Autor: Ricardo dos Santos
Não é novidade nenhuma para nós cristãos que durante esses 6000 anos de história da humanidade, ou seja, desde Adão e Eva, Deus sempre preservou um povo para si para que viesse a ser resistência nesse mundo que é hostil a Sua Palavra e que jaz no maligno. Desde que entrou o pecado no mundo temos essa separação entre os que amam a Deus e Sua Santa Palavra e os que amam o mundo e vivem na iniquidade. Vemos isso claramente entre Caim e Abel, vemos na história de Noé, na história de Abraão, na história do povo de Israel e, de igual forma, no atual tempo da igreja. No período dos sete anos da Grande Tribulação, após o arrebatamento da igreja, também não será diferente, pois Deus novamente irá levantar um povo que será resistência contra o governo da iniquidade.
Em II Tessalonicenses 2:7 está escrito: "E agora vós sabeis o que o detém, para que a seu próprio tempo seja manifestado. Porque já o mistério da injustiça opera; somente há um que agora o retém até que do meio seja tirado; e então será revelado o iníquo, a quem o Senhor desfará pelo Espírito da sua boca, e aniquilará pelo esplendor da sua vinda." Vemos claramente nesses versículos que o que impede a manifestação do homem da iniquidade é a presença da igreja na terra.
No mundo atual, o regime comunista tem sido um dos regimes mais cruéis e satânicos. Os países que adotam tal ideologia têm como consequência a miséria, o governo ditatorial, falta de liberdade de expressão, perseguição religiosa, ódio à fé cristã e à Palavra de Deus... O comunismo, ao lado do islamismo, tem perseguido fortemente a fé cristã.
Na Antiga URSS, a hostilidade contra a religião vinha desde os dias dos bolchevistas. Os bolchevistas eram os membros da facção majoritária do Partido Social-Democrata Russo, liderados por Vladimir Lênin, que defendiam uma revolução violenta para tomar o poder e implementar o comunismo na Rússia. O termo "bolchevique" significa "maioria" e originou-se após uma divisão no partido em 1903. Eles são historicamente conhecidos por liderar a Revolução Russa de 1917 e, posteriormente estabelecerem o governo comunista na Rússia, que mais tarde se tornou a União Soviética.
Esta linha normativa, militantemente ateísta, tinha afetado todas as igrejas da União. Nos primeiros anos de revolução, isto é, em 1917 e nos anos que se seguiram, foi a Igreja Ortodoxa, a seita oficial, que sofreu o impacto da agressão materialista, enquanto os batistas e crentes de outras denominações gozavam de relativa liberdade - e da qual se aproveitaram amplamente. Mas não demorou muito, e Stalin começou a segurar as rédeas do poder cada vez com maior firmeza, e afinal todas as igrejas passaram a sentir o sopro frio dos ventos contrários.
Durante a época de terror da década de 30, milhares de cristãos e outras pessoas sofreram ou foram mortos em consequência dos "expurgos" de Stalin. A Segunda Grande Guerra, porém, veio operar uma mudança brusca nesta situação. O país passou a sofrer perdas cada vez mais pesadas, e o governo sentiu-se carente do apoio popular. Apelava-se ao patriotismo russo, e as igrejas se tornaram meios de contato direto com o povo para encorajamento da causa pátria. Em entrevistas particulares havidas entre Stalin e os líderes religiosos, algumas concessões foram feitas de ambas as partes e disto resultou um relaxamento da tensão, que, por sua vez, ocasionou um avivamento espiritual, que provavelmente surpreendeu as autoridades.
Contudo, esta nova atitude não durou muito. Passada a crise mais urgente, ressurgiram os antigos métodos de repressão da fé. Então veio a era de Kruschev. Apesar de sua imagem pública ser de "liberalizante", na realidade, ele desencadeou uma terrível campanha anti-religiosa, que, iniciada em 1959, continuou até a sua queda do poder em 1964. É do conhecimento geral que metade das igrejas ortodoxas do país foram fechadas. Desta vez, também os batistas sofreram com esta nova onda de perseguição.
Um dos aspectos desta nova fase foi o estabelecimento de algumas regulamentações que, embora apresentadas ao povo pela liderança batista, eram reconhecidamente resultado de pressões estatais. Esta infeliz situação provocou uma reação violenta por parte de alguns crentes batistas de todo o país. Um grupo representativo foi organizado com a finalidade de promover um congresso para se acertarem as coisas, mas isto não vingou, e, em 1965, a fissão que se prenunciava entre as fileiras batistas se efetivou.
Este grupo reformador que se separou em 1965 tinham condições dadas como tecnicamente ilegais. Era chamado de Concílio das Igrejas Cristãs Evangélicas Batistas. Seus líderes eram por uma lealdade ilimitada a Cristo, por uma contínua renovação espiritual e pela intensificação do esforço evangelístico. Também clamava por justiça para com os crentes de seu país, apelando à Constituição soviética e aos decretos de Lenine. Portanto, poderiam ser enquadrados dentro do contexto do movimento soviético pelos direitos humanos, para o qual, aliás, já contribuíram grandemente. Na verdade, pode-se dizer que eles abriram caminho para boa parte do que se seguiu: as atividades pró-direitos humanos na URSS, as quais ocupavam as manchetes mundiais. Os batistas foram os primeiros a, de modo altamente organizado, firmarem documentos não oficiais, e listas, e a imprimirem jornais relatando tudo sobre sua vida e problemas. Eles se constituíram no primeiro grupo denominacional a confeccionar listas com os nomes de membros seus que se encontravam aprisionados, listas estas que continham informações incrivelmente detalhadas, incluindo endereços de centenas de campos de trabalho forçado.
Nesse contexto, temos a história heróica de um jovem soldado batista da Antiga URSS, o qual sofreu morte brutal no dia 16 de julho de 1972. Seu nome era Ivan Moiseyev.
Ivan: O Soldado Cristão que Enfrentou o Terror Policial Soviético
Ivan Vasilievich era filho de Vasiliy Trofimovich e Joanna Constantinova. Tinha um irmão mais novo chamado Semyon além se outros irmãos. Era uma família cristã batista que temia ao Senhor. Porém, Semyon era o menino rebelde da família. Certo dia chegara em casa ostentando o lenço vermelho, emblema dos Jovens Pioneiros (uma agremiação do Partido Comunista que congregava crianças de 9 a 14 anos e lhes oferecia atividades tais como camping, esportes, música e cultura). Nem a desaprovação geral da família o convenceu a retirar o lenço. Mais tarde foi para a Komsomol (Liga Juvenil Comunista, que reúne jovens de 15 a 28, prossegue na mesma linha dos Jovens Pioneiros, mas com intensificação do doutrinamento; seus membros devem ser ateus. Ele é a porta de entrada para a filiação plena do Partido Comunista). Todas as "maravilhosas" vantagens do Komsomol haviam-no reduzido a uma obediência irrestrita ao partido.
Ao completar 18 anos, Ivan sentiu o chamado de Deus para se ingressar no Exército. Mesmo seu irmão Semyon o alertando de que a vida no Exército Vermelho não era brincadeira e que lá era proibido esse negócio de falar de Deus e orar, mesmo assim Ivan tinha confiança no Senhor e estava certo de que Deus não o abandonaria. Seu próprio pai o encorajava a fazer a vontade de Deus e toda a família orava por ele. Havia em Ivan uma segurança que não parecia normal em um jovem de 18 anos. Certa vez ele disse: "Deus me ordenou que fale dele onde quer que eu vá, e nunca me cale. Isto confirma o que os pastores dizem, quando ensinam que devemos sempre testemunhar do amor de Deus sem temer as consequências.
Pela manhã, cedo, Ivan orava todos os dias. Num dia de inverno, orava junto ao fogão da cozinha, próximo à cama dos irmãos menores que ali dormiam para aproveitar o calor. Gostava de orar naquele canto, ouvindo a respiração regular dos outros, que a variação de volume em sua voz não perturbava.
Assim que começou no quartel, Ivan sentiu extremamente necessário procurar um lugar para orar. O grande número de soldados, o barulho dos alojamentos, a impossibilidade de ficar a sós, começavam a incomodá-lo. Até que um dia ele conseguiu encontrar um lugar para fazer suas orações em um determinado gabinete.
Como começou a perseguição e qual foi o seu fim
Tudo começou quando certo dia o sargento Strelkov dirigiu o olhar para o ponto do bando em formação onde um lugar vago denotava a ausência de um soldado. Um movimento na periferia do campo de treinamento chamou sua atenção. O retardatário chegava numa corrida desesperada. Ficou a observá-lo impassivelmente. Era Moiseyev (Moiseyev era o último sobrenome de Ivan). Daí então se dirige para Moiseyev: "Explique a razão de seu atraso, Camarada Soldado Moiseyev." Ao que o soldado respondeu: "Sinto muito, sargento. Estava orando."
O sargento pertencia a uma terceira geração de ateus. Seu avô fora um dos primeiros bolchevistas; aspirante da marinha e tripulante do couraçado Aurora. Lutara nas ruas de Leningrado por ocasião da revolução. Seu pai fora oficial durante a grande guerra patriótica, e participara do cerco daquela cidade, vindo a falecer nos últimos dias dele, em consequência de ferimentos e da carência de alimentação. Seu cartão de filiação ao Partido Comunista fora encontrado em seu bolso. Presentemente, Strelkov trazia-o junto ao seu na carteira.
Foi a partir do momento em que Ivan disse que estava orando que o inferno se levantou ferozmente contra a vida desse jovem crente. Começaram, então, os interrogatórios, as perseguições e as piores torturas possíveis que um ser humano pode passar.
- Foi levado ao gabinete do Polit-ruk Capitão Boris Zalivako (Polit-ruk: sigla que designa Politicheskoye-Rukovodstavo - Comitê de diretiva política). Zalivako debateu com Ivan defendendo a tese do comunismo científico de que Deus não existe. Porém Ivan, como sempre formado na Palavra de Deus, defendeu a bíblia e o criacionismo.
O Polit-ruk deu a Ivan a tarefa de lavar o salão de conferências do alojamento e todos os seus corredores, de joelhos, com um balde e um esfregão. Isso durante toda a noite. O jovem parecia bem disposto, cantando e rindo enquanto trabalhava, apesar das inúmeras interrupções que sofria por parte dos oficiais que o chamavam a seus gabinetes para passar-lhe repreensões.
- Sendo enviado para Kertch, Ivan se alegrara achando que os interrogatórios cessariam. Continuou fiel ao Senhor, orando e admitindo abertamente que orava, que era batista e que assistia a cultos evangélicos quando tinha oportunidade. Porém, maus sabia Ivan que Zalivako enviara um relatório completo para o Polit-ruk de Kertch, certificando-o da existência de um crente no pelotão. Não demorou então para que começassem novas perseguições. O Polit-ruk de Kertch era o Capitão Yarmak. Ivan foi enviado para ficar preso numa cela onde ficaria sem direito à alimentação e sujeito a interrogatórios por parte dos oficiais. Eram feitos diversos questionamentos do tipo:
"Estava doente? Será que já resolvera mudar de atitude? Suas ideias eram imperialistas, remanescentes do czarismo e do capitalismo. Tais conceitos não seriam tolerados no Exército Vermelho. Não pensasse ele que estava sofrendo pela sua fé. Estava, isto sim, sendo castigado por tentar evadir às suas obrigações militares. Até quando iria fugir às suas responsabilidades para com seus camaradas e para com o Estado? Supondo-se que Deus existisse mesmo, será que ele criaria um espaço pequeno demais para si mesmo? Por que ele, Ivan, deixava de alimentar-se? Estava suscitando dúvidas quanto ao seu equilíbrio mental. Será que não compreendia que uma rejeição dos princípios marxistas implicava na rejeição do ideal soviética? Deus é um mito criado pelos homens para explicar fomes, doenças e outras condições para as quais eles não encontram explicação. Agora, não havia mais necessidade de Deus. Ele era um empecilho ao progresso do cidadão socialista livre. As pessoas que divulgavam tais ideias se declaravam inimigas do Estado."
Essa provação durou cinco dias.
- Chegou a vez do Major Gidenko. E mais uma vez Moiseyev testemunhou da Palavra de Deus e de seu amor. Dessa vez, a provação foi ainda mais cruel: ficar de pé na rua à noite, após o toque de silêncio, e isso numa temperatura de inverno a 25⁰C abaixo de zero. E outro detalhe: deveria de cumprir a tarefa usando uma farda de verão. Já imaginou que situação hein? Mesmo assim Moiseyev manteve-se firme no seu propósito de testemunhar da Palavra de Deus. Enfrentou mais esse terrível desafio. Mas, o Senhor era com Ivan, o qual mais uma vez deu livramento diante dessa provação.
- Esses são alguns exemplos do que Ivan passou no Exército Vermelho por não se encurvar aos princípios do ateísmo científico sobre os quais se baseavam o Estado Soviético e o poderio militar do exército. Muitos e muitos outros interrogatórios muitas e muitas outras provações e perseguições Ivan foi exposto. Tudo isso foi relatado no livro "Ivan: O Soldado Cristão que Enfrentou o Terror Policial Soviético".
Por fim, Ivan foi assassinado em julho de 1972.
Vale apena todo cristão ler esse livro que conta a história desse jovem herói batista que não se encurvou diante das pressões do terror do comunismo. A exemplo de Daniel, de Sadraque, de Mesaque e de Abede-Nego, seguiu firme em seus propósitos de servir ao Senhor mesmo diante de toda tempestade.
Esse texto nos trás a reflexão do que é ser cristão em um país dominado pelo comunismo. Infelizmente, aqui no mundo ocidental, inclusive aqui no Brasil, muitos crentes estão dormindo para a realidade do que é o comunismo. Muitos acham que esse tipo de perseguição acontece só lá na China, na Coréia do Norte e na Antiga URSS, mas aqui não aconteceria isso caso o Brasil virasse comunista. É lamentável como tem crente dormindo quanto a esses fatos.
Há um forte interesse por parte do sistema mundial cujo príncipe é o próprio Satanás, de que haja perseguições contra a fé cristã. Isso em pleno século 21, quando enchem a boca para falar de democracia, de liberdade de expressão, de pluralidade de ideias, de liberdade religiosa. Em nome dessa suposta democracia, querem impor uma verdadeira ditadura mundial, onde quem reinará vai ser o anti-cristo, o homem da iniquidade. Daí podemos entender o porquê da mídia tradicional se calar em relação à perseguição contra o cristianismo em países principalmente comunistas e muçulmanos. Eles precisam que o cristianismo fiel seja varrido do mapa. Eles precisam varrer do mapa a verdadeira fé original para que possam impor os propósitos do sistema maligno.
Enfim, vivemos tempos realmente sombrios, onde a tendência é só piorar. Que possamos seguir o exemplo de Ivan Moiseyev e desses heróis batistas que mantiveram sua fé firme e inabalável diante de todo aquele sistema comunista.
Esse é um tipo de texto que não deve ficar apenas aqui no meu blog. Passe adiante. Quem tiver o seu blog, copie e coloque no seu blog. Quem tiver canal no YouTube, faça vídeo a respeito desse texto. Compartilhe em todas as suas redes sociais (Facebook, Instagram, Whatsapp...). Leve esse assunto para a sua igreja, para seus amigos, para os seus familiares, para as escolas e faculdades. As pessoas precisam ser alertas sobre a verdadeira face do comunismo.
Ricardo dos Santos