em 1612, Thomas Helwys escreve uma obra intitulada Uma breve declaração do mistério da iniquidade. O livro é o primeiro deste tipo em língua inglesa, e uma cópia foi enviada diretamente ao rei Tiago I. Num dos trechos o autor afirma:
"Oh, rei. Não despreze o conselho dos pobres, e deixe que suas reclamações cheguem até você. O rei é um homem mortal e não Deus. Portanto, não tem poder sobre as almas imortais dos seus súditos, para fazer-lhes leis e ordenanças e para colocar chefes espirituais sobre eles. [...] A religião dos homens e Deus é um assunto entre Deus e eles. O rei não deve responder por isso. Nem pode o rei ser juiz entre Deus e os homens. Deixe que sejam hereges, turcos, judeus ou o que seja. Não pertence ao poder terreno puni-los em nenhuma medida."
Por sua ousadia e coragem, Helwys foi preso quando retornou à Inglaterra e na prisão permaneceu até sua morte em 1616. Mas as ideias deste Batista, tão modernas até para o tempo presente, não puderam ser presas ou eliminadas. Elas foram uma fonte de inspiração para diversos outros ativistas pela liberdade religiosa, dentre os quais John Murton (1585-1626).
  John Murton foi um Batista membro da igreja liderada por Thomas Helwys e esteve preso com ele. Em 1615 e 1620 publicou, anonimamente, dois livros. Num deles, intitulado A Epístola, o autor defende a ideia de dois reinos separados. Segundo Murton, “a autoridade terrena pertence aos reinos terrenos, mas a autoridade espiritual pertence ao único Rei espiritual, o Rei dos Reis”.
  As obras de Murton provavelmente influenciaram a elaboração da Primeira Confissão de Fé de Londres (1644). Na questão da liberdade religiosa, esta Confissão mostra que Batistas Particulares e Gerais estavam unidos no pensamento. Em seu artigo 49, está disposto que:
  "Devemos defender as autoridades e todas as leis civis feitas por elas, com nosso ser e com nosso patrimônio, ainda que devamos sofrer, por razão de consciência, por não nos submeter às suas leis eclesiásticas com as quais não estamos de acordo".
O pensamento de Helwys e Murton influenciou também um grande notável Batista na luta pela liberdade religiosa, Roger Williams (1603-1683). E com esse personagem podemos olhar para um outro contexto, no qual os Batistas alcançaram suas maiores vitórias: os Estados Unidos.

Primeiras vitórias na Nova Inglaterra

  Roger Williams, um pastor separatista inglês, fugiu em 1631 para a Nova Inglaterra (grupo de colônias inglesas que futuramente se tornaria os Estados Unidos) e, rejeitando o batismo infantil, se tornou Batista. Normalmente, as colônias tinham também uma religião oficial, Anglicana ou Congregacional. Na cidade de Boston, Williams começa a pedir às autoridades que parassem de policiar as crenças religiosas das pessoas. Ele defendia que o poder do magistrado civil se estendia apenas às ações externas dos indivíduos, mas jamais deveriam interferir nas questões internas da alma. Por sua militância, foi banido da colônia de Massachusetts.
  Decidido a implementar sua visão de liberdade religiosa, Williams segue para uma região mais ao sul e funda a colônia de Rhode Island em 1636, onde implementa um governo no qual haveria liberdade de consciência. Desta forma, pode-se dizer que Roger Williams fundou o primeiro lugar no mundo moderno onde cidadania e religião estavam separados, ou seja, havia separação entre igreja e Estado.
  Foi justamente em Rhode Island, em 1638, onde Williams também estabeleceria a Primeira Igreja Batista nos Estados Unidos, na cidade de Providence. 
  Em 1644, Roger Williams escreveu o livro O princípio sangrento da perseguição por causa da consciência. Usando argumentos bíblicos, ele clama por um “muro de separação” entre a igreja e o Estado e pela tolerância para com várias denominações cristãs, incluindo o Catolicismo, e também para com pagãos, judeus, turcos ou até mesmo anticristãos. Em um trecho, ele afirma:
"Deus não exige que uma uniformidade religiosa seja promulgada e determinada em qualquer estado civil. Cedo ou tarde, a uniformidade forçada será a maior ocasião da guerra civil, do arrebatamento da consciência, da perseguição de Cristo Jesus em seus servos, da hipocrisia e da destruição de milhões de almas".
  Essa obra de Roger Williams foi posteriormente citada como fonte filosófica por John Locke, pela Primeira Emenda à Constituição dos Estados Unidos e por vários escritos de Thomas Jefferson.
  Por seu princípio de liberdade de consciência, Rhode Island se tornou um local de refúgio para os perseguidos de outras colônias, e assim passou a ser também alvo de ataques. Para garantir a segurança em seu território, seus líderes recorreram ao rei da Inglaterra, Carlos II. Entra em cena então mais um notável Batista, o pastor John Clarke (1609-1676).
  Em 1653, John Clarke foi enviado por uma comissão de Rhode Island à Inglaterra para interceder junto ao rei pelo reconhecimento formal da colônia. Ali, ele permaneceu durante dez anos e em 1663 o rei lhes concedeu a Escritura Real, na qual estava registrado que “nenhuma pessoa na colônia poderia ser molestada, punida, perturbada ou desacreditada por nenhuma diferença de opinião ou em matéria de religião”. Esta Escritura Real é o primeiro documento oficial a garantir liberdade religiosa no território dos Estados Unidos.

Conquista da liberdade religiosa nos Estados Unidos

  Mas a conquista máxima dos Batistas no campo da liberdade religiosa provavelmente foi a Primeira Emenda à Constituição dos Estados Unidos. Nessa história, o primeiro nome a ser citado é o do pastor Isaac Backus (1724-1806), considerado o principal pregador durante o período da Revolução Americana (luta pela independência dos Estados Unidos).
  Em 1773, Backus publica um sermão sobre liberdade religiosa, com o título Um apelo ao público para a liberdade religiosa contra as opressões dos dias de hoje, no qual afirma que:
"Deus designou dois tipos de governo no mundo, que são distintos em sua natureza, e nunca devem ser confundidos em conjunto: um é chamado de governo civil e outro é o governo eclesiástico. [...] Quem pois pode ouvir Cristo declarar que seu governo não é deste mundo e ainda acreditar que essa mistura de igreja e Estado Lhe é agradável?"
  Na seção 3 da obra, Backus relata os sofrimentos causados pela perseguição aos Batistas por não aceitarem se submeter à Constituição vigente. A independência do país em relação à Inglaterra significaria também a oportunidade de viver num país com plena liberdade religiosa. Essa independência veio finalmente em 1776, mas a nova Constituição só foi promulgada em 1787.
  Mesmo assim, por falta de consenso, os direitos individuais dos cidadãos não foram incluídos logo de início na Constituição. E é aí que entra em cena outro Batista importante: John Leland (1754-1841). Leland era um influente pastor no estado da Virgínia, onde os batistas representavam uma importante parcela do eleitorado e que era também distrito do congressista James Madison.
  Havia o anseio para que Leland concorresse à vaga de Madison no Congresso, o que levou esse pai fundador a fazer uma visita ao pastor em sua casa. Na reunião entre eles, ficou acordado que Leland não concorreria à vaga de Madison, e esse, por seu turno, se comprometeria a apoiar a luta dos Batistas pela liberdade religiosa. Madison, considerado o “Pai da Constituição Americana”, então apresentou a proposta da Carta de Direitos (1792), documento pelo qual são chamadas as dez primeiras emendas à Constituição dos EUA. A primeira dessas dez emendas dispõe que:
"O Congresso não legislará no sentido de estabelecer uma religião, ou proibindo o livre exercício dos cultos; ou cerceando a liberdade de palavra, ou de imprensa, ou o direito do povo de se reunir pacificamente, e de dirigir ao Governo petições para a reparação de seus agravos."
  Em 1802, Leland ainda foi convidado para pregar numa sessão conjunta do Congresso, com a presença do presidente Thomas Jefferson, onde mais uma vez defendeu a liberdade religiosa.

Contribuição para a liberdade religiosa no Brasil

  Quando os primeiros Batistas da Convenção do Sul dos Estados Unidos, além dos Batistas poloneses e letos, chegaram ao Brasil, nosso país ainda era uma monarquia e a Igreja e o Estado estavam unidos. Vigorava a Constituição de 1824 que estabeleceu a Igreja Católica como religião oficial. As outras religiões eram permitidas no “culto doméstico”. Ou seja, as igrejas evangélicas não podiam realizar cultos públicos. Além disso, seus praticantes não podiam ser eleitores. Na prática, especialmente nas regiões interioranas do país, havia agressiva perseguição aos protestantes.
  Os historiadores da vida dos primeiros missionários americanos no Brasil contam que um dos principais republicanos, Aristides Lobo, visitou o missionário William Buck Bagby no dia anterior à proclamação da República, que ocorreu em 15 de novembro de 1889, ocasião na qual conversaram sobre a liberdade religiosa nos Estados Unidos. Lobo, então, saiu desse encontro com uma cópia da Constituição Americana, fornecida pelo missionário Bagby.
  A separação da igreja e do Estado já era um anseio dos republicanos, mas esse encontro com o missionário Batista teria contribuído para sua garantia expressa na nova Constituição, de 1891. Sobre a liberdade religiosa, a Constituição Republicana estabelecia o seguinte:
Art. 11 - É vedado aos Estados, como à União: [...] 2º) estabelecer, subvencionar ou embaraçar o exercício de cultos religiosos;
Art. 72 - A Constituição assegura a brasileiros e a estrangeiros residentes no país a inviolabilidade dos direitos concernentes à liberdade, à segurança individual e à propriedade, nos termos seguintes:
§ 3º Todos os indivíduos e confissões religiosas podem exercer pública e livremente o seu culto, associando-se para esse fim e adquirindo bens, observadas as disposições do direito comum.
§ 5º Os cemitérios terão caráter secular e serão administrados pela autoridade municipal, ficando livre a todos os cultos religiosos a pratica dos respectivos ritos em relação aos seus crentes, desde que não ofendam a moral publica e as leis.

  Mesmo com a proclamação da República, a perseguição aos Batistas, e a outros evangélicos, continuou, com insultos, depredações e espancamentos. Mas nossos irmãos do passado resistiram bravamente, denunciaram os abusos, cobraram das autoridades e exigiram o direito de que cada um viva sua fé de acordo com a própria consciência. Assim, pode-se dizer que os Batistas também tiveram participação na busca pela liberdade religiosa e pela separação entre igreja e Estado no Brasil.
Conclusão

  Diante desses relatos, que são apenas um pequeno resumo, podemos dizer que os Batistas foram protagonistas e construíram uma linda história na luta e na conquista da liberdade religiosa. Escreveram a primeira obra em língua inglesa sobre o tema, fundaram o primeiro Estado do mundo moderno onde havia separação entre igreja e governo civil, conseguiram o primeiro documento que garantia liberdade de consciência no território da Nova Inglaterra, pregaram para presidentes e autoridades e tiveram envolvimento direto na inserção da liberdade religiosa na Constituição dos Estados Unidos, maior democracia do mundo.
  Conhecer essa história nos ajuda primeiro a valorizar o esforço e o sacrifício de irmãos do passado que arriscaram suas vidas, foram exilados, presos e até mortos por defender a liberdade de servir a Deus de acordo com sua consciência. Nos ajuda também a continuar lutando por nossos próprios direitos atualmente. Eventualmente, o Estado e outros grupos sociais tentam interferir na liberdade religiosa, ameaçando, por exemplo, pautar sobre quais temas os pastores podem pregar. A igreja deve estar vigilante e defender a liberdade de proclamar sua fé, conforme sua consciência, evidentemente sem ser intolerante com quem quer que seja.
  Mas, talvez a principal lição que esses Batistas do passado tenham a nos ensinar nesse aspecto é que ninguém pode ser inserido no Reino de Deus pela força. Há pouco tempo, circulou na Internet um vídeo no qual traficantes obrigavam uma mãe-de-santo a quebrar seu local de culto e a expulsavam da comunidade, tudo isso “em nome de Jesus”. Jesus jamais aprovaria isso. O Senhor não obrigava ninguém a segui-Lo. Ele disse que “se alguém quiser” andar com Ele, deve negar a si mesmo, tomar a cada dia a sua cruz e segui-Lo. 
  Nós Batistas devemos ser os primeiros a defender o direito das pessoas de viverem a religião de acordo com sua própria consciência. Conforme nos ensinaram Thomas Helwys e Roger Williams, Deus nunca quis que o Evangelho fosse estabelecido pelo Estado ou pela força. Deus nunca quis fundar um “país cristão”. Cristo quer reinar nos corações das pessoas e seu Reino não tem aparência exterior. Ele quer que as pessoas se arrependam e sejam conquistadas pelo amor e pelo Seu Espírito, e não pela lei ou pelas armas. Deixe que sejam hereges. Isso vai nos lembrar de nossa responsabilidade em espalhar a mensagem do Evangelho. Não basta ser o Cristianismo a “religião oficial” em qualquer lugar para que Jesus fique satisfeito. Ele só ficará satisfeito quando cumprirmos com empenho e fidelidade a Sua ordem: ide, pregai e fazei discípulos em todas as nações.

Por Bruno Faé

FONTES:
  • First Freedom: The Baptist Perspective on Religious Liberty (Thomas White)
  • Baptists in America: a history (Thomas S. Kidd)
  • The Baptist story: from english sect to global movement (Anthony L. Chute)
  • História dos Batistas no Brasil até 1906 (A. R. Crabtree)
  • Os Bagby no Brasil (Helen Bagby Harrison)
  • http://www.reformedreader.org
  • https://en.wikipedia.org
  • https://erlc.com



segunda-feira, 2 de dezembro de 2024

Ambiguidades e relativismo: traduções modernas das escrituras

 Autor: Pr. Clávio Jacinto 


  O que é relativismo? Na filosofia, é a crença de que não há uma verdade absoluta, mas muitas verdades. Ainda que sejam opostas, a verdade torna-se apenas a nível pessoal. A "verdade" do outro pode ser completamente oposta a minha, mas em ambos os casos, elas são iguais em validade, mesmo sendo contrárias na natureza lógica. 

  O relativismo é uma crença filosófica completamente anti cristã. Além disso, o relativismo é necessário para que a apostasia ganhe força em nossos dias. Você pode ser um relativista mesmo não percebendo isso. Por exemplo, vou citar a questão das versões bíblicas. Há muitas versões modernas que são contraditórias com o texto tradicional. Há algumas bíblias modernas que até omitem versículos bíblicos quando comparados com uma tradução corrigida do texto tradicional. Vou citar um exemplo:  

Romanos 8:1, as versões modernas omitem a parte final do versículo “Que não andam segundo a carne, mas segundo o Espírito”. Muito bem, pergunto, quais das duas versões são as de fato, a Bíblia? Muitos responderão que são as duas. Isso é relativizar a verdade. Outro exemplo, Tito 3:10, na corrigida tradicional o versículo fala do herege, mas nas modernas é um  divisor. Ora, Jesus nunca foi herege, mas ele foi divisor (João 10:19, Lucas 12:52 e 53). Qual versão está correta? Se você opta pelas duas, você está relativizando a verdade.  Muitas versões modernas foram desenvolvidas em ambientes profundamente relativistas. Um exemplo claro foram aquelas desenvolvidas por ecumênicos para fins ecumênicos. Desejo citar o renomado escritor Abraão de Almeida, no seu excelente livro “Teologia contemporânea”(CPAD). Ele afirma: “Por discordarem das atividades ecumênicas da Sociedade Bíblica do Brasil, os fundamentalistas brasileiros repudiaram como espúrio o Novo Testamento na linguagem de hoje (tradução conjunta de católicos e protestantes), alegando  secularização do texto sagrado, e romperam definitivamente com aquela organização, convidando para estabelecer-se no Brasil a Sociedade Biblica Trinitariana de Londres, que já atua em São Paulo na edição das Escrituras Sagradas” (Pagina 195).  

  Que o dileto leitor possa notar que versões modernas foram desenvolvidas dentro de ambientes relativistas. Assim temos um contingente enorme de pessoas sem discernimento, que argumentam que todas as traduções bíblicas são verdadeiras e são a Palavra de Deus, mas sustentar essa visão é adotar o relativismo como cosmovisão. Mas, o que devo fazer? Você pergunta. Adote uma versão padrão e mantenha ela como sua Bíblia oficial. Mas qual delas? Ora, afasta-se das versões modernas, e mantenha seu foco no texto tradicional, na versão Corrigida e Fiel. Essa é a versão histórica do cristianismo evangélico ortodoxo durante séculos.

Pr. Clávio. J. Jacinto. E-mail para contato:

claviojj@gmail.com




terça-feira, 22 de outubro de 2024

Co-igualdade da Trindade

 Autor: Roger Gonçalves 



A Cristo são atribuídos os atributos que são designados somente à Deus:

a) Santidade: Mc 1.24; 2Co 5.21; Jo 8.46; Hb 7.26

b) Eternidade: Jo 1.1; 8.58; Hb 1.8; Jo 17.5

c) Vida: Jo 1.4; 14.6; 11.25

d) Imutabilidade: Hb 13.8; 1.11,12

e) Onipotência: Mt 28.18; Ap 1.8

f) Onisciência: Jo 16.30; Mt 9.4; Jo 6.64; Cl 2.3

g) Onipresença: Mt 28.20; Ef 1.23

h) Criação: Jo 1.3; 1.10; Cl 1.16,17; Hb 1.3

i) Ressuscitando os mortos: Jo 5.27-29

j) Oração e devoção devem ser dirigidas a Cristo: Jo 14.14; Lc 24.51,52; At 7.59; Jo 5.23; At 16.31; Hb 1.6; Fp 2.10,11; 2Pe 3.18; Hb 13.21; Is 45.22

  Conforme esses atributos que são dados a Cristo, nos é ensinado de forma clara a Sua Divindade, caso contrário seria uma blasfêmia atribuir a Ele os atributos se não fosse Deus.

O Espírito Santo é Deus:

“Disse então Pedro: Ananias, por que encheu Satanás teu coração, para que mentisse ao Espírito Santo... Não mentistes aos homens, mas a Deus.” (At 5.3,4)

“Porque, qual dos homens sabe as coisas do homem, senão o espírito do homem, que nele está? Assim também ninguém sabe as coisas de Deus, senão o Espírito de Deus.” (1Co 2.11)

“Ora, o Senhor é o Espírito; e onde está o Espírito do Senhor, aí há liberdade.” (2Co 3.17)

“Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome (singular) do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo.” (Mt 28.19)

  O Espírito Santo é colocado ao mesmo pé de igualdade com o Filho e com o Pai e Ele têm os mesmos poderes e atributos.

São pessoas distintas entre si 

1. Relacionamento Pessoal

  Nas relações pessoais que a Trindade têm entre si é evidenciado que são Pessoas diferentes. As suas designações Pai, Filho e Espírito Santo testificam isso:

a) Usam mutuamente os pronomes Eu, Tu, Ele quando falam um do outro, ou entre si (Mt 17.5; Jo 17.1; 16.28; 16.13);

b) O Pai ama o Filho, e o Filho ama o Pai. O Espírito Santo glorifica o Filho (Jo 3.35; 15.10; 16.14);

c) O Filho ora ao Pai (Jo 17.5; 14.16);

d) O Pai envia o Filho, o Filho e o Pai enviam o Espírito Santo que atua como Seu Agente (Mt 10.40; Jo 17.18; 14,26; 16.7);

  Porquanto, pelo fato de usar pronomes Eu, Tu, entre Si é evidenciado que há um só Deus em Três Pessoas Distintas.

2. São Apresentadas Separadamente

  Três Pessoas distintas são apresentadas em 2Sm 23.2,3; Is 48.16; 63.7-10. Igualmente, à vista do fato da criação ser atribuída a cada Pessoa da Divindade separadamente, como também a Eloim com as palavras “E disse Deus (Eloim): Façamos o homem à nossa imagem...” (Gn 1.26).

  Temos forte convicção da mesma verdade no plural de Eclesiastes 12.1 que diz: “Lembra-te também do(s) teu(s) Criador(es) nos dias da tua mocidade...”, e Is 54.5, que diz: “Porque o(s) teu(s) criador(es) é(são) o teu marido..."

Quanto às obras de cada um:

  É declarado que Cada Pessoa realiza as obras de Deus e assim todas as executaram. Nunca é mencionado as Três Pessoas realizando as obras juntas e sim como que se a outra não as tivesse realizado.

1. A Criação do Universo

Pai (Sl 102.25); Filho (Cl 1.16); Espírito Santo (Gn 1.2; Jó 26.13). Tudo se combina com Gn 1.1 (Deus – Eloim).

2. A Criação do Homem

Pai (Gn 2.7); Filho (Cl 1.16); Espírito Santo Jó 33.4). Resumindo tudo isso em Ec 12.1 e Is 54.5, onde Criador é plural no original.

3. A Morte de Cristo

Pai (Sl 22.15; Rm 8.32; Jo 3.16); Filho (Jo 10.18; Gl 2.20); Espírito Santo (Hb 9.14).

4. Ressurreição

Pai (At 2.24); Filho (Jo 10.18; 2.19); Espírito Santo (1Pe 3.18).

5. Inspiração das Escrituras

Pai (2Tm 3.16); Filho (1Pe 1.10,11); Espírito Santo (2Pe 1.21).

Doutrina da Trindade no Velho Testamento 

  O Velho Testamento logo no seu início insinua uma pluralidade na Divindade, demonstrando assim, claramente a Trindade (Gn 1.1,26; 3.22; 11.6,7; 20.13; 48.15; Is 6.8).

A. Os nomes de Deus no plural 

  Em Gênesis 1.1 vemos o nome Eloim. Este Nome é plural na forma, mas singular no significado. Os versículos seguintes demonstram isso (Gn 1.26,27; 3.22); indicando então uma Trindade.

  Há vários versos que Deus aparece falando consigo mesmo e com isso demonstrando conselho dentro da Trindade. Sabemos que Deus não se aconselha e nem pede conselhos (Gn 1.26,27; 3.22; 11.7; Is 6.8); indicando assim uma Trindade. Essa auto-conversa não pode ser atribuída aos anjos, pois eles não estavam associados com Deus na criação.

B. O Anjo do Senhor 

  Esse se trata do Logos pré encarnado, Deus Filho, em manifestação angélica ou até mesmo humana.

  Algumas dessas manifestações se deram a: Hagar (Gn 16.7-14); Abraão (Gn 22.11-18); Jacó (Gn 31.11,13); Moisés (Ex 3.2-5); Israel (Ex 14.19; cf. 23.20; 32.34); Balaão (Nm 22.22-35); Gideão (Jz 6.11-23); Manoá (Jz 13.2-25); Davi (1Cr 21.15-17); Elias 1Rs 19.5-7); Ele feriu de morte 185.000 assírios em uma noite (2Rs 19.35); etc.

  Esse Anjo foi adorado (Ex 3.5,6), se Ele não fosse Cristo, seria blasfêmia um anjo receber adoração que é devida só a Deus (Ap 22.8,9).

  Essas manifestações no Velho Testamento tinham por finalidade prever a hora em que finalmente Ele viria na carne. Apenas uma única exceção, em que o anjo não é o Logos se encontra em Ageu 1.13, onde o próprio Ageu é o “mensageiro” do Senhor.

  Outras provas bíblicas dessa afirmação são: Gn 17.2,17; 18.22 com 19.1; Js 5.13-15 com 6.2; Jz 13.8-21; Zc 1.11; 3.1; 13.7.

C. A benção araônica

  Esse exemplo de trisagia indica uma insinuação da Trindade (Nm 6.24-26).

“O Senhor te abençoe e te guarde; o Senhor faça resplandecer o seu rosto sobre ti, e tenha misericórdia de ti; o Senhor sobre ti levante o seu rosto e te dê a paz”.

  Note que muito embora a passagem citada seja uma bênção, é um só o Deus que abençoa. Sabemos isso pela menção do verso seguinte: “Assim porão o meu nome sobre os filhos de Israel, e eu os abençoarei”.

D. Logo no início 

  Encontramos no primeiro versículo da Bíblia duas manifestações da Divindade que segue: “No princípio criou Deus... e o Espírito de Deus se movia”. Portanto notamos que o Criador de todas as Coisas é Deus e o Espírito Santo move-Se sobre este mundo, com o propósito de nos conduzir, guiar e instruir no caminho que Ele deseja que andemos.

  A palavra usada Eloim, Deus em português, é o primeiro dos nomes da Divindade, é um substantivo plural na forma, mas singular no significado quando se refere ao verdadeiro Deus.

  Os dois outros são realmente Pessoas Divinas, pois as Escrituras confirmam isso. Elas descrevem Deus Pai como o líder, o mestre, ou aquele diante do qual nossos pais andaram; o Filho como o Goel, o Anjo que remiu; e Deus que é o Autor de toda iluminação, santificação e conforto, com o Espírito Santo que nos fornece alimento espiritual e nos alimenta com ele.

  Também outras passagens atribuem ser Cristo o Próprio Deus (Rm 9.5; Tt 2.13; Hb 1.8; 1Jo 5.20; 1Co 8.5,6; Ap 4.11).

E. As três pessoas recebem os mesmos atributos:

* Eternidade: Pai (Sl 90.12); Filho (Ap 1.8,17; Jo 1.2; Mq 5.2); Espírito Santo (Hb 9.14).

* Poder infinito: Pai (1Pe 1.5); Filho (2Co 12.9); Espírito Santo (Rm 15.19).

* Onisciência: Pai (Jr 17.10); Filho (Ap 2.23); Espírito Santo (1Co 2.11).

* Onipresença: Pai (Jr 23.24); Filho (Mt 18.20); Espírito Santo (Sl 139.7).

* Santidade: Pai (Ap 15.4); Filho (At 3.14); o Espírito é chamado de Espírito Santo, foi por isso que os anjos clamaram: “Santo, santo, santo é o Senhor dos Exércitos” (Is 6.3).

* Verdade: Pai (Jo 7.28); Filho (Ap 3.17); Espírito Santo (1Jo 5.6).

* Benevolentes: Pai (Rm 2.4); Filho (Ef 5.25); Espírito Santo (Ne 9.20).

* Comunhão: Pai (1Jo 1.3); Filho (idem); Espírito Santo (2Co 13.14).

  Tudo o que se diz de uma Pessoa é como que se as outras não existissem. O fato de que cada Pessoa possui todas as características divinas e de maneira tão completa que pareceria que nenhuma outra precisaria possuí-las, declara a distinção existente entre as Pessoas.

  Por outro lado, o fato de que elas todas manifestam estas características de maneira idêntica e na mesma medida, declara a Unidade da qual o seu modo de existência brota.

Roger Gonçalves é teólogo, apologeta e membro da Primeira Igreja Batista de Paciência.


terça-feira, 15 de outubro de 2024

Qual tradução de bíblia o crente fiel deve usar?

 Autor: Gian D. Borges 


   É um mito dizer que toda tradução é inspirada por Deus. O vasto número de traduções já indica por si só adulterações, e para não ficarmos somente nisso, compare as palavras umas com as outras traduções por traduções. Você pode pensar: "Ahh, mas a essência é a mesma só que alteradas". Não para Deus. Essa frase é anti-Deus. Apocalipse 22:18-19 (versão Almeida Corrigida e Fiel da Sociedade Bíblica Trinitariana do Brasil) diz:

18 Porque eu testifico a todo aquele que ouvir as palavras da profecia deste livro que, se alguém lhes acrescentar alguma coisa, Deus fará vir sobre ele as pragas que estão escritas neste livro;

19 E, se alguém tirar quaisquer palavras do livro desta profecia, Deus tirará a sua parte do livro da vida, e da cidade santa, e das coisas que estão escritas neste livro.

  O fato de Deus ter nos criado e feito o projeto da salvação dá o mérito para Deus independente de qualquer coisa. Esse pecado falado nos versículos 18 e 19 se trata de falsos convertidos e o bloqueio de não salvação. A pessoa pode se converter lendo até mesmo uma tradução "Ave Maria", mas isso não significa que a tradução tenha toda a Palavra de Deus. Muitas traduções piores produzem falsos convertidos. Quem não tem uma King James 1611, pode ler a Almeida Corrigida Fiel da Sociedade Bíblica Trinitariana do Brasil. E as traduções adulteradas que ganhamos de irmãos? Deixem guardadas como presente, não use ela como sua Bíblia TITULAR. Quem não se esforça sobre traduções certamente está engessado, esgotado espiritualmente para não ser inclinado a uma tradução que TENHA TODA A PALAVRA DE DEUS. Como o crente vai cumprir com o versículo de Mateus 4:4 se ele abraça traduções adulteradas?

"....Está escrito: Nem só de pão viverá o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus." Mateus 4:4 

Gian D. Borges

quinta-feira, 3 de outubro de 2024

Uma breve biografia de Charles Finney

 Texto extraído do prefácio do livro "Teologia Sistemática" de Charles Finney, editora CPAD


Uma vida santificada a Deus 

  Nascido no ano de 1792, na cidade norte-americana de Cunnecticute, na Nova Inglaterra, Charles Finney teve o privilégio de ser educado numa família tradicionalmente puritana. Quando ele tinha dois anos de idade, seus pais resolveram transferir-se para Nova Iorque. Aos vinte anos, retornou à Nova Inglaterra a fim de cursar a Escola Superior. Enquanto prosseguia nos estudos, pôs-se a lecionar em escolas públicas. Nessa época, já se havia especializado em latim, grego e hebraico.
  Em 1918, começou a estudar Direito nos escritórios de Squire Wright, de Adams, em Nova Iorque.
  Quanto à vida espiritual, seu progresso era quase nulo. Os sermões que ouvia, achava-os monótonos e sem nenhum atrativo. Sua mente lógica e agudíssima exigia algo mais consistente. Foi por essa época, que ele começou a estudar as Sagradas Escrituras. De início, mostrou-se cético. Mas com o passar dos tempos, não pôde mais resistir: a Bíblia é de fato a inspirada, infalível e inerrante Palavra de Deus.
  O que lhe faltava senão aceitar a Cristo? Deixemos que ele mesmo fale de sua experiência de salvação: "Num sábado à noite, no outono de 1821, tomei a firme resolução de resolver de vez a questão da salvação de minha alma e ter paz com Deus".
  Finney, porém, não se conformava. Queria mais de Cristo. Sua fome pelo Senhor era insaciável. Foi assim, buscando incessantemente a Deus, que veio ele a ser batizado no Espírito Santo. Que o próprio Finney narre como se deu sua experiência pentecostal:
  "Ao entrar e fechar a porta atrás de mim, parecia-me ter encontrado o Senhor Jesus Cristo face a face. Não me entrou na mente, na ocasião, nem por algum tempo depois, que era apenas uma concepção mental. Ao contrário, parecia-me que eu o encontrara como encontro qualquer pessoa. Ele não disse coisa alguma, mas olhou para mim de tal forma, que fiquei quebrantado e prostrado aos seus pés. Isso, para mim, foi uma experiência extraordinária, porque parecia-me uma realidade, como se Ele mesmo ficasse em pé perante mim, e eu me prostrasse aos seus pés e lhe derramasse a minha alma. Chorei alto e fiz tanta confissão quanto possível, entre soluços. Parecia-me que lavava os seus pés com as minhas lágrimas; contudo, sem sentir ter tocado na sua pessoa. Ao virar-me para me sentar, recebi o poderoso batismo com o Espírito Santo. Sem o esperar, sem mesmo saber que havia tal para mim, o Espírito Santo desceu de tal maneira, que parecia encher-me o corpo e a alma. Senti-o como uma onda elétrica que me traspassava repetidamente. De fato, parecia-me como ondas de amor liquefeito; porque não sei outra maneira de descrever isso. Parecia o próprio fôlego de Deus. Não existem palavras para descrever o maravilhoso amor derramado no meu coração. Chorei de tanto gozo e amor que senti; acho melhor dizer que que exprimi, chorando em alta voz, as inundações indizíveis do meu coração. As ondas passaram sobre mim, uma após outra, até eu clamar: 'Morrerei, se estas ondas continuarem a passar sobre mim! Senhor, não suporto mais!' Contudo, não receava a morte. Quando acordei, de manhã, a luz do sol penetrava no quarto. Faltam-me palavras para exprimir os meus sentimentos ao ver a luz do sol. No mesmo instante, o batismo do dia anterior voltou sobre mim. Ajoelhei-me ao lado da cama e chorei pelo gozo que sentia. Passei muito tempo sem poder fazer coisa alguma senão derramar a alma perante Deus".

Um homem profundamente espiritual 

  Quem lê a Teologia Sistemática de Charles Finney tem a impressão de estar diante de um Aristóteles ou de um Emanuel Kant. E não está de todo errado; ele foi um pensador de inigualáveis pendores. Com raríssima maestria, utilizou-se das ferramentas da filosofia, a fim de expor as verdades acerca do Deus único e verdadeiro. Eis por que Finney é considerado o maior teólogo desde os tempos apostólicos. O que muita gente não sabe, porém, é que esse gigante do pensamento foi um místico apaixonado pelo Senhor.
  Finney era profundamente espiritual, mas jamais colocou a sua espiritualidade acima das Sagradas Escrituras. Toda a sua experiência passava necessariamente pelo crivo da Palavra de Deus. Em nada assemelhava-se aos místicos da Idade Média que se punham acima da Bíblia. Sua espiritualidade tinha equilíbrio, possuía moderação e era temperada pela sã doutrina. Não era fanático; fervoroso de espírito, tinha um arrebatado amor pelas almas.

O grande evangelista 

  Charles Finney foi um grande evangelista. Suas campanhas eram marcadas por fatos extraordinários. O missionário Orlando Boyer mostra o impacto que Finney causava como mensageiro de Cristo:
  "Perto da aldeia de New York Mills, no século dezenove, havia uma fábrica de tecidos movida pela força das águas do Rio Oriskany. Certa manhã, os operários se achavam comovidos, conversando sobre o poderoso culto da noite anterior, no prédio da escola pública. Não muito depois de começar o ruído das máquinas, o pregador, um rapaz alto e atlético, entrou na fábrica. O poder do Espírito Santo ainda permanecia sobre ele; os operários, ao vê-lo, sentiram a culpa de seus pecados a ponto de terem de se esforçar para poderem continuar a trabalhar. Ao passar perto de duas moças que trabalhavam juntas, uma delas, no ato de emendar um fio, foi tomada de tão forte convicção, que caiu em terra, chorando. Segundos depois, quase todos em redor tinham lágrimas nos olhos e, em poucos minutos, o avivamento encheu todas as dependências da fábrica. O diretor, vendo que os operários não podiam trabalhar, achou que seria melhor se cuidassem da salvação da alma, e mandou que parassem as máquinas. A comporta das águas foi fechada e os operários se ajuntaram em um salão do edifício. O Espírito Santo operou com grande poder e dentro de poucos dias quase todos se converteram. Diz-se acerca deste pregador, que se chamava Charles Finney, que, depois de ele pregar em Governeur, no Estado de New York, não houve baile nem representação de teatro na cidade durante seis anos. Calcula-se que, durante os anos de 1857 e 1858, mais de 100 mil pessoas foram ganhas para Cristo pela obra direta e indireta de Finney".

Prefácio do livro"Teologia Sistemática" de Charles Finney 

quarta-feira, 25 de setembro de 2024

Justificação, a causa e o evangelho

Autor: Pr. Clávio Jacinto

 


  Em Genesis 3:7 encontramos a primeira narrativa de justificação pelas obras. O pecado poluiu o homem. O ensaio da resolução foi fazer vestes de folhas vegetais para cobertura. O contexto diz que o Senhor imolou um animal e com a pele cobriu ambos, Adão e Eva. Um teatro do esforço humano, o cheiro do suor do pecador agrada mais um incrédulo do que o bom perfume de Cristo. Assim, fora do paraíso, o esforço dos homens em construir uma torre, uma torre que toque os céus (Gênesis 11:4) é o esforço de tocar o céu pelo preço do produto das glândulas sudoríparas,  um realce do ego "Eu subirei ao céu" (Isaías 14:13); "subirei sobre as alturas das nuvens " (Isaías 14:14). É o esforço humano, um insulto ao legalista destronar sua meritolatria. Altar erguido no coração que pulsa pela força do orgulho. O culto às obras, essa abominável prática do ego, a rejeição da total suficiência da obra da cruz, um culto embuste, uma descida aos antros da maldição (Gálatas 3:10).

  Não! Não podemos arrancar do seu contexto passagens como Romanos 2:13, ignorando toda a epístola aos romanos, já que ali Paulo fala aos judeus, e as obras da lei acerca das quais se gabam, tivessem eles cumpridos todas de modo irremediável e num ato absoluto permanecessem sob essa perfeição de conduta. Mas Tiago 2:10 diz que quebrar um só mandamento torna-se culpado de todos. Assim Cristo, o único que cumpriu todos sem quebrar nenhum só, pois nem um jota ou til passaria sem que fosse cumprido em Sua vida (Mateus 5:18), torna-se o substituto para morrer na cruz no lugar daquele que não pode cumprir a lei, pois a sentença é: "maldito quem não cumpre" (Deuteronômio 27:26). Mas Cristo fez-se maldição por nós (Gálatas 3:23). Teve que cumprir a lei para poder apresentar-se vítima perfeita, imaculada e  incontaminada (I Pedro 1:19) e efetuar uma eterna e perfeita redenção (Hebreus 9:12) morrendo e sofrendo a sentença que era nossa. É pela fé na obra consumada e perfeita de Cristo que somos retirados debaixo dessa maldição (Gálatas 3:10). Cristo carregou o pecador sobre o madeiro (I Pedro 2:24). Ora a lei no que tange a inoculação do pecado por um ato do esforço humano é impossível como ratifica Hebreus 10:4, pois enquanto que na lei, o pecador oferecia o sacrifício pelos seus pecados, na graça foi Cristo quem ofereceu a Si mesmo como sacrifício pelo pecado (Hebreus 9:14 e 26). Não diferenciar isso é recorrer em anátema (Gálatas 1:8) e pregar outro evangelho é cair da graça!

  Paulo realmente assegura que a prática da lei seria uma possibilidade para a justificação, mas  é dado um diagnóstico fatal contra todos os pecadores: todos pecaram (Romanos 3:23) todos tornaram-se transgressores, não há nenhum justo sequer (Romanos 3:10). Ora se não há um justo entre os filhos de Adão, significa que as obras da lei não justificaram ninguém, o problema não é a eficiência da lei e sim a insuficiência humana! O suor fedorento das obras do homem adâmico é incompatível com o bom perfume do sangue de Cristo. É esse sangue que nos purifica de todo o pecado  (I João 1:7). Assim, ouçamos  mais de perto a voz do Espírito Santo,  não o espírito do erro. Somos justificados pela fé em Cristo e não pelas obras da lei ( Gálatas 2:16). Por Cristo é justificado todo aquele que crê nele, aquele que não está debaixo das obras da lei (Atos 13:39), isto é gratuitamente (Romanos 3:24). De outra forma, adverte Paulo que se somos justificados pelas obras da lei, a graça já não é graça (Romanos 11:6) e se não é graça, já estamos separados de Cristo por termos caído da graça (Romanos 5:4).

Pr. Clávio. J. Jacinto. E-mail para contato:

claviojj@gmail.com


sábado, 21 de setembro de 2024

A fé, a razão e a verdadeira ciência

 Autor: Ricardo dos Santos 


  Temos vivido um tempo em que a sociedade tem procurado cada vez mais distanciar a fé da razão, como se fé fosse algo irracional. A sociedade pós-moderna tem usado o máximo de esforço possível para abolir qualquer coisa que esteja relacionado à fé, principalmente quando se trata de fé cristã. O homem pós-moderno quer eliminar Deus de todas as áreas da vida cotidiana: do sistema educacional, da política, da ciência, do trabalho, da família... Basta ver, por exemplo, como estão querendo mudar o conceito de família. A família hoje já não precisa mais ser necessariamente formada por um homem e uma mulher conforme o padrão bíblico. Segundo eles, um homem com outro homem também pode ser uma "família", assim como uma mulher com outra mulher. Daí as seguintes perguntas: como fica a procriação dentro desse novo modelo de "família" criado pelos homens? Existe algo de natural nesse novo tipo de "família"? Como ficará o crescimento populacional nas próximas gerações? Será que os que se declaram progressistas já pararam para analisar o quão mal estão fazendo para as próximas gerações? Baseado nessas perguntas e sabendo muito bem as respostas, fica claro para nós o quão ignorantes são essas pessoas que têm se levantado contra os princípios cristãos.
  Voltando então a falar da fé. O que vem a ser fé? A bíblia responde. Em Hebreus 11:1-3 está escrito: "Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que não se veem. Porque por ela os antigos alcançaram testemunho. Pela fé entendemos que os mundos pela palavra de Deus foram criados; de maneira que aquilo que se vê não foi feito do que é aparente". Então, podemos ver que fé é fundamento, é certeza dos fatos. Conforme bem escreveu o apologista Dave Hunt em seu livro "Em defesa da fé cristã", a fé cristã não é algo como um salto no escuro, ou seja, não é algo irracional. Nesse mesmo livro, ele cita a passagem de Jesus após a ressurreição, quando ele foi provar para os discípulos que era ele mesmo. Assim diz o renomado autor em seu livro, na página 16:
  "Lucas nos relata que nos quarenta dias que Jesus passou com seus discípulos após sua ressurreição, Ele 'se apresentou vivo com muitas e infalíveis provas' (At 1:3; grifo do autor). Claramente, Cristo não achou que seria suficiente apenas mostrar-se a seus discípulos sem provar com evidências irrefutáveis sua ressurreição. Ele considerou tanto legítimo quanto essencial provar que Ele era exatamente o mesmo que fora crucificado e que ressuscitara dos mortos no mesmo corpo (mas agora em uma nova e gloriosa forma) que fora sepultado sem vida.
  'Vede as minhas mãos e os meus pés, que sou eu mesmo', Cristo disse aos discípulos estupefatos na primeira vez que Ele apareceu-lhes depois de sua ressurreição. 'Tocai-me e vede, pois um espírito [fantasma] não tem carne nem ossos, como vedes que eu tenho' (LC 24:39; grifo do autor). Eles pensaram que estavam vendo um fantasma, mas Jesus provou o contrário. O incrédulo Tomé não estava presente nesta primeira ocasião, e Cristo declarou posteriormente: 'Põe aqui o teu dedo e vê as minhas mãos; chega a tua mão e põe-na no meu lado...' (Jo 20:27). Ali estava a tangível evidência irrefutável".
  Agostinho de Hipona tinha a seguinte frase sobre fé e razão: "A fé e a razão caminham juntas, mas a fé vai mais longe".
  Para terminarmos, e quanto à ciência? A verdadeira ciência também não contradiz a fé e, consequentemente, não contradiz as escrituras. Sendo assim, toda essa "ciência" darwinista evolucionista que tenta eliminar o criacionismo bíblico, não passa de uma pseudo ciência. Devemos mostrar para esse pessoal idólatra por ciência que muitas descobertas científicas realizadas ao longo dos anos, a bíblia já falava séculos e séculos antes dessas tais descobertas. Quando levantarem alguma teoria "científica" que vai contra a bíblia, devemos sempre ficar ao lado da bíblia.
  SOLA FIDE! SOLA SCRIPTURA!!!!
Ricardo dos Santos 
  

sexta-feira, 13 de setembro de 2024

O engano e a contraditoriedade do chamado mundo "progressista"

 Autor: Ricardo dos Santos 


  É interessante como o chamado mundo "progressista" e "evoluído" odeiam tanto os cristãos bíblicos e fundamentalistas. Justamente esse pessoal que fala tanto em "amor", fala tanto em "democracia", fala tanto em "tolerância", mas quando um cristão bíblico levanta a sua voz em defesa da Santa Palavra de Deus, logo cai a máscara desse pessoal e percebe-se claramente que esse "amor" e "tolerância" que eles pregam tanto não passam de meras palavras bonitas e que na prática são completamente o avesso do que pregam. Eles vivem de contrariedade, vivem num mundo de ilusão, achando que o comunismo vai salvar o planeta e trazer o paraíso na terra. Porém, o que eles não sabem é que os cristãos verdadeiramente bíblicos foram responsáveis por grandes eventos que trouxeram a democracia, a liberdade religiosa, a libertação dos escravos negros etc..Para citarmos como grande exemplo, temos a Reforma Protestante, onde homens como Lutero, Calvino e muitos outros foram levantados por Deus para libertarem a igreja do despotismo do Catolicismo Romano e voltaram-se para a Palavra de Deus. Os grandes avivamentos do século XVIII e XIX, onde outros grandes homens de Deus foram levantados na Europa e nos EUA (homens como John Wesley, Jonathan Edwards, George Whitfield, Charles Spurgeon, Charles Finney, D. L. Moody, Robert Kalley, Ashbel Green Simonton...), trouxeram a Palavra de Deus para o mundo através das grandes obras missionárias e, consequentemente, trouxeram grandes mudanças nas sociedades.
  Pois é! Os "progressistas" de hoje não sabem desses fatos históricos. Eles acreditam piamente no que aprendem no maligno sistema educacional com seus livrecos de História e Ciências, onde fazem de tudo para apagar os verdadeiros relatos históricos que estão contidos na bíblia.
  Enfim, fato é que esses esquerdistas "progressistas" vivem de engano e de contrariedade. Na cosmovisão deles, o cristianismo é religião opressora, enquanto que o sistema islâmico e o sistema comunista são bons e democráticos; para eles, os EUA não prestam, já a China é boazinha; para eles, um casal de família tradicional é coisa cultural, já o homossexualismo é coisa natural; o cidadão de bem não pode ter armas para proteger a sua família, mas o tráfico pode ter posse de armas e até mesmo de metralhadoras; para eles, Israel (a única democracia do oriente médio) é opressor, já os países islâmicos são as pobres vítimas; homem não nasce homem e mulher não nasce mulher, mas o gay nasce gay; o capitalismo é opressor, já o comunismo é a solução para o mundo; essas e muitas outras contradições e engano vivem os progressistas. Se não for Deus para abrir seus olhos espirituais, continuarão no lamaçal do pecado, na cegueira, nas trevas e sendo escravos do diabo. Deus tenha misericórdia dessas vidas para que possam acordar para a verdade que liberta: Jesus.
Ricardo dos Santos 


quarta-feira, 11 de setembro de 2024

Justificação pela fé

 Autor: Ricardo dos Santos 



"Tendo sido, pois, justificados pela fé, temos paz com Deus por nosso Senhor Jesus Cristo..." Romanos 5:1

"Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus; sendo justificados gratuitamente pela sua graça, pela redenção que há em Cristo Jesus. Ao qual Deus propôs para propiciação pela fé no seu sangue, para demonstrar a sua justiça pela remissão dos pecados dantes cometidos sob a paciência de Deus; para demonstração da sua justiça neste tempo presente para que ele seja justo e justificador daquele que tem fé em Jesus". Romanos 3:23-26

"Concluímos, pois, que o homem é justificado pela fé, sem as obras da lei". Romanos 3:28

"Pois, que diz a Escritura? Creu Abraão em Deus, e isso lhe foi imputado como justiça". Romanos 4:3

"E creu ele no Senhor, e imputou-lhe isto por justiça". Gênesis 15:6

  Muitos pensam que a nossa justificação vem através de boas obras ou de sacrifícios religiosos. Porém as escrituras sagradas dizem que somos justificados pela fé. Ou seja, é obra do Espírito Santo. Ninguém é salvo por subir escadaria da Penha, ninguém é salvo por esforços humanos, ninguém é salvo por sacramentos, ninguém é salvo por obras humanitárias, ninguém é salvo por acender velas, ninguém é salvo por viver uma vida de religiosidade... O Reformador Protestante Martinho Lutero compreendeu isso quando estava lendo a carta aos Romanos e se deparou com a seguinte frase: "Mas o justo viverá da fé". Somos justificados somente pela fé. Se você entrar numa determinada instituição religiosa e se deparar com alguém dizendo que você deve cumprir rituais, requisitos religiosos para se tornar salvo, fuja dali porque não é Cristo que está sendo pregado ali. Não são os nossos méritos e sim os méritos de Cristo na cruz do Calvário. SOLA FIDE!!!!

Ricardo dos Santos 

quarta-feira, 28 de agosto de 2024

Toda a bíblia é a Palavra de Deus: Assim devemos crer

 Autor: Ricardo dos Santos 


  É lamentável vermos certas opiniões contraditórias de alguns irmãos na fé. Alguns dizem que creem na bíblia como a inerrante Palavra de Deus, creem no nascimento virginal milagroso de Nosso Senhor Jesus Cristo, creem na inerrância das profecias e outras coisas que também são realmente bíblicas, mas quando alguém entra no assunto da literalidade dos dias da criação do Gênesis, eles negam e preferem acreditar no engodo de que os primeiros capítulos do Gênesis são simbólicos. Já outros irmãos creem de forma contrária: eles creem e defendem a historicidade e a literalidade do Gênesis, creem em todas as outras doutrinas fundamentais do cristianismo, porém, no que diz respeito a doutrinas escatológicas, negam o arrebatamento pré-tribulacionista e a literalidade do milênio (mil anos de governo do Senhor Jesus aqui na terra, onde haverá paz e justiça). Esses se declaram amilenistas.
  Até quando esses irmãos vão continuar negando doutrinas essenciais das escrituras? Até quando esses irmãos vão continuar acreditando em meras doutrinas e tradições humanas? Até quando vão ficar trocando a verdadeira interpretação literal pelas interpretações tendenciosos? 
  Devemos crer em toda a escritura do Gênesis ao Apocalipse. A bíblia é a Palavra que Deus revelou a nós. Ela é a nossa bússola, a nossa guia, pois Jesus é a própria Palavra de Deus que se fez carne e tabernaculou entre nós.
  Moral da história: se você nega ou desacredita em qualquer passagem bíblica, é o próprio Jesus que você está negando.

Ricardo dos Santos 


Breve biografia de Aníbal Pereira dos Reis: O ex-padre que se converteu

 Texto retirado do blog Memória dos Batistas 


  Aníbal Pereira dos Reis foi um ex-padre católico, com formação teológica na PUC-SP, vindo se tornar um teólogo e pastor batista na década de 60. Reconhecido por sua forte personalidade, ele aderiu a teologia não-sacramentalista dos batistas, se tornando um das principais vozes batistas no assunto.

  A grande maioria de suas obras e escritos teológicos eram críticas a teologia e aos dogmas católicos. Escreveu aproximadamente 40 livros, nos quais criticava principalmente o ecumenismo e o catolicismo. entre eles: "Anchieta Santo ou Carrasco"; "O Ecumenismo e os Batistas"; "O Santo que Anchieta Matou"; "Um Padre Liberto da Escravidão do Papa"; entre outros.

  Nasceu em São Joaquim da Barra (SP) no dia 9 de março de 1924. Entre os batistas conservadores sempre foi tido como referência por sua defesa aos pontos bíblicos defendidos pela denominação, mas sempre foi perseguido e chamado de herege e apóstota por teólogos católicos, além de ser chamado de radical para evangélicos mais ecumênicos.

  Em 1961, já morando em Orlândia, começou a questionar as doutrinas católicas e afastou-se do catolicismo romano. Fugiu da cidade de baixo de extremas represálias e em 30 de maio de 1965 fez sua profissão de fé em uma Igreja Batista onde foi batizado. Na década de 1970, foi ordenado pastor batista e saiu como pregador itinerante.

  Ele faleceu em 30 de maio de 1991.

  Há um artigo completo publicado no blog do Memória dos Batistas com relatos autobiográficos e notas biográficas sobre ele. Também há um link para leitura do livreto: "A Ceia do Senhor, livre ou restrita?"

Link: https://www.igrejabatista.net/blog/100-anos-de-anibal-pereira-dos-reis-o-padre-catolico-que-virou-pastor-batista






sábado, 24 de agosto de 2024

Bíblia na Linguagem de Hoje: obra prima do inferno

 

Autor: Dr. Jonas Elias de Oliveira 
Texto extraído do site solascriptura-tt.org

 Amados irmãos e estimados leitores de "O Presbiteriano Bíblico". Haverá entre nós alguém que ouse duvidar que estamos vivendo os "tempos difíceis" de que nos advertiu o apóstolo Paulo em 2Timoteo 3:1? O doutor dos gentios, inspirado pelo Espírito Santo, previu que muitos dos líderes dos nossos dias apostatariam de sua fé: "Porque haverá tempo em que não suportarão a sã doutrina; mas, tendo comichão nos ouvidos, amontoarão para si doutores conforme as suas próprias concupiscências; e desviarão os ouvidos da verdade, voltando às fábulas" (2Tm.4:3-4).

 Essa apostasia da fé pode ser constatada na miscelânea das teologias contemporâneas, como a denominada "Teologia da Libertação", que prega a transformação da sociedade através da luta armada, revoluções sangrentas, lutas de classes, tudo no melhor estilo nicaraguense; na alta crítica que graça nos seminários de orientação modernista, por meio de literaturas tendenciosas que minam a fé dos estudantes, combatem a inspiração verbal das Escrituras, atacam a autenticidade e veracidade de fatos bíblicos, tomando-os por mitos; nos movimentos de caráter ecumênico, ligados ao Concílio Mundial de Igrejas, etc., etc.

  Mas, irmãos queridos, o que nos move escrever neste momento é algo muito mais grave do que foi dito supra. Trata-se da apostasia de uma entidade cujo ânimo inicial, há 40 anos atrás, não era outro senão "dar a Bíblia à Pátria". Estamos falando da Sociedade Bíblica do Brasil que, a despeito de reiterados protestos de ministros fiéis a Cristo, fez imprimir uma Bíblia totalmente adulterada, perversa, de inspiração satânica, e a tem divulgada como verdadeira Palavra de Deus, iludindo, assim, milhares de irmãos nossos. E, para nosso maior espanto, não são poucos os pastores que têm sido arrastados pelo "canto da sereia". Alguns por falta de esclarecimento maior, outros por má-fé e falta de fidelidade a Deus.

 Durante séculos satanás tentou destruir a Bíblia. Centenas de fogueiras não foram suficientes para exterminá-la. Nesses últimos tempos, porém, satanás conseguiu entrar na Bíblia e procura destruí-la de dentro para fora, utilizando, ironicamente, aqueles que teriam a incumbência de defendê-la e divulgá-la.

  A coisa é bem mais séria do que se pensa! E não se acenem contra este pastor incorrigivelmente inconformado, a "satisfação" da polêmica pela polêmica, porque de nossa tomada de consciência e posição dependerá o futuro das Escrituras fiéis para os nossos filhos e gerações que nos sucederão.

 É óbvio que estamos falando da "BÍBLIA NA LINGUAGEM DE HOJE", também conhecida como "GOOD NEWS FOR MODERN MAN", "THE SWINGER'S BIBLE", "THE HIPPIES' BIBLE" etc. A impressão dessa versão é o maior escândalo que já se verificou no meio do protestantismo brasileiro. A BLH representa o mais sério desvio da fé que se tem notícia entre os evangélicos. Expressa a perversão da Palavra de Deus, porque anula a doutrina da divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo, nega o evento miraculoso do Seu nascimento de uma virgem, enxerta interpretações duvidosas, suprime vocábulos teológicos como "redenção", "reconciliação", "arrependimento", destrói a obra profética do Velho Testamento etc., etc. Um crente sincero que ama ao Senhor Jesus Cristo não pode permanecer calado diante da apostasia dos "gênios" da SBB.

A BLH E A PERVERSÃO DE TEXTOS BÍBLICOS

  Um crente fiel ao seu Senhor, ao ler as Escrituras, deve ter a absoluta certeza de que está lendo a Palavra de Deus. Deve estar absolutamente certo de que a "profecia nunca foi produzida por vontade de homem algum, mas os homens santos de Deus falaram inspirados pelo Espírito Santo" (2Pd.1:20). É por esse motivo que as Escrituras devem ser traduzidas o mais literalmente possível. Não foi isso o que ocorreu com a BLH. Não se trata de uma tradução, mas sim de uma malfadada tentativa de interpretação do texto sacro. Não deve ser lida ou ensinada em nossas Igrejas como a Palavra de Deus. Os textos distorcidos, os cortes intencionais, seus acréscimos, etc., tudo isso faz da BLH uma versão inspirada pelo inferno. Vejamos alguns exemplos:

  Em Atos 8:20, lemos: "O teu dinheiro seja contigo para a perdição". Matos Soares trouxe: "pereça contigo o teu dinheiro". A BLH-73 traduziu o texto como: "VÁ PARA O INFERNO COM O TEU DINHEIRO". A edição 88 fez "progressos": "QUE DEUS MANDE VOCÊ E O SEU DINHEIRO PARA O INFERNO". Ali, o apóstolo Pedro manda o recém-batizado para o inferno. Aqui inclui o apóstolo a Pessoa de Deus no seu xingamento. Observem, queridos irmãos, que neste texto inexiste a palavra "inferno". O termo "apoliom" (= destruição) foi violentado pelos "gênios" da SBB.

 Em Gálatas 3:1, João Ferreira de Almeida traduziu: "Ó Insensatos gálatas! Quem vos fascinou...". A BLH-73, por seu turno, trouxe: "Ó GÁLATAS BOBOS! QUEM FOI QUE ENFEITIÇOU VOCÊS" A edição 88 procurou atenuar: "Ó GÁLATAS TOLOS..." Isso é um absurdo! Será que Paulo acreditava em feitiços? É bem possível que os "gênios" da SBB, nas próximas edições, traduzam as palavras "avontos" e "báskavos" por "idiotas" e "macumbados". E não estamos longe disso! Em Mateus 2:1, a BLH traduziu "magos" por "HOMENS QUE ESTUDAVAM AS ESTRELAS". Seriam eles "astrólogos", "feiticeiros", "bruxos"? Isto não é tradução. É pura interpretação. Além do mais, no mesmo capítulo, versos 7 e 12 a palavra "magos" é traduzida pelos "gênios" como "VISITANTES DO ORIENTE". Que raios de critério adotaram os "sábios" da SBB?

  Os erros grotescos da BLH representam a regra. Os acertos, a exceção. Os exemplos se multiplicam: "Em Lucas 2:5, lemos: "A fim de alistar-se com Maria, sua mulher, que estava grávida". A BLH traduziu: "FOI REGISTRAR-SE COM MARIA, COM QUEM TINHA CASAMENTO MARCADO. ELA ESTAVA GRÁVIDA". A edição de 73 tornou-se alvo de chacotas: "FOI-SE (com cacófato e tudo mais) REGISTRAR COM MARIA, SUA NOIVA. ELA ESTAVA GRÁVIDA". Mais: "ELE NÃO QUERIA DIFAMAR MARIA PUBLICAMENTE" (BLH-73). Note-se: "...difamar publicamente". Talvez José quisesse fazê-lo secretamente..

  Em Gálatas 1:8, lemos: "Mas, ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos anuncie um outro evangelho além do que já vos tenho anunciado, seja anátema". A BLH-73, traduziu: "MAS SE QUALQUER UM - AINDA QUE SEJA NÓS OU UM ANJO DO CÉU - ANUNCIAR A VOCÊS OUTRAS BOAS NOTÍCIAS, DIFERENTES DAQUELAS QUE TEMOS ANUNCIADO, QUE SEJA AMALDIÇOADO". Naquela ocasião, perguntávamos: "que há de errado com a palavra evangelho? "Não é a palavra "evangelho" conhecida de todos os de língua portuguesa? Mas, os "gênios" substituíram-na por "boas notícias". Note-se o ridículo desta tradução: qualquer cristão que aceitar outras boas notícias, depois das primeiras boas notícias anunciadas pelo apóstolo, será alvo da maldição divina! Que espécie de "boas notícias" são essas que levam à maldição? Os "gênios", além de tudo, não fizeram cerimônia em furar o outro olho de Camões: "AINDA QUE SEJA NÓS..." A edição 88 recuou para "outro Evangelho".

  Em Atos 17:30, Paulo está afirmando que, convertendo-se alguém ao evangelho, Deus esquece completamente os seus pecados anteriormente cometidos. Cristo levou sobre si os pecados anteriormente cometidos, isto é, cometidos antes da conversão: "Mas Deus, não tendo em conta os tempos da ignorância, anuncia agora a todos os homens, e em todo o lugar, que se arrependam". A BLH, todavia, traduziu: "NO PASSADO, DEUS NÃO SE IMPORTOU COM ESSA IGNORÂNCIA. MAS AGORA ELE MANDA QUE TODOS OS HOMENS, EM TODOS OS LUGARES, ABANDONEM OS SEUS PECADOS". Ora, isso não é verdade. Desde quando Deus não se importou com o pecado do homem no passado? Em que dispensação isso teria ocorrido? Em 2 Coríntios 5:19 Paulo afirma: "isto é, Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não lhes imputando os seus pecados, e pôs em nós a palavra da reconciliação". A BLH, contudo, traduziu o texto: "A NOSSA MENSAGEM É ESTA: DEUS NÃO LEVA EM CONTA OS PECADOS DOS SERES HUMANOS E POR MEIO DE CRISTO, ELE ESTA FAZENDO QUE ELES SEJAM SEUS AMIGOS". Ora, que é isso! "Deus não leva em conta os pecados dos seres humanos"? Esta tradução representa a negação dos trabalhos dos profetas, da obra de Cristo, da pregação dos discípulos - representa - enfim, a negação de toda a Escritura. Como podemos ensinar que a BLH é a Palavra de Deus?

  Os exemplos são tão abundantes que temos dificuldades em relacioná-los. Em I João 5:1 temos : "Todo aquele que crê que Jesus é o Cristo, é nascido de Deus; e todo aquele que ama ao que o gerou também ama ao que dele é nascido". Veja-se o absurdo da tradução da BLH: "TODO AQUELE QUE CRÊ QUE JESUS É O CRISTO É FILHO DE DEUS. E QUEM AMA UM PAI AMA TAMBÉM OS FILHOS DESSE PAI". Ora, o contexto demonstra que quem ama o Pai (= Deus), ama também o Filho (=Jesus). Isto está teologicamente correto porque "Eu e o Pai somos um", disse Jesus. Ninguém pode amar sinceramente a Deus e aborrecer Jesus Cristo. Mas a BLH perverteu o sentido do texto: "QUEM AMA UM PAI AMA TAMBÉM OS FILHOS DESSE PAI". O texto faz referência ao Filho Unigênito de Deus (= Cristo), e não à humanidade. Podemos amar alguém e não nutrir por seus filhos o mesmo sentimento.


A BLH E A SUPRESSÃO DA PALAVRA SANGUE

  Todos conhecemos o significado real do sangue nas Escrituras. De Gênesis ao Apocalipse uma linha de sangue foi traçada para a libertação do homem do jugo do pecado. O sangue dos animais sacrificados na velha dispensação prefiguravam o do Cordeiro de Deus que "tira o pecado do mundo". É pelo sangue de Cristo que o pecador tem acesso a Deus: "...E SEM DERRAMAMENTO DE SANGUE NÃO HÁ REMISSÃO" (Hb.9:22). Pedro adianta: fala que fomos comprados "COM O PRECIOSO SANGUE DE CRISTO COMO DE UM CORDEIRO IMACULADO E INCONTAMINADO" (1Pd.1:19) A BLH, contudo, suprimiu a palavra "sangue", substituindo-a pela expressão "Morte de Cristo". Isso não é a mesma coisa. O sangue de Jesus tem valor vicárioexpiatóriosacrificial. Além do mais, isto não é tradução, é interpretaçãoNão há argumento que venha justificar essa heresia! Trata-se de tendência diabólica que tem como escopo a negação da obra redentora de Cristo. A BLH adulterou os seguintes textos: Mt.27:25; Jo.1:13; Ef.1:7; 2:13; Cl.1:20; Rm.3:25; 5:9; Hb.13:20; I Pd.1:19; e, em Ap.1:5, onde temos: "E em seu sangue NOS LAVOU DOS NOSSOS PECADOS", trouxe a BLH: "E PELA SUA MORTE NOS LIVROU DOS NOSSOS PECADOS". Mas, a BLH manteve a palavra "sangue" em João 6:54 e textos correlatos. Por quê? A resposta pode ser encontrada no seu compromisso com o ecumenismo. Aqui a SBB pretendeu carrear os papadores de hóstias para o seu aprisco comercial! Aliás, a tendência de agradar os romanistas pode ser captada em Mt.16:18! a BLH-73 traduziu desta forma: "PORTANTO EU AFIRMO: PEDRO, VOCÊ É UMA PEDRA, E SOBRE ESTA PEDRA FUNDAMENTAL CONSTRUIREI A MINHA IGREJA". Esta tradução faz de Pedro o 1° papa! Que escândalo! Que vergonha! A versão 88, contudo, recuou. O Velho Testamento não ficou despercebido dos "gênios". A palavra sangue foi suprimida nas seguintes passagens: Sl.3:9; Jó 16:18; Is.1:15; 59:7, apenas para dar um exemplo. Agora, notem, queridos irmãos, a esquisitice desta tradução: em Sl.51:14, o salmista revela seu arrependimento por ter pecado contra Deus. Esse fato deu-se por ocasião da visita do profeta Natã que acusou o rei Davi de ter ordenado a morte de Urias, logo após ter tomado a sua mulher para si: "LIVRA-ME DOS CRIMES DE SANGUE, Ó DEUS". A BLH traduziu: "Ó DEUS, MEU SALVADOR, LIVRA-ME DA MORTE". Que espécie de tradução é essa? Por aí se vê quão longe está a BLH de ser chamada a Palavra de Deus.


A BLH E A NEGAÇÃO DA DIVINDADE DE CRISTO

  A tendência de se humanizar a Pessoa de Jesus em detrimento de Sua divindade está patente em cada página da BLH. Eis alguns exemplos: em Lc.2:33, temos: "E José, e sua mãe se maravilharam das coisas que dele se diziam". A BLH traduziu: "O PAI E A MÃE DO MENINO FICARAM ADMIRADOS..." Ora, se o texto diz "JOSÉ E A MÃE DO MENINO" por que traduzir por "PAI"? Não veio Cristo da semente da mulher? Ou era José realmente seu pai? Nasceu Ele realmente de uma virgem, ou de uma "JOVEM GRÁVIDA" como traduziu a BLH?

A BLH E A INCREDULIDADE DE SEU TRADUTOR

  Ao contrário do que muita gente pensa e do que pretende insinuar a SBB, a BLH é fruto de um único homem: Rev. Roberto Bratcher, ministro batista. Em 1953, mais precisamente em julho, ele declarou no "Jornal Batista", p.69: "JESUS CRISTO NÃO PODERIA SER ONISCIENTE. ISTO É UM ATRIBUTO DE DEUS... JESUS NÃO DISSE QUE ELE E O PAI SÃO UM PORQUE ISSO SERIA UM ABSURDO". Eis, queridos irmãos e leitores deste jornal, a prova dos sinais dos tempos! Bratcher não crê na divindade de Cristo, não crê na inspiração verbal das Escrituras, e, conseqüentemente, não crê na sua inerrância. Todavia, o "big boss" da SBB tem a ousadia de afirmar que sua tradução "É ABSOLUTAMENTE FIEL AOS LIVROS DO NOVO TESTAMENTO GREGO". E mais: afirma que quem critica é ignorante. É inconcebível que a SBB entregue à responsabilidade de um só homem, e com tal incredulidade, a responsabilidade de traduzir o texto sagrado. Alguém poderia perguntar: E a equipe dos tradutores da SBB? Este ignorantão não tem qualquer dúvida de que os demais membros da "equipe" não vão além de figurinhas decorativas de presépios, cuja finalidade se esgota em balançar as cabecinhas para cima e para baixo, aprovando tudo o que diz o mestre Bratcher...

A BLH E A DESTRUIÇÃO DA OBRA PROFÉTICA

  Causa tristeza a leviandade com que os "sábios e entendidos" da SBB tratam a Palavra de Deus. Todos reconhecemos que a obra profética do Velho Testamento representa o alicerce do Novo Testamento. Sem as profecias e sem o seu conseqüente cumprimento na Pessoa bendita do Salvador, as Escrituras não teriam sentido. O "assim diz o Senhor" dos antigos vates transformou-se no "como fora dito pelos profetas". A BLH, contudo, com sua tradução adulterada, irreverente e pecaminosa, tende a destruir a obra profética do Velho Testamento. Eis alguns exemplos: Em Isaías 7:14, temos: "PORTANTO O MESMO SENHOR VOS DARÁ UM SINAL: EIS QUE UMA VIRGEM CONCEBERÁ, E DARÁ À LUZ UM FILHO, E SERÁ O SEU NOME EMANUEL". Que "sinal" seria esse de que nos fala o profeta? O profeta fala do milagre, do sobrenatural: uma virgem concebendo. Esta profecia vem ratificada em Mateus 1:22-23: "Tudo isso aconteceu para que se cumprisse o que foi dito da parte do Senhor, pelo profeta que diz: eis que A VIRGEM CONCEBERÁ E DARÁ À LUZ UM FILHO, e chamá-lo-ão pelo nome de Emanuel, que traduzido é: DEUS CONOSCO". A BLH, contudo, traduziu o texto desta forma: "POIS O MESMO SENHOR LHES DARÁ UM SINAL: A JOVEM QUE ESTÁ GRÁVIDA DARÁ LUZ A UM FILHO E PORÁ NELE O NOME DE EMANUEL". Ora, aí está a prova da incredulidade dos tradutores da BLH! Que "sinal", que "milagre" há em uma "JOVEM GRÁVIDA"? Isso anula a obra profética. Onde encontrou o Dr. Bratcher inspiração para traduzir "virgem" por "jovem"? Onde, senão no príncipe das trevas? Onde a propalada "absoluta fidelidade nos livros..."? Falaremos mais sobre isto, posteriormente

  Eis mais alguns exemplos: Em Gn.49:10, a palavra "SILÓ", que profeticamente significa Cristo, foi omitida na BLH. No Sl.2:12, a expressão "Beijai o filho para que não se ire" foi ignorada. Em Is.14:12, a profecia que fala da queda de Satanás foi transmutada para um reino humano: "REI DA BABILÔNIA, BRILHANTE ESTRELA DA MANHÃ, VOCÊ CAIU DO CÉU! VOCÊ QUE DOMINAVA AS NAÇÕES, FOI DERRUBADO NO CHÃO". Estes são apenas pequeníssimas amostras da obra destruidora da BLH.

BLH: SOB MEDIDA PARA AGRADAR "GREGOS E TROIANOS"

  É uma Bíblia "eclética". Ao que parece veio para satisfazer todos os credos e gostos. 1) O romanismo foi homenageado com a consagração de Pedro ao papalismo. E tanto agradou que a edição de 73 veio com o "imprimatur" de Dom Mário Teixeira Gurgel, responsável pelo Setor de Diálogo Religioso da CNBB: "APROVAMOS O USO DA MESMA POR TODOS OS CATÓLICOS DE LÍNGUA PORTUGUESA". 2) Os RUSSELITAS ( = testemunhas do diabo) regozijaram-se com a criação do Cristo num determinado tempo. 3) Os pentecostais, (= que hoje representam rico filão comercial) exultaram com a "capacidade de falar em línguas estranhas"; tudo na BLH representa uma grande festa. Noite de gala! Satanás é o próprio anfitrião!

A BLH E AS SUPRESSÕES DE TERMOS FUNDAMENTAIS

  A revista "A BÍBLIA NO BRASIL" (=Janeiro /Março 89) deu especial destaque à "Bíblia na Linguagem de Hoje", trazendo a palavra dos tradutores. Ali encontramos alguns depoimentos: "É a primeira vez que estou lendo a Bíblia e entendendo"; uma desconhecida afirmou: "é dessa Bíblia que ela precisa e pediu que lhe consigamos uma"; "...do púlpito da sua igreja, o meu primeiro pastor... recomendou a Bíblia na Linguagem de Hoje e afirmou que a considera uma das melhores traduções da Bíblia para o português". Os tradutores todos advogam uma nova "técnica" denominada "equivalência dinâmica" que, sob sua ótica, pode traduzir com fidelidade o sentido e não mais as palavras. Um deles afirmou: "Esta tradução não é uma paráfrase ou explicação, pois transmite o sentido exato do original e nada mais". Um ou outro arremata: "É ver (ler) para crer". Vamos conferir:

A primeira edição da BLH traduziu Mt.16:18: "Portanto eu afirmo: Pedro, você é uma pedra, e sobre esta pedra fundamental construirei a minha Igreja". Onde está, senhores tradutores, a propalada fidelidade ao original? Se tal tradução era correta e fiel, por que a modificação radical na versão atual? Milhares de exemplos como este poderiam ser retratados aqui. Um outro tradutor acrescenta: "Uma ajuda imprescindível foi dada pelos nossos revisores gramaticais. Graças a eles podemos ter a certeza de que a linguagem usada na tradução é correta". Vamos ver para crer: "Ainda que seja nós ou um anjo do céu..." (Gl.1:8 – 1ª Ed.). E o cochilo ficou por conta de quem? Dos revisores gramaticais? Centenas de exemplos nesta direção poderiam ser citados num trabalho mais amplo.

  Os gênios continuam advogando em causa própria: "fidelidade ao texto original não significa traduzir palavra por palavra, mas traduzir o sentido da mensagem SEM ACRESCENTAR NEM TIRAR NADA". Mais uma vez vamos conferir: João Ferreira de Almeida traduziu Atos 13:33 como: "Como está escrito no Salmo segundo: Meu Filho és Tu, hoje Te gerei". Comparemos agora com a tradução dos gênios: "Agora Deus fez para nós o que havia prometido aos nossos antepassados: ele ressuscitou Jesus. É assim que está escrito no salmo dois: "Tu és meu filho, hoje eu me tornei teu Pai". Isso porque nada foi acrescentado!!!

  Ora, a tradução, para ser fiel, deve ser a mais literal possível. Reconhecemos que não são poucas as dificuldades lingüísticas na tradução do texto sagrado, mas o que foi feito pela SBB é algo imperdoável.O texto foi mutiladoacrescidoparafraseadointerpretadomais parecendo uma colcha de retalhos que a Bíblia Sagrada. Alguns termos de incalculável valor teológico foram suprimidos sem qualquer justificativa convincente. Palavras como "redenção","reconciliação","propiciação"simplesmente desapareceram na BLH. Eis uma amostra:

A palavra "redenção" simplesmente desapareceu. "Reconciliação" que aparece cerca de 11 vezes no Texto Sacro foi transmudada em "fazer as pazes" ou "tornar-se amigos". A palavra "propiciação" que aparece em textos como Rm.3:25; 1Jo.2:2; 4:10 foi eliminada. A expressão de todos conhecida: "Santos" foi trocada por "povo de Deus", ou "COMPANHEIROS CRISTÃOS". Seriam eles filiados ao PT? É bem possível que logo tenhamos "camaradas cristãos"! "Povo santo" virou "raça escolhida", "ósculo santo" passou a ser "beijo de irmão", "prostituição" foi substituída por "imoralidade", "pecadores" por "gente de má fama" (como se os de boa fama não fossem pecadores!), "Novo Testamento" em "novo acordo", "Evangelho" em "boas notícias", "serpente" virou "cobra", "cheio de fé" em "pessoa muito abençoada por Deus", "mar" virou ´lago", os "publicanos" em "cobradores de impostos", etc., etc. Nada escapou ao crivo dos intelectuais da SBB. Nada escapou da pancadaria.

A BLH: UMA TRADUÇÃO SOB A MALDIÇÃO DE DEUS

  Muito ainda se poderia comentar sobre a BLH. O que se viu aqui é apenas pequena amostra do desvio teológico dos sábios e entendidos da SBB. Logo teremos a BLH com todos os livros apócrifos, conforme algumas versões latinas. Por tais razões apelamos para uma tomada de consciência de todo o crente que procura ser fiel a Deus. É hora de protestarmos. Não é momento de nos curvarmos diante de tão grande infidelidade ao nosso Senhor. Não foi sem razão que alguns líderes fundamentalistas resolveram fundar a SOCIEDADE BÍBLICA TRINITARIANA DO BRASIL, para dar à Pátria uma Bíblia isenta de desvios teológicos, absolutamente fiel aos originais e mais que isso: traduzida por servos de Deus que não descreem da sua inerrância, da sua infalibilidade e de sua inspiração verbal e plenária.

  Querido irmão, se você realmente ama a Deus, se você é sincero a Ele, nunca utilize a BLH em sua igreja. Esta tradução não pode ser chamada de A Palavra de Deus. Não contribua para uma sociedade cuja orientação teológica está sob a maldição divina. Aos "gênios" da SBB, um lembrete:

"NÃO ACRESCENTEIS À PALAVRA QUE VOS MANDO, NEM DIMINUIREIS DELA, PARA QUE GUARDEIS OS MANDAMENTOS DO SENHOR VOSSO DEUS, QUE EU VOS MANDO" (Dt.4:2).

Mais:

"PORQUE EU TESTIFICO A TODO AQUELE QUE OUVIR AS PALAVRAS DA PROFECIA DESTE LIVRO QUE, SE ALGUÉM LHES ACRESCENTAR ALGUMA COISA, DEUS FARÁ VIR SOBRE AS PRAGAS QUE ESTÃO ESCRITAS NESTE LIVRO; E, SE ALGUÉM TIRAR QUAISQUER PALAVRAS DO LIVRO DESTA PROFECIA, DEUS TIRARÁ A SUA PARTE DA ÁRVORE DA VIDA, E DA CIDADE SANTA, QUE ESTÃO ESCRITAS NESTE LIVRO" (Ap.22:18-19).

Dr. Jonas Elias de Oliveira,
Pastor da Igreja Bíblica Congregacional de Itaquera, São Paulo, SP
Vice-Presidente da CIEF do Brasil
(Confederação de Igrejas Evangélicas Fundamentalistas do Brasil)



(Publicado em "O Presbiteriano Bíblico", Órgão Informativo para Evangélicos,
publicado pela Missão Bíblica Presbiteriana no Brasil,
filiada à Confederação de Igrejas Evangélicas Fundamentalistas do Brasil,
Nº1, Ano XXVII, Maio de 1989)




(retorne a http://solascriptura-tt.org/BibliologiaTraducoes/
retorne a http://solascriptura-tt.org/)


Somente use Bíblias traduzidas do Texto Tradicional (aquele perfeitamente preservado por Deus em ininterrupto uso por fieis): BKJ-1611 ou LTT (Bíblia Literal do Texto Tradicional, com notas para estudo) na bvloja.com.br. Ou ACF, da SBTB.