Santidade

Devemos ser santos na terra, se quisermos ser santos no céu. Foi Deus que disse e Ele não voltará atrás: “A santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor” (Hebreus 12:14). Observou William Jenkyn: “O calendário do papa só declara santos às pessoas mortas, mas as Escrituras requerem a santidade da parte dos vivos”. John Owen afirmou: “Não se deixe iludir. O Senhor Jesus Cristo só conduz ao céu àqueles a quem Ele santifica na terra. O Cabeça vivo não admite membros mortos”. J.C. Ryle

quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

Batistas russos: A resistência ao regime comunista

 Autor: Ricardo dos Santos 


  Não é novidade nenhuma para nós cristãos que durante esses 6000 anos de história da humanidade, ou seja, desde Adão e Eva, Deus sempre preservou um povo para si para que viesse a ser resistência nesse mundo que é hostil a Sua Palavra e que jaz no maligno. Desde que entrou o pecado no mundo temos essa separação entre os que amam a Deus e Sua Santa Palavra e os que amam o mundo e vivem na iniquidade. Vemos isso claramente entre Caim e Abel, vemos na história de Noé, na história de Abraão, na história do povo de Israel e, de igual forma, no atual tempo da igreja. No período dos sete anos da Grande Tribulação, após o arrebatamento da igreja, também não será diferente, pois Deus novamente irá levantar um povo que será resistência contra o governo da iniquidade.
  Em II Tessalonicenses 2:7 está escrito: "E agora vós sabeis o que o detém, para que a seu próprio tempo seja manifestado. Porque já o mistério da injustiça opera; somente há um que agora o retém até que do meio seja tirado; e então será revelado o iníquo, a quem o Senhor desfará pelo Espírito da sua boca, e aniquilará pelo esplendor da sua vinda." Vemos claramente nesses versículos que o que impede a manifestação do homem da iniquidade é a presença da igreja na terra.
  No mundo atual, o regime comunista tem sido um dos regimes mais cruéis e satânicos. Os países que adotam tal ideologia têm como consequência a miséria, o governo ditatorial, falta de liberdade de expressão, perseguição religiosa, ódio à fé cristã e à Palavra de Deus... O comunismo, ao lado do islamismo, tem perseguido fortemente a fé cristã.
  Na Antiga URSS, a hostilidade contra a religião vinha desde os dias dos bolchevistas. Os bolchevistas eram os membros da facção majoritária do Partido Social-Democrata Russo, liderados por Vladimir Lênin, que defendiam uma revolução violenta para tomar o poder e implementar o comunismo na Rússia. O termo "bolchevique" significa "maioria" e originou-se após uma divisão no partido em 1903. Eles são historicamente conhecidos por liderar a Revolução Russa de 1917 e, posteriormente estabelecerem o governo comunista na Rússia, que mais tarde se tornou a União Soviética.
  Esta linha normativa, militantemente ateísta, tinha afetado todas as igrejas da União. Nos primeiros anos de revolução, isto é, em 1917 e nos anos que se seguiram, foi a Igreja Ortodoxa, a seita oficial, que sofreu o impacto da agressão materialista, enquanto os batistas e crentes de outras denominações gozavam de relativa liberdade - e da qual se aproveitaram amplamente. Mas não demorou muito, e Stalin começou a segurar as rédeas do poder cada vez com maior firmeza, e afinal todas as igrejas passaram a sentir o sopro frio dos ventos contrários.
  Durante a época de terror da década de 30, milhares de cristãos e outras pessoas sofreram ou foram mortos em consequência dos "expurgos" de Stalin. A Segunda Grande Guerra, porém, veio operar uma mudança brusca nesta situação. O país passou a sofrer perdas cada vez mais pesadas, e o governo sentiu-se carente do apoio popular. Apelava-se ao patriotismo russo, e as igrejas se tornaram meios de contato direto com o povo para encorajamento da causa pátria. Em entrevistas particulares havidas entre Stalin e os líderes religiosos, algumas concessões foram feitas de ambas as partes e disto resultou um relaxamento da tensão, que, por sua vez, ocasionou um avivamento espiritual, que provavelmente surpreendeu as autoridades.
  Contudo, esta nova atitude não durou muito. Passada a crise mais urgente, ressurgiram os antigos métodos de repressão da fé. Então veio a era de Kruschev. Apesar de sua imagem pública ser de "liberalizante", na realidade, ele desencadeou uma terrível campanha anti-religiosa, que, iniciada em 1959, continuou até a sua queda do poder em 1964. É do conhecimento geral que metade das igrejas ortodoxas do país foram fechadas. Desta vez, também os batistas sofreram com esta nova onda de perseguição.
  Um dos aspectos desta nova fase foi o estabelecimento de algumas regulamentações que, embora apresentadas ao povo pela liderança batista, eram reconhecidamente resultado de pressões estatais. Esta infeliz situação provocou uma reação violenta por parte de alguns crentes batistas de todo o país. Um grupo representativo foi organizado com a finalidade de promover um congresso para se acertarem as coisas, mas isto não vingou, e, em 1965, a fissão que se prenunciava entre as fileiras batistas se efetivou.
  Este grupo reformador que se separou em 1965 tinham condições dadas como tecnicamente ilegais. Era chamado de Concílio das Igrejas Cristãs Evangélicas Batistas. Seus líderes eram por uma lealdade ilimitada a Cristo, por uma contínua renovação espiritual e pela intensificação do esforço evangelístico. Também clamava por justiça para com os crentes de seu país, apelando à Constituição soviética e aos decretos de Lenine. Portanto, poderiam ser enquadrados dentro do contexto do movimento soviético pelos direitos humanos, para o qual, aliás, já contribuíram grandemente. Na verdade, pode-se dizer que eles abriram caminho para boa parte do que se seguiu: as atividades pró-direitos humanos na URSS, as quais ocupavam as manchetes mundiais. Os batistas foram os primeiros a, de modo altamente organizado, firmarem documentos não oficiais, e listas, e a imprimirem jornais relatando tudo sobre sua vida e problemas. Eles se constituíram no primeiro grupo denominacional a confeccionar listas com os nomes de membros seus que se encontravam aprisionados, listas estas que continham informações incrivelmente detalhadas, incluindo endereços de centenas de campos de trabalho forçado.
  Nesse contexto, temos a história heróica de um jovem soldado batista da Antiga URSS, o qual sofreu morte brutal no dia 16 de julho de 1972. Seu nome era Ivan Moiseyev.

Ivan: O Soldado Cristão que Enfrentou o Terror Policial Soviético 


  Ivan Vasilievich era filho de Vasiliy Trofimovich e Joanna Constantinova. Tinha um irmão mais novo chamado Semyon além se outros irmãos. Era uma família cristã batista que temia ao Senhor. Porém, Semyon era o menino rebelde da família. Certo dia chegara em casa ostentando o lenço vermelho, emblema dos Jovens Pioneiros (uma agremiação do Partido Comunista que congregava crianças de 9 a 14 anos e lhes oferecia atividades tais como camping, esportes, música e cultura). Nem a desaprovação geral da família o convenceu a retirar o lenço. Mais tarde foi para a Komsomol (Liga Juvenil Comunista, que reúne jovens de 15 a 28, prossegue na mesma linha dos Jovens Pioneiros, mas com intensificação do doutrinamento; seus membros devem ser ateus. Ele é a porta de entrada para a filiação plena do Partido Comunista). Todas as "maravilhosas" vantagens do Komsomol haviam-no reduzido a uma obediência irrestrita ao partido.
  Ao completar 18 anos, Ivan sentiu o chamado de Deus para se ingressar no Exército. Mesmo seu irmão Semyon o alertando de que a vida no Exército Vermelho não era brincadeira e que lá era proibido esse negócio de falar de Deus e orar, mesmo assim Ivan tinha confiança no Senhor e estava certo de que Deus não o abandonaria. Seu próprio pai o encorajava a fazer a vontade de Deus e toda a família orava por ele. Havia em Ivan uma segurança que não parecia normal em um jovem de 18 anos. Certa vez ele disse: "Deus me ordenou que fale dele onde quer que eu vá, e nunca me cale. Isto confirma o que os pastores dizem, quando ensinam que devemos sempre testemunhar do amor de Deus sem temer as consequências.
  Pela manhã, cedo, Ivan orava todos os dias. Num dia de inverno, orava junto ao fogão da cozinha, próximo à cama dos irmãos menores que ali dormiam para aproveitar o calor. Gostava de orar naquele canto, ouvindo a respiração regular dos outros, que a variação de volume em sua voz não perturbava.
  Assim que começou no quartel, Ivan sentiu extremamente necessário procurar um lugar para orar. O grande número de soldados, o barulho dos alojamentos, a impossibilidade de ficar a sós, começavam a incomodá-lo. Até que um dia ele conseguiu encontrar um lugar para fazer suas orações em um determinado gabinete.

Como começou a perseguição e qual foi o seu fim

  Tudo começou quando certo dia o sargento Strelkov dirigiu o olhar para o ponto do bando em formação onde um lugar vago denotava a ausência de um soldado. Um movimento na periferia do campo de treinamento chamou sua atenção. O retardatário chegava numa corrida desesperada. Ficou a observá-lo impassivelmente. Era Moiseyev (Moiseyev era o último sobrenome de Ivan). Daí então se dirige para Moiseyev: "Explique a razão de seu atraso, Camarada Soldado Moiseyev." Ao que o soldado respondeu: "Sinto muito, sargento. Estava orando."
  O sargento pertencia a uma terceira geração de ateus. Seu avô fora um dos primeiros bolchevistas; aspirante da marinha e tripulante do couraçado Aurora. Lutara nas ruas de Leningrado por ocasião da revolução. Seu pai fora oficial durante a grande guerra patriótica, e participara do cerco daquela cidade, vindo a falecer nos últimos dias dele, em consequência de ferimentos e da carência de alimentação. Seu cartão de filiação ao Partido Comunista fora encontrado em seu bolso. Presentemente, Strelkov trazia-o junto ao seu na carteira.
  Foi a partir do momento em que Ivan disse que estava orando que o inferno se levantou ferozmente contra a vida desse jovem crente. Começaram, então, os interrogatórios, as perseguições e as piores torturas possíveis que um ser humano pode passar.

- Foi levado ao gabinete do Polit-ruk Capitão Boris Zalivako (Polit-ruk: sigla que designa Politicheskoye-Rukovodstavo - Comitê de diretiva política). Zalivako debateu com Ivan defendendo a tese do comunismo científico de que Deus não existe. Porém Ivan, como sempre formado na Palavra de Deus, defendeu a bíblia e o criacionismo.
  O Polit-ruk deu a Ivan a tarefa de lavar o salão de conferências do alojamento e todos os seus corredores, de joelhos, com um balde e um esfregão. Isso durante toda a noite. O jovem parecia bem disposto, cantando e rindo enquanto trabalhava, apesar das inúmeras interrupções que sofria por parte dos oficiais que o chamavam a seus gabinetes para passar-lhe repreensões.

- Sendo enviado para Kertch, Ivan se alegrara achando que os interrogatórios cessariam. Continuou fiel ao Senhor, orando e admitindo abertamente que orava, que era batista e que assistia a cultos evangélicos quando tinha oportunidade. Porém, maus sabia Ivan que Zalivako enviara um relatório completo para o Polit-ruk de Kertch, certificando-o da existência de um crente no pelotão. Não demorou então para que começassem novas perseguições. O Polit-ruk de Kertch era o Capitão Yarmak. Ivan foi enviado para ficar preso numa cela onde ficaria sem direito à alimentação e sujeito a interrogatórios por parte dos oficiais. Eram feitos diversos questionamentos do tipo: 
  "Estava doente? Será que já resolvera mudar de atitude? Suas ideias eram imperialistas, remanescentes do czarismo e do capitalismo. Tais conceitos não seriam tolerados no Exército Vermelho. Não pensasse ele que estava sofrendo pela sua fé. Estava, isto sim, sendo castigado por tentar evadir às suas obrigações militares. Até quando iria fugir às suas responsabilidades para com seus camaradas e para com o Estado? Supondo-se que Deus existisse mesmo, será que ele criaria um espaço pequeno demais para si mesmo? Por que ele, Ivan, deixava de alimentar-se? Estava suscitando dúvidas quanto ao seu equilíbrio mental. Será que não compreendia que uma rejeição dos princípios marxistas implicava na rejeição do ideal soviética? Deus é um mito criado pelos homens para explicar fomes, doenças e outras condições para as quais eles não encontram explicação. Agora, não havia mais necessidade de Deus. Ele era um empecilho ao progresso do cidadão socialista livre. As pessoas que divulgavam tais ideias se declaravam inimigas do Estado."
  Essa provação durou cinco dias.

- Chegou a vez do Major Gidenko. E mais uma vez Moiseyev testemunhou da Palavra de Deus e de seu amor. Dessa vez, a provação foi ainda mais cruel: ficar de pé na rua à noite, após o toque de silêncio, e isso numa temperatura de inverno a 25⁰C abaixo de zero. E outro detalhe: deveria de cumprir a tarefa usando uma farda de verão. Já imaginou que situação hein? Mesmo assim Moiseyev manteve-se firme no seu propósito de testemunhar da Palavra de Deus. Enfrentou mais esse terrível desafio. Mas, o Senhor era com Ivan, o qual mais uma vez deu livramento diante dessa provação.

- Esses são alguns exemplos do que Ivan passou no Exército Vermelho por não se encurvar aos princípios do ateísmo científico sobre os quais se baseavam o Estado Soviético e o poderio militar do exército. Muitos e muitos outros interrogatórios muitas e muitas outras provações e perseguições Ivan foi exposto. Tudo isso foi relatado no livro "Ivan: O Soldado Cristão que Enfrentou o Terror Policial Soviético".
  Por fim, Ivan foi assassinado em julho de 1972.

  Vale apena todo cristão ler esse livro que conta a história desse jovem herói batista que não se encurvou diante das pressões do terror do comunismo. A exemplo de Daniel, de Sadraque, de Mesaque e de Abede-Nego, seguiu firme em seus propósitos de servir ao Senhor mesmo diante de toda tempestade.

Ivan na idade de 18 anos, quando entrou para o Exército Vermelho.

Livro: "Ivan: O Soldado Cristão que Enfrentou o Terror Policial Soviético". Autor(a): Myrna Grant. Tradução: Myrian Talitha Lins. Editora Betânia.

Ivan de farda. 


Ivan quando era criança.


Conclusão 

  Esse texto nos trás a reflexão do que é ser cristão em um país dominado pelo comunismo. Infelizmente, aqui no mundo ocidental, inclusive aqui no Brasil, muitos crentes estão dormindo para a realidade do que é o comunismo. Muitos acham que esse tipo de perseguição acontece só lá na China, na Coréia do Norte e na Antiga URSS, mas aqui não aconteceria isso caso o Brasil virasse comunista. É lamentável como tem crente dormindo quanto a esses fatos.
  Há um forte interesse por parte do sistema mundial cujo príncipe é o próprio Satanás, de que haja perseguições contra a fé cristã. Isso em pleno século 21, quando enchem a boca para falar de democracia, de liberdade de expressão, de pluralidade de ideias, de liberdade religiosa. Em nome dessa suposta democracia, querem impor uma verdadeira ditadura mundial, onde quem reinará vai ser o anti-cristo, o homem da iniquidade. Daí podemos entender o porquê da mídia tradicional se calar em relação à perseguição contra o cristianismo em países principalmente comunistas e muçulmanos. Eles precisam que o cristianismo fiel seja varrido do mapa. Eles precisam varrer do mapa a verdadeira fé original para que possam impor os propósitos do sistema maligno.
  Enfim, vivemos tempos realmente sombrios, onde a tendência é só piorar. Que possamos seguir o exemplo de Ivan Moiseyev e desses heróis batistas que mantiveram sua fé firme e inabalável diante de todo aquele sistema comunista.
  Esse é um tipo de texto que não deve ficar apenas aqui no meu blog. Passe adiante. Quem tiver o seu blog, copie e coloque no seu blog. Quem tiver canal no YouTube, faça vídeo a respeito desse texto. Compartilhe em todas as suas redes sociais (Facebook, Instagram, Whatsapp...). Leve esse assunto para a sua igreja, para seus amigos, para os seus familiares, para as escolas e faculdades. As pessoas precisam ser alertas sobre a verdadeira face do comunismo.

Ricardo dos Santos 






quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

Apóstolo Pedro o primeiro papa da Igreja Católica? Respondendo ao vídeo do canal Brasil Paralelo

 Autor: Ricardo dos Santos 

Estudo baseado no livro "A Mulher Montada na Besta" de Dave Hunt 


  Nesse estudo, iremos desmascarar essa grande mentira, essa grande falácia da Igreja Católica Apostólica Romana que diz que o apóstolo Pedro foi o primeiro papa e que foi seguido por uma linha ininterrupta de sucessão apostólica, onde, segundo a afirmação, os papas são sucessores do apóstolo Pedro.
  Essa falsa doutrina é muito fácil de refutar. Mas, antes de começarmos a refutação, vamos assistir ao vídeo do canal Brasil Paralelo que fala justamente a respeito disso. O vídeo tem apenas 13 minutos e 33 segundos e o seu título é: "O PRIMEIRO PAPA: A HISTÓRIA DE SÃO PEDRO".


  Agora sim vamos à refutação. Para isso, utilizaremos a genial obra escrita pelo renomado apologeta Dave Hunt. O livro se chama "A Mulher Montada na Besta". Nesse livro, ele fala sobre a Igreja Católica Romana e os últimos dias. Ele é todo baseado na visão do apóstolo João em Apocalipse 17. O livro possui dois volumes. Estaremos utilizando aqui em nosso estudo apenas o primeiro volume. Trata-se do capítulo 7 do livro, onde exploraremos três subtítulos: "Impecabilidade versus infalibilidade"; "O dogma desconhecido"; "Do Calvário ao régio pontífice" (páginas 95 a 99).

Obs.: Para destacar, utilizaremos o trecho do livro em itálico.

"Impecabilidade" versus "Infalibilidade"

  A fé cega exigida pelos pronunciamentos do papa e do clero parecem fazer sentido, pois a Igreja Romana é a maior e mais antiga. Certamente esses bilhões de seguidores não poderiam ter sido enganados por mais de 1500 anos! Assim a fé é mantida pela suposta segurança de que a Igreja Católica Romana é a única igreja verdadeira, a única que pode ser rastreada até os apóstolos originais, e cuja autoridade papal vem diretamente de Cristo (através de Pedro), numa longa e ininterrupta linha de sucessão apostólica.
  Como prova, a Igreja fornece uma lista completa de seus papas com a ascendência desde Pedro. Poucos católicos sabem que os papas lutavam entre si, excomungando-se mutuamente e, por vezes, até matavam uns aos outros. É difícil achar algum papa que, depois do século V, tenha exibido as virtudes cristãs básicas. Suas vidas, conforme registrado na Catholic Encyclopedia, são comparáveis às novelas de TV em matéria de luxúria, loucura, ostentação e assassinatos. Contudo, todos esses mestres do crime, envenenadores, adúlteros e genocidas são considerados infalíveis quando falam ex catedra - ou seja, fazem pronunciamentos dogmáticos sobre fé e moral a toda a Igreja.
  Os apologistas católicos argumentam que existe uma diferença entre impecabilidade de caráter e conduta, que os papas certamente não tinham, e infalibilidade em matéria de fé e moral, o que todo católico deve crer que eles possuem. É tolice acreditar que um homem que nega a fé e tem comportamento imoral em sua vida, é infalível quando fala sobre fé e moral!
  Os católicos que conhecem os fatos prontamente admitem que muitos papas foram terríveis. Mas argumentam que isso prova simplesmente que eles eram humanos e permite que, se somos conscientes do que aconteceu, discordemos deles. Para os católicos faz sentido que, apesar da inegável maldade do seu clero, a Igreja Católica Romana seja a única esperança da humanidade. Afinal de contas, ela foi fundada pelo próprio Cristo, que fez de Pedro o primeiro papa. Isto está, supostamente, comprovado nas Escrituras: "Tu es Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha igreja" (Mateus 16:18).

O dogma desconhecido 

  Ao contrário do que se ensina aos católicos, o ofício papal não começou com o apóstolo Pedro. Ele teve origem centenas de anos antes do bispo de Roma tentar controlar o resto da igreja e muitos séculos antes que essa primazia fosse aceita por todos. Em 449, a carta de Leão o Grande a Flaviano não foi aceita até que o Concílio de Calcedônia a aprovasse. "O próprio papa Leão [I] reconheceu que esse tratado não podia tornar-se uma regra de fé, até ter sido confirmado pelos bispos".
  Houve oito concílios da Igreja antes que o Cisma de 1054 a dividisse em Católica Romana e Oriental Ortodoxa, quando o bispo de Roma e o patriarca de Constantinopla se excomungaram mutuamente. Nenhum desses oito concílios foi convocado pelo papa, mas sim pelo Imperador, que também deu sua aprovação aos decretos. Quanto à autoridade papal, um historiador católico nos lembra:

  "O papa Pelágio (556 - 560) fala sobre hereges separando-se das Sés Apostólicas, ou seja, Roma, Jerusalém, Alexandria (mais Constantinopla). Em todos os escritos antigos sobre hierarquia não existe menção de um papel especial do bispo de Roma, nem ainda o título de 'papa'... Das cerca de 80 heresias dos primeiros seis séculos, nenhuma se refere à autoridade do bispo de Roma e nenhuma teve início com ele... Nenhuma ataca a [suprema] autoridade do pontífice romano, já que ninguém ouviu falar disso."

  O Sínodo Oriental de 680, convocado pelo papa Ágato, foi o primeiro corpo eclesiástico que asseverou a primazia de Roma sobre o resto da Igreja, mas esse não foi um concílio reunindo toda a Igreja, portanto suas decisões não foram aceitas em larga escala. Como frisa o historiador católico Peter de Rosa:

  "... nenhum dos primeiros Pais da igreja via na bíblia qualquer referência à jurisdição papal sobre a Igreja. Pelo contrário, eles estavam certos de que os bispos, principalmente os metropolitas, tinham o pleno direito de governar e administrar seu próprio território, sem sofrer interferência de ninguém. A Igreja Oriental nunca aceitou a supremacia papal; a tentativa de Roma de impor-se foi o que levou ao Cisma.
  ...procura-se em vão no primeiro milênio por uma única doutrina ou legislação imposta apenas por Roma ao resto da Igreja. As únicas leis gerais procederam de concílios como o de Nicéia. De qualquer modo, como poderia o bispo de Roma ter exercido jurisdição mundial naquele tempo se ainda não havia a Cúria [Romana]; quando nenhum bispo permitia interferência de quem quer que fosse, quando Roma não emitiu dispensação alguma, não exigia tributo nem imposto; quando todos os bispos, não apenas o de Roma, tinham o poder de ligar e desligar; quando nenhum bispo ou igreja ou indivíduo era censurado por Roma?
  Além disso, durante séculos, o bispo de Roma foi escolhido pelos cidadãos locais - clero e laicato. Se ele tivesse jurisdição sobre a Igreja Universal, o resto do mundo não iria desejar dizer algo sobre a sua nomeação? Enquanto ele acreditava ter supremacia [universal], o restante da Igreja exigia participar de sua eleição. Isso só teve início na Idade Média."

Do Calvário ao Régio Pontífice 

  É necessário que se faça uma engenhosa modificação para que da distorção de uma simples declaração: "sobre esta pedra edificarei a minha igreja ", surgisse o ofício petrino, a sucessão apostólica, a infalibilidade papal, e toda a pompa, cerimônia e poder que rodeiam o papa hoje. Como um escritor católico sarcasticamente declara: "Exige-se [uma grande] habilidade para se tomar uma declaração feita por um pobre carpinteiro a um pescador, igualmente pobre, e aplicá-la a um régio pontífice, que em breve passaria a ser chamado de 'o Dono do Mundo'."
  Contudo, este é o único fundamento "bíblico" sobre o qual toda a estrutura da Igreja Católica Romana está baseada. Incluindo a infalibilidade papal, a sucessão apostólica e uma intrincada  hierarquia de padres, bispos, arcebispos e cardeais; o Magistério dos Bispos, o único que pode interpretar a Bíblia; a exigência de que, por suposta infalibilidade, o papa deve falar ex catedra a toda a Igreja em matéria de fé e moral, etc. Que nenhum destes conceitos é remotamente sugerido, muito menos estabelecido, quer seja em Mateus 16:18 ou em qualquer outro lugar na Escritura, é deixado de lado pelos apologistas católicos, os quais logo se voltam para a "tradição" para apoiar tais crenças. Fazendo isso, entram num labirinto de engano e verdadeira fraude.
  Foram necessários muitos séculos para se desenvolver engenhosos argumentos para que, finalmente, se chegasse à teoria de que o mesmo Cristo, que "não tinha onde reclinar a cabeça" (Mateus 8:20), viveu em pobreza e foi crucificado nu, deveria ser representado por um régio pontífice que possui palácios com mais de 1100 salas cada um, é servido dia e noite por um batalhão de criados e usa as melhores roupas de seda bordadas com fios de ouro! Que Cristo delegou a Pedro tal pompa e luxo, o que nenhum dos dois conheceu, é tanto ridículo quanto blasfemo.
  As glórias e poderes desfrutados pelos papas não são, nem remotamente, mencionados nos relatos existentes sobre a vida de pureza e pobreza de Pedro. O apóstolo-pescador declarou: "Não tenho prata nem ouro" (Atos 3:6). Os luxos do papa e suas pomposas declarações de autoridade sobre reis e reinos não eram conhecidos na Igreja até séculos mais tarde, quando papas ambiciosos começaram a estender gradualmente e solidificar seu domínio sobre os governantes. Os líderes supremos do catolicismo começaram a usar títulos como: "supremo governante do mundo", "rei dos reis". Outros afirmaram ser "Deus na terra", ou até mesmo "o redentor", que "pendurados na cruz como o fez Cristo", asseveraram que "Jesus colocou os papas no mesmo nível de Deus". Pedro certamente teria denunciado tais fraudes pretensiosas como blasfêmia.
  Roma era a capital do Império Romano antes de Constantino mudar o seu palácio para o Oriente, por isso continuou sendo considerada como capital da porção Ocidental do império. Com o imperador Constantino instalado na cidade de Constantinopla (hoje Istambul), o papa desenvolveu um poder quase absoluto, não apenas como cabeça da Igreja, mas também como imperador do Ocidente. Mais tarde, com a queda do Império Romano, o papado foi quem continuou governando as ruínas fragmentadas. Thomas Hobbes disse: O papado nada mais é do que o fantasma do finado Império Romano, sentado sobre o seu túmulo com a coroa na cabeça".
  W.H.C. Frend, professor emérito de história eclesiástica em seu clássico "The Rise of Christianity" [A Ascensão do Cristianismo] frisa que, pelos meados do século V a Igreja "tinha se tornado o mais poderoso elemento nas vidas dos povos do império. A virgem e os santos haviam substituído os deuses (pagãos) e padroeiros das cidades". O papa Leão I (440-461) gabava-se que São Pedro e São Paulo haviam "substituído Rômulo e Remo como os padroeiros e protetores da cidade [Roma]. Frend escreve que a Roma cristã era a "legítima sucessora da Roma pagã... Cristo havia triunfado [e] Roma estava pronta para estender sua influência até aos próprios céus".

  Na página 104 desse mesmo livro, o autor Dave Hunt assim escreve:

  Além do mais, não há registro algum de que Pedro tenha sido bispo em Roma, portanto nenhum bispo de Roma poderia ser o seu sucessor. Irineu, bispo de Lyon (178-200), forneceu uma lista dos primeiros 12 bispos da capital do império. Lino foi o primeiro. O nome do "chefe dos apóstolos" não aparece. Eusébio de Cesaréia, o pai da História da Igreja, nunca o mencionou como bispo de Roma. Ele diz simplesmente que Pedro esteve naquela cidade"no fim de seus dias" e lá foi crucificado. Paulo, ao escrever sua epístola aos Romanos, saúda muitas pessoas pelo nome, mas não menciona Pedro. Essa seria uma estranha omissão se o líder dos apóstolos estivesse vivendo em Roma e, especialmente, se fosse seu bispo!

  É de extrema importância o caro leitor do meu blog ler e estudar os dois volumes dessa genial obra de Dave Hunt "A Mulher Montada na Besta". Isso trará um bom esclarecimento sobre o que acontece no mundo, além de passar um grande conhecimento escatológico.


Volume 1 e 2

Dave Hunt 

Conclusão 

  Poderíamos escrever muito mais coisas a respeito desse assunto aqui no estudo. Porém, só isso já basta para refutar o vídeo do canal Brasil Paralelo.
  Só com esse texto e os documentos que foram citados, podemos concluir que o apóstolo Pedro está muito longe de ter sido o primeiro papa da Igreja Católica Apostólica Romana. Isso é apenas mais uma das invencionices de Roma.

Observação: Estamos vivendo tempos em que todo cuidado é pouco. Brasil Paralelo é um canal do YouTube onde se trata de assuntos muito importantes, do tipo: questões políticas, questões sobre movimentos revolucionários, religião, família, questões sociais, história, filmes e diversos outros assuntos do cotidiano. É um canal que trás excelentes informações. Por causa disso, muitos evangélicos fazem assinatura  canal. Porém, aqui é que está o perigo onde nós cristãos evangélicos devemos ficar em alerta: é um canal católico. A Igreja Católica não mede esforços para conquistar adeptos para a "Santa Madre Igreja". Assim eles vão alcançando lares e famílias para o catolicismo romano. Devemos ficar atentos a toda investida de Satanás nesses últimos dias. Por isso o apóstolo Paulo nos exorta: "Examinai tudo. Retende o bem" (1Tessalonicenses 5:21).

Ricardo dos Santos