Autor: Pr. Clávio Jacinto
Em Genesis 3:7 encontramos a primeira narrativa de justificação pelas obras. O pecado poluiu o homem. O ensaio da resolução foi fazer vestes de folhas vegetais para cobertura. O contexto diz que o Senhor imolou um animal e com a pele cobriu ambos, Adão e Eva. Um teatro do esforço humano, o cheiro do suor do pecador agrada mais um incrédulo do que o bom perfume de Cristo. Assim, fora do paraíso, o esforço dos homens em construir uma torre, uma torre que toque os céus (Gênesis 11:4) é o esforço de tocar o céu pelo preço do produto das glândulas sudoríparas, um realce do ego "Eu subirei ao céu" (Isaías 14:13); "subirei sobre as alturas das nuvens " (Isaías 14:14). É o esforço humano, um insulto ao legalista destronar sua meritolatria. Altar erguido no coração que pulsa pela força do orgulho. O culto às obras, essa abominável prática do ego, a rejeição da total suficiência da obra da cruz, um culto embuste, uma descida aos antros da maldição (Gálatas 3:10).
Não! Não podemos arrancar do seu contexto passagens como Romanos 2:13, ignorando toda a epístola aos romanos, já que ali Paulo fala aos judeus, e as obras da lei acerca das quais se gabam, tivessem eles cumpridos todas de modo irremediável e num ato absoluto permanecessem sob essa perfeição de conduta. Mas Tiago 2:10 diz que quebrar um só mandamento torna-se culpado de todos. Assim Cristo, o único que cumpriu todos sem quebrar nenhum só, pois nem um jota ou til passaria sem que fosse cumprido em Sua vida (Mateus 5:18), torna-se o substituto para morrer na cruz no lugar daquele que não pode cumprir a lei, pois a sentença é: "maldito quem não cumpre" (Deuteronômio 27:26). Mas Cristo fez-se maldição por nós (Gálatas 3:23). Teve que cumprir a lei para poder apresentar-se vítima perfeita, imaculada e incontaminada (I Pedro 1:19) e efetuar uma eterna e perfeita redenção (Hebreus 9:12) morrendo e sofrendo a sentença que era nossa. É pela fé na obra consumada e perfeita de Cristo que somos retirados debaixo dessa maldição (Gálatas 3:10). Cristo carregou o pecador sobre o madeiro (I Pedro 2:24). Ora a lei no que tange a inoculação do pecado por um ato do esforço humano é impossível como ratifica Hebreus 10:4, pois enquanto que na lei, o pecador oferecia o sacrifício pelos seus pecados, na graça foi Cristo quem ofereceu a Si mesmo como sacrifício pelo pecado (Hebreus 9:14 e 26). Não diferenciar isso é recorrer em anátema (Gálatas 1:8) e pregar outro evangelho é cair da graça!
Paulo realmente assegura que a prática da lei seria uma possibilidade para a justificação, mas é dado um diagnóstico fatal contra todos os pecadores: todos pecaram (Romanos 3:23) todos tornaram-se transgressores, não há nenhum justo sequer (Romanos 3:10). Ora se não há um justo entre os filhos de Adão, significa que as obras da lei não justificaram ninguém, o problema não é a eficiência da lei e sim a insuficiência humana! O suor fedorento das obras do homem adâmico é incompatível com o bom perfume do sangue de Cristo. É esse sangue que nos purifica de todo o pecado (I João 1:7). Assim, ouçamos mais de perto a voz do Espírito Santo, não o espírito do erro. Somos justificados pela fé em Cristo e não pelas obras da lei ( Gálatas 2:16). Por Cristo é justificado todo aquele que crê nele, aquele que não está debaixo das obras da lei (Atos 13:39), isto é gratuitamente (Romanos 3:24). De outra forma, adverte Paulo que se somos justificados pelas obras da lei, a graça já não é graça (Romanos 11:6) e se não é graça, já estamos separados de Cristo por termos caído da graça (Romanos 5:4).
Pr. Clávio. J. Jacinto. E-mail para contato:
claviojj@gmail.com
Excelente estudo do pastor Clávio Jacinto.
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