sexta-feira, 14 de fevereiro de 2025

Igreja de Éfeso e igreja de hoje

 Autor: Rev. Manoel da Silveira Porto Filho 



  Na Igreja de Éfeso havia um perigo sutil: era a influência  intelectual da cidade,  de onde tantas heresias mais tarde, mesmo naquela época, se geraram. O sincretismo, isto é, a mistura em matéria de religião e doutrina, com larga popularidade de artes mágicas e cultos demoníacos; a filosofia humana se dava as mãos com a Bíblia, a piedade misturava-se com o popularesco da sentimentalidade religiosa da cidade de Diana e dos cultos orientais.

  Quem disse que esses perigos já passaram? Porventura Corinto não nos parece uma igreja de nossos dias? É só reexaminar a série de problemas a que Paulo procurou dar resposta nas cartas que escreveu;  a primeira fala dos crentes, a segunda fala do pastor. É só também ler Gálatas e ver como, muitas vezes, fazer ou deixar de fazer coisas, mesmo atentando-se para a palavra escrita na Bíblia, nos impede de viver na liberdade com que o Espírito nos alimenta muito mais no significado espiritual  e mais profundo do que na exata forma da escrita.

  As influências culturais, principalmente do intelectualismo e dos cultos e doutrinas étnicas de Éfeso e da Ásia Menor, quem não as revê agora: a fascinação dos cultos e doutrinas orientais, a popularidade até mesmo utilizada para interesses turísticos da macumba e dos ritos africanos, com seus terreiros e ritmos musicais e dançantes que invadem a música popular e influenciam até mesmo o canto em algumas igrejas e grupos evangélicos? A liturgia em reuniões oficiais ou abertas sob o rótulo de participação livre das congregações, vai pouco a pouco abrindo-se em muitos setores para os mesmos processos do canto de roda, das movimentações corporais, bater de palmas martelando o ritmo, instrumentos de percussão e de estridor metálico. 

  Certamente é necessário haver participação congregacional no culto. Na verdade, a rigidez formalista de muitos programas culturais deve sofrer uma transformação. Mas até onde o culto se organiza como um programa de auditório aberto para atividades de fuga e desabafo dos participantes e até onde, mesmo em seus aspectos de devoção, é o espírito do homem que se agita satisfazendo-se a si mesmo em sua agitação ou é o Espírito  de Deus conduzindo e disciplinando o espírito dos homens? Há sempre que distinguir, há sempre que examinar.

  Como devem portar os crentes e as Igrejas, distinguindo a naturalidade do atual daquele espírito novissaleiro que Paulo apontou para os últimos tempos? Como devem portar os ministros na direção e orientação das igrejas? Utilizando que métodos? Servindo-se de que recursos? A resposta está naquelas cartas aos Coríntios, aos Efésios e aos Gálatas, assim como nas epístolas pastorais. 

Transcrito da:

Revista da ESCOLA DOMINICAL – 4º Trimestre 

de 1976 – Ano XXVII – Nº 4.

Autor:  Rev.  MANOEL DA SILVEIRA PORTO FILHO, Pastor Congregacional

Nenhum comentário:

Postar um comentário