Santidade

Devemos ser santos na terra, se quisermos ser santos no céu. Foi Deus que disse e Ele não voltará atrás: “A santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor” (Hebreus 12:14). Observou William Jenkyn: “O calendário do papa só declara santos às pessoas mortas, mas as Escrituras requerem a santidade da parte dos vivos”. John Owen afirmou: “Não se deixe iludir. O Senhor Jesus Cristo só conduz ao céu àqueles a quem Ele santifica na terra. O Cabeça vivo não admite membros mortos”. J.C. Ryle

sexta-feira, 22 de março de 2024

Livreto presbiteriano desmascara mentiras do catolicismo romano

Autor: Rev. Adão Carlos Nascimento 

  Estudo baseado no livreto presbiteriano "A razão de nossa fé". Perguntas de número 4, 5 e 16. Para mais detalhes, veja também o nosso estudo "O desvio da igreja e a Reforma Protestante".

4- É verdade que a primeira Igreja que surgiu foi a Igreja Católica?

Resposta: Não, não é verdade. A Igreja do Novo Testamento é chamada de Igreja primitiva por ter sido a primeira e não ter nenhum nome especial. Esta Igreja não pode ser identificada com a Igreja Católica Romana por várias razões, como, por exemplo, as seguintes:

1- Os problemas doutrinários e éticos surgidos na Igreja primitiva eram resolvidos pelo Presbitério (Atos 15:1-29); na Igreja Católica, são resolvidos pelo papa.

2- Na Igreja primitiva não havia missa; havia culto com cânticos de hinos, orações, leitura bíblica e pregação.

3- Todos os membros da Igreja primitiva participavam do pão e do vinho na Santa Ceia (1Coríntios 11:23-29); na Igreja Católica só o padre é que participa do vinho comunhão.

4- Na Igreja primitiva não havia padre, nem cardeal, nem papa; havia, sim, presbíteros e diáconos. Qualquer pessoa que examinar o Novo Testamento, fundamento da Igreja cristã, verá claramente que a Igreja Católica Romana não tem nenhuma semelhança com a Igreja primitiva.

5- Como surgiu a Igreja Católica Romana?

Resposta: Surgiu da degeneração da Igreja primitiva. Desde o início, homens fraudulentos entraram para a igreja. No princípio, entretanto, as perseguições contra os cristãos se encarregaram de purificar a comunidade cristã. No ano 323, por um decreto do imperador Constantino, o Cristianismo passou a ter proteção oficial do Império Romano. Cessaram as perseguições e muitas pessoas, sem serem verdadeiramente convertidas, entraram para a igreja. A atuação de tais pessoas e a influência do mundo pagão levaram a igreja a adotar doutrinas e práticas que se chocam brutalmente com os ensinos bíblicos. Eis alguns exemplos: no ano 375 foi instituído o culto aos santos; no ano 431 instituiu-se a culto a Maria, a partir de Concílio de Éfeso, cidade que pontoficava a grande Diana dos efésios, divindade feminina pagã; em 503, surgiu a doutrina do purgatório, em 783 foi adotada a adoração de imagens e relíquias; em 1090 inventou-se o rosário; em 1229 foi proibida a leitura da Bíblia. Há muitas outras inovações. Felizmente, Deus levantou homens para conduzir seu povo de volta à Bíblia. Vários movimentos de reforma religiosa, inclusive os propostos pelos Concílios de Constança, Pisa e Basileia, fracassaram. Porém, a Reforma Religiosa do século 16 triunfou.

16- Por que a Bíblia "Católica" tem sete livros a mais do que a "nossa" Bíblia?

Resposta: Porque o Concílio de Trento, no dia 15 de abril de 1546, anexou, por decreto, esses livros à Bíblia. Nós não os aceitamos e a "nossa" Bíblia não os têm porque eles não possuem nem as evidências externas, nem as evidências internas de que são inspirados por Deus. A Igreja Católica Romana nos acusa de termos retirado sete livros das Escrituras. No entanto, foi ela que os acrescentou à Bíblia, no Concílio de Trento.

Texto extraído do livreto "A razão de nossa fé" de autoria do Rev. Adão Carlos Nascimento, pastor presbiteriano.

quinta-feira, 14 de março de 2024

Criacionismo Bíblico

Autor : Ricardo dos Santos 


  Você já ouviu falar no criacionismo bíblico? Alguma escola que você já tenha passado te informou que existe um Deus criador que formou os céus e a terra pelo poder de Sua Palavra? Algum professor já te explicou que existe um modelo criacionista baseado em Gênesis capítulo 1 e 2, onde a bíblia explica perfeitamente como tudo surgiu a partir do nada? E se alguém te disser que todo esse sistema evolucionista Darwinista que te apresentaram nas escolas não passa de um grande engano, de uma grande fraude? E se alguém te disser que a terra veio da água e não de uma grande explosão (Big Bang) como te ensinaram?
  Existe um ditado que diz que uma mentira contada mil vezes acaba se tornando verdade. Porém, uma mentira vai sempre ser mentira, mesmo que o mundo inteiro acredite nessa mentira, já a verdade, sempre será verdade, mesmo que o mundo inteiro a odeie. E o que é a verdade? Veja o que está escrito no evangelho de João: "Santifica-os na tua verdade; a tua palavra é a verdade" (João 17:17). No mesmo evangelho de João também está escrito: "Disse-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim" (João 14:6). Ou seja, a palavra é Jesus, o caminho é Jesus, a verdade é Jesus, a vida é Jesus. O Senhor Jesus é o autor de todas as coisas. Ainda no evangelho de João está escrito: "Todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez. Nele estava a vida, e a vida era a luz dos homens" (João 1:3-4). "Estava no mundo, e o mundo foi feito por ele, e o mundo não o conheceu" (João 1:10). No princípio as coisas foram feitas tudo de maneira ordenada e perfeita. Nós seres humanos fomos feitos à imagem e semelhança de Deus, porém o pecado veio para estragar tudo, por isso estamos vendo hoje o mundo à beira de um caos.
  Existem muitas testemunhas tanto na bíblia quanto em diversas outras diferentes culturas a respeito do criacionismo. Um grande exemplo disso é a narrativa do dilúvio universal. A bíblia narra que Deus destruiu o mundo em água, salvando apenas Noé e sua família. Nos diversos povos e culturas espalhados pelo mundo você encontrará o relato dessa grande catástrofe. Infelizmente, muitos cientistas incrédulos e orgulhosos negam esse fato. Mas, a verdade está cada vez mais vindo à tona. Muitos cientistas e estudiosos de diversas áreas não se encurvaram para esse sistema evolucionista Darwinista. Eles estão mostrando a verdade e muitos que acreditavam nisso estão sendo libertos.
  Creia hoje mesmo no Senhor Jesus Cristo. Fuja deste mundo. Jesus é o único que te leva para Deus, fora dele não existe outro caminho.

Ricardo dos Santos 












terça-feira, 12 de março de 2024

O desvio da igreja e a Reforma Protestante

Autor: Rev. Wilson G. Sallum 



  Aqui estaremos informando passo a passo como a igreja cristã foi se desviando das verdadeiras doutrinas deixadas pelo Senhor Jesus e seus apóstolos, abrindo espaço assim para a formação do catolicismo romano. A Igreja Católica Apostólica Romana nada mais é do que o resultado de um conjunto de falsas doutrinas que foram sendo impostas no cristianismo no decorrer dos séculos. 

  Estaremos colocando na sequência o ano, a doutrina imposta e o texto bíblico que refuta tal doutrina.

  • Ano 310 - Doutrina: reza pelos defuntos - Refutação: Hebreus 9:27; Hebreus 2:1-3; Hebreus 3:15.
  • Ano 320 - Doutrina: uso de velas - Refutação: João 4:24.
  • Ano 375 - Doutrina: culto dos santos - Refutação: Atos 14:13-15; Atos 10:25-26; Êxodo 20:2.
  • Ano 404 - Doutrina: instituição da missa como sacramento perpétuo de Cristo - Refutação: Hebreus 9:23-26.
  • Ano 431 - Doutrina: culto à virgem Maria - Refutação: Apocalipse 22:9.
  • Ano 500 - Doutrina: uso da roupa sacerdotal - Refutação: Colossenses 2:23.
  • Ano 503 - Doutrina: purgatório - Refutação: 1João 1:7; João 15:3; Colossenses 2:13.
  • Ano 600 - Doutrina: Bonifácio III se declara bispo universal (papa) - Refutação: Colossenses 1:1.
  • Ano 606 - Doutrina: obrigação de beijar os pés do papa - Refutação: Mateus 24:5; Mateus 23:9-10.
  • Ano 754 - Doutrina: poder temporal da igreja - Refutação: João 18:36.
  • Ano 783 - Doutrina: adoração de imagens e relíquias - Refutação: Êxodo 20; Salmo 115; Isaías 44:9-20.
  • Ano 880 - Doutrina: uso da água benta - Refutação: Hebreus 13:9.
  • Ano 890 - Doutrina: culto de São José (protodulia) - Refutação: Apocalipse 22:9.
  • Ano 993 - Doutrina: canonização dos santos - Refutação: Colossenses 1:2.
  • Ano 1003 - Doutrina: instituição da festa dos fiéis defuntos - Refutação: Deuteronômio 18:9.
  • Ano 1004 - Doutrina: celibato sacerdotal - Refutação: 1Timóteo 4:2-5.
  • Ano 1076 - Doutrina: dogma da infalibilidade da igreja - Refutação: Filipenses 3:12-13.
  • Ano 1090 - Doutrina: invenção do rosário -  Refutação: Mateus 6:7-8.
  • Ano 1184 - Doutrina: instituição da santa inquisição - Refutação: Mateus 5:21-22.
  • Ano 1190 - Doutrina: venda de indulgências (simonia) - Refutação: Atos 8:20.
  • Ano 1200 - Doutrina: pão da comunhão substituído pela hóstia - Refutação: Mateus 26:26.
  • Ano 1215 - Doutrina: criada a confissão auricular - Refutação: 1Timóteo 2:5.
  • Ano 1220 - Doutrina: adoração da hóstia/missa (idolatria) - Refutação: Êxodo 20.
  • Ano 1230 - Doutrina: proibição da leitura da bíblia - Refutação: Salmo 19:7.
  • Ano 1245 - Doutrina: uso da campainha na missa - Refutação: 1Timóteo 6:3.
  • Ano 1316 - Doutrina: instituição da reza "Ave Maria" - Refutação: Mateus 4:1.
  • Ano 1415 - Doutrina: eliminação do vinho da comunhão - Refutação: 1Coríntios 11:25-26.
  • 31 de outubro de 1517: Lutero prega suas 95 teses como protesto a diversos pontos da doutrina da Igreja Católica Romana.

  • Ano 1546 - Doutrina: tradição equiparada à bíblia - Refutação: Mateus 15:6.
  • Ano 1546 - Doutrina: introdução dos livros apócrifos - Refutação: Jeremias 23.
  • Ano 1600 - Doutrina: invenção do escapulário (bentinhos) - Refutação: Êxodo 20.
  • Ano 1854 - Doutrina: Imaculada Conceição de Maria - Refutação: Lucas 1:47.
  • Ano 1870 - Doutrina: infalibilidade papal - Refutação: Romanos 3:10,12.
  • Ano 1908 - Doutrina: só o casamento religioso é válido - Refutação: Romanos 7:1-6.
  • Ano 1950 - Doutrina: ascensão de Maria - Refutação: João 13:13.
Estudo bíblico da Igreja Bíblica Congregacional de Artur Alvim, São Paulo. Autor do estudo: Rev. Wilson G. Sallum.



sábado, 2 de março de 2024

Fundamento Bíblico do Congregacionalismo

Autor: Rev. Vanderli Lima Carreiro 



  No Novo Testamento não se encontram mandamentos expressos sobre a forma de governo eclesiástico. Daí as diversas opiniões sobre o assunto. Mas as palavras de Cristo, a respeito do modo pelo qual deve a Igreja se conduzir com referência ao irmão impenitente, pressupõem a existência de uma assembleia cristã ou Igreja (Mt 18:15-17). Nada se diz, entretanto, nos Evangelhos, acerca da maneira como essa Igreja deve ser organizada. Descobrimos traços gerais da organização eclesiástica primitiva no livro dos Atos dos Apóstolos e nas epístolas.
  O Dr. Dale, defendendo que o sistema congregacional tem fundamento bíblico, afirma que "em favor do congregacionalismo milita o fato de que a comunidade eclesiástica primitiva era, sem contestação, congregacional".
  As doutrinas de que Jesus é o Filho de Deus, de que morreu para remissão de pecados, ressuscitou e recebeu todo o poder no céu e na terra são verdades incontestáveis e que ou ficam de pé com o cristianismo ou este cai com elas. O mesmo já não acontece com a forma de governo eclesiástico. A forma de governo da Igreja do primeiro século podia muito bem não se adaptar à do terceiro. É perceptível a todos que, desde os dias apostólicos até a data presente, se haja operado grandes mudanças no seio da Igreja Cristã em suas relações para com a sociedade. Constata-se que o número de membros das Igrejas geralmente aumenta de ano para ano. Em vez dos perseguidos, indoutos e sem letras, como eram os cristãos dos tempos primitivos, os da atualidade pertencem a todas as camadas da sociedade. Muitos deles são médicos, advogados, professores, estadistas e soberanos. Há ministros conselheiros de reis e amigos de presidentes.
  "Essa modalidade tão diversa das relações da Igreja para com a sociedade moderna produziria alguma modificação no governo eclesiástico?", pergunta-se e logo se responde que "se as leis gerais que afetam o destino das nações influem na vida orgânica da Igreja, poder-se-á responder pela afirmativa".
  As comunidades apostólicas compunham-se só e exclusivamente dos que faziam profissão de fé pessoal em Cristo e somente sob essas condições eram admitidos à comunhão da Igreja. Daí o serem chamados "fiéis" ou "santos em Jesus Cristo" nas epístolas. Naqueles tempos a Igreja consistia, "diga-se com verdade, daqueles 'heróis da fé'. Tornar-se cristão no primeiro século, romper com a sinagoga judaica, desligar-se dos laços do paganismo expirante e morimbundo não era tarefa de fácil execução. Exigia profunda convicção pessoal".
  Quanto à questão sobre quem as Igrejas devem receber como membros, assim se lê:
  
  "Na era apostólica, os que estavam fora da Igreja não eram cristãos nominais, mas judeus e pagãos. Talvez se encontre quem pretenda argumentar que o precedente da Igreja Primitiva não autoriza os Congregacionalistas brasileiros a somente receberem como membros da Igreja os que respondem por sua própria fé pessoal em Cristo, os que dão provas de haverem recebido perdão de pecados e a dádiva da vida eterna; mas nos parece ser esse procedimento, não só está de acordo com o precedente apostólico, mas também tacitamente autorizado e estabelecido pelo Novo Testamento".

  O estudo do Novo Testamento leva-nos a concluir que as Igrejas apostólicas exerciam disciplina e excluíam do número de seus membros as pessoas que andavam desordenadamente. Naquele, como em todos os tempos, torna-se preciso separar do povo de Deus as pessoas que outras coisas não fazem senão comprometer o Evangelho. "As Igrejas do primeiro século", objetará alguém, "estavam rodeadas de mil dificuldades, eram hostilizadas pela autoridade civil, e daí forçadas pelas circunstâncias a usarem de severa e rígida disciplina. Hoje, entretanto, não se dá o mesmo, o modo de agir dos cristãos é diferente e a disciplina eclesiástica deve ser menos rigorosa". Quem assim raciocina se esquece, por certo, de que hoje, como nos dias apostólicos, é preciso que os crentes mostrem sua fé pelas suas obras. O contrário disso será a falência do Cristianismo.
  Pode-se afirmar, portanto, que
 
  "...uma igreja sem disciplina é, espiritualmente falando, morta e incapaz de realizar a obra da evangelização, porque os seus membros são frios, indiferentes e pouco se importa que os homens se percam. O mundo nunca será conquistado para Cristo por Igrejas que deem de barato a esse importante privilégio de que Cristo revestiu o Seu corpo místico. Como era sublime contemplar, naqueles tempos áureos do Cristianismo, as relações da maior intimidade entre os irmãos! Como era de entusiasmar vê-los zelosos do bem, da pureza e da doutrina da religião do Crucificado!"

  Os cristãos dos tempos idos possuíam poder extraordinário, miraculoso mesmo, que se percebia quando se cuidava solicitamente da santidade da vida, do procedimento daqueles que faziam parte do corpo místico do Senhor! Era belo e sublime!
  Cada igreja apostólica era independente, autônoma, organicamente. Governavam-se essas congregações sem a intervenção de qualquer poder eclesiástico externo. Não reconheciam a autoridade de papas nem de concílios. Entretanto, a união espiritual era a mais completa que se pode imaginar. Efetuava-se essa união por aceitarem todas as Igrejas as mesmas doutrinas, os mesmos costumes e idêntica disciplina.
  Essa fraternidade da Igreja Primitiva tornava-se ainda mais intensa pela influência de homens como Paulo, Timóteo, Tito e outros, que constituíam verdadeiros e sagrados elos de união desses vários corpos de cristãos espelhados pelo vasto império dos Césares. Esses consagrados obreiros desempenhavam o papel que, um século mais tarde, vieram representar os sínodos e os bispos diocesianos. Alguém pode objetar dizendo que, não obstante terem sido as Igrejas apostólicas autônomas, não se conclui que o devam ser em todos os lugares e nem que essa espécie de comunidade devesse ser permanente. Sem pretendermos discutir aqui largamente o assunto, afirmamos apenas que não haveria época mais propícia para a existência de qualquer união orgânica ou autoridade externa do que a apostólica. As Igrejas sustentavam naquela ocasião a maior luta de sua história, precisando, portanto da cooperação decidida de todas para a realização da obra evangélica no mundo. Considerando a questão sob certo ponto de vista, para a conservação da fé cristã, seriam precisos não só a camaradagem, a fraternidade, mas também todos os esforços de uma união orgânica, e o prestígio da autoridade externa. Mas o que havia entre esses irmãos era a verdadeira união espiritual, a íntima fraternidade cristã, o amor que não se mede em palavras, mas em obra e verdade.
  Para que se conseguisse essa união, embora somente espiritual, era necessário que houvesse:
1⁰) Constante comunicação entre essas Igrejas;
2⁰) Doutrinação dos fiéis discípulos do Crucificado e instrução acerca da moral da nova Fé. Esse ensino era ministrado a princípio oralmente e com o auxílio da leitura das profecias do Antigo Testamento, que serviam para convencer os judeus e corroborar os princípios estabelecidos por Cristo e pelos apóstolos. Daí o costume das frequentes reuniões para o culto e estudo da Palavra de Deus. Dessas reuniões originar-se-iam as organizações eclesiásticas.
3⁰)Literatura apropriada. Logo começaram a circular as epístolas ou cartas apostólicas, que eram lidas em uma Igreja e passadas a outras, sendo também copiadas, como o provam os manuscritos e as cópias existentes. A literatura tornou-se um fator importante para a defesa e preservação da fé dos fiéis.
  Para reforçar a sua tese a respeito das Igrejas primitivas serem congregacionais, o Dr. Dale afirmou:

  "As Igrejas apostólicas não eram episcopais, não estavam sujeitas a nenhum chefe na terra nem a autoridades externas. Essas Igrejas eram congregacionais; o que resta provar é se essa forma de governo eclesiástico devia ser permanente, ou não; ou devia mudar, como acontece com a constituição política das nações, que está sujeita a grandes transformações com as mutações que sofrem as nacionalidades na sua vida e circunstâncias. Não é suficiente provar que as Igrejas primitivas eram congregacionais, é necessário também demonstrar que os princípios congregacionalistas estão radicados permanentemente na Revelação Cristã e que a política congregacionalista e a mais elevada e a mais natural forma de organização da Igreja Cristã, porque está em conformidade com o verdadeiro espírito de liberdade, que é o lema glorioso do Cristianismo".

Texto retirado do livro "Fundamentos e Princípios do Congregacionalismo" de autoria do Rev. Vanderli Lima Carreiro, pastor congregacional e mestre em Teologia, com especialização em Educação Religiosa.


  




segunda-feira, 26 de fevereiro de 2024

Fundamento Histórico do Congregacionalismo

 Autor: Rev. Vanderli Lima Carreiro 


  O sistema congregacionalista de governo eclesiástico teve o seu ressurgimento na Inglaterra, no século XVI, quando Isabel (1558 - 1603), filha de Henrique VIII, governava o Reino Unido. A princípio o congregacionalismo era um movimento reacionário à união da igreja com o Estado, especialmente ao "Ato de Supremacia", que indicava o rei como o chefe da Igreja. A estrita observância que se exigia a todos os súditos, dos ritos e costumes da Igreja Anglicana, ainda contaminada pelo ritualismo e pelas práticas da Igreja Romana, fez com que se fortalecesse o grupo de puritanos, dentro dela própria, e começassem a surgir os primeiros dissidentes separatistas, que adotavam a doutrina calvinista e propugnavam pela formação de comunidades eclesiásticas independentes e autônomas, nos anos de 1567 e 1568.

Rainha Isabel I


  O Rev. Porto Filho ressalta que, "já em 1561 foi publicada ali (em Londres) uma 'Exortação à reforma da Igreja', sustentando alguns princípios depois chamados congregacionalistas, e o Pr. Richard Fytz, considerado o mais antigo Pastor de uma Igreja desse tipo, editou um manifesto sobre 'As verdadeiras Marcas da Igreja de Cristo'". Este último fato também se deu em Londres, em 1570.

  Em 1580 Robert Browne, um clérigo anglicano, adotou as ideias congregacionalistas, e ao lado de Robert Harrison fundou, em Norwich, uma congregação independente, adotando o sistema congregacionalista. Foi forçado, porém, por causa da perseguição, a refugiar-se na Holanda. Robert Browne escreveu ali alguns tratados, principalmente um sob o título de Reformação sem esperar por Ninguém, no qual expunha suas doutrinas sobre a independência congregacional. Foi o primeiro teólogo do movimento e cedo as comunidades independentes passaram a receber o apelido de brownistas.

  Browne regressou para a Escócia, foi feito prisioneiro e, libertado um pouco depois e, provavelmente sob a pressão dos opositores "renunciou às ideias que divulgara e se reintegrou na Igreja Anglicana em 1591, ali falecendo como cura de uma pequena paróquia, em 1633".

Rev. Robert Browne
 
 Brownistas sendo enforcados 

  Os Congregacionalistas são, portanto, os descendentes da primeira Igreja independente na Inglaterra. Nos primeiros dias da Reforma, a Igreja "oficial" não via com bons olhos aqueles que se insurgiam contra a sua autoridade. Mas havia cristãos que se distanciaram das reformas que a Igreja "estabelecida" permitia. Henry Barrowe, John Greenwood e John Perry, todos graduados em Cambridge, não silenciaram diante das ameaças da Igreja estatizada e da corte, e foram detidos na Prisão de Fleet, onde agora se encontra o Congregational Memorial Hall, em Londres. Um tempo depois foram enforcados em Tyburn, em abril e maio de 1593.

Congregational Memorial Hall


  Os líderes do movimento congregacionalista, entre 1580 e o final do século, foram: Robert Browne, Henry Borrowe, John Green, Henry Ainsworth e Francis Johnson. Henry Ainsworth e Francis Johnson foram pastores da comunidade congregacionalista em Londres. Entretanto, ali não puderam permanecer e com grande número de crentes tiverem que procurar refúgio na Holanda, em 1602. Ali os dois líderes se desentenderam e a comunidade cindiu-se em dois grupos. O grupo que ficou sob a liderança de Johnson, com tendências presbiterianas mais radicais, depois da morte do seu líder, se extinguiu em 1610. O grupo sob liderança de Ainsworth, praticando um sistema mais suave de presbiterianismo, também se dissolveu depois que o seu líder faleceu em 1618.

  As congregações independentes mais influentes e historicamente as mais importantes, foram a de Gainsborough e a de Scrooby. Ambas nasceram em Gainsborough, em 1602. Porém parte da congregação começou a se reunir na Manor-House, casa senhorial de Scrooby. Deste modo surgiu uma nova comunidade independente, a pouca distância da primeira, e plenamente identificada com ela.

  Entretanto, logo as duas congregações tiveram que exilar-se na Holanda, devido às ameaças que sofriam de desterro ou prisão, da parte do reino, depois de ocupar o trono na Inglaterra o rei Tiago, em 1603. "Primeiro foi o grupo de Gainsborough, liderado por John Smyth, em 1606; depois o de Scrooby em 1608, com Richard Clifton no pastorado, William Brewester como seu assistente e John Robinson como mestre". Encontravam-se, pois, em Amaterdan, três congregações de exilados ingleses: a de Ainsworth, a de John Smyth e a de John Robinson, substituindo Richard Clifton, que se transferiu para a de Ainsworth.

  John Smyth logo entrou em desavença com Ainsworth, por causa do presbiterianismo. Em 1609, Smyth convenceu-se que o batismo infantil, então praticado por todos, era anti-bíblico e, "batizando a si mesmo e depois a seus companheiros iniciou com o seu grupo, na Holanda, a linhagem histórica dos batistas". Em sequência o Rev. Porto Filho esclarece que "naquele tempo a prática do batismo era o de afusão; a prática da imersão surgiu mais tarde, por volta de 1640, na Inglaterra, para onde o grupo voltou com Helwys, após a exclusão de Smyth, que havia passado para a comunidade dos menonitas, em 1611.

.                                        John Smyth, considerado um dos precursores do movimento batista 


  John Robinson não se envolveu no conflito entre Smyth e Ainsworth. Ele e a sua congregação sob a sua liderança estabeleceram-se em Leyden, cidade do sul da Holanda, em 1609. A congregação contava então com cem pessoas. Pouco tempo depois já se compunha de trezentas. Uma parte dessa congregação resolveu voltar para Londres, liderada por Henry Jacob, organizando a Igreja de Southwark, em 1616. Os que ficaram na Holanda resolveram que uma parte da congregação emigraria para o Novo Mundo, no começo de 1620. Robinson e outros fiéis se reuniram a eles mais tarde depois.

  Um grupo de emigrantes anglicanos chegou à América do Norte em 1628, no comando de John Endicott. Em 1629, outro grupo de anglicanos desembarcou na baía de Massachussets, liderados por John Wintrop, composto de trezentos homens, cem mulheres e crianças. Três ministros anglicanos acompanharam a expedição, com o alvo de estabelecer uma colônia de puritanos na América.

  Os de Endicott uniram-se a eles e em Agosto de 1629 foi organizada a Igreja de Salém, que tomou o nome de Congregacional, sendo imitada pelas que se seguiram. O Rev. Porto Filho ressalta que "o congregacionalismo foi adotado, ali, não por convicção nem por conversão doutrinária, mas por expediente político e administrativo". Não obstante, os independentes são reconhecidos como os fundadores dos Estados Unidos.

 Chegada dos puritanos na América 


  Oliver Cromwell, um militar e líder político inglês, era um independente. Após sua conversão religiosa, em 1630, tornou-se um puritano-independente, assumindo uma posição tolerante com os separatistas do seu tempo, durante o período em que liderou o exército britânico. Entre os congregacionais seus contemporâneos é citado John Owen, um dos grandes teólogos que a Inglaterra produziu.

Oliver Cromwell 


  Em 1662, com a publicação do "Ato de Uniformidade", os pastores das Igrejas da Inglaterra foram obrigados a concordar com os "39 Artigos da Religião" e a adotarem nos cultos o "Livro de Oração". Cerca de dois mil ministros recusaram fazê-lo e foram expulsos das suas residências. Muitos eram presbiterianos, mas outros haviam se tornado ministros das Igrejas Congregacionais, que ali existiam em bom número.

  Mais tarde, quando Deus abençoou o Seu povo com o reavivamento, nos dias de George Whitfield e dos Weslleys (John e Charles), especialmente, depois de uma inicial hesitação, as igrejas independentes estavam prontas a receber e a espalhar as bençãos.

  Na última década do século XVIII, abriu-se a era do movimento missionário moderno. Os Congregacionalistas da London Missionary Society (Sociedade Missionária de Londres) fundada três anos depois da Baptist Society (Sociedade Batista) de Carey, proporcionou uma variedade surpreendente de pioneiros. Estavam incluídos Van-der-kemp entre os Kaffirs (povo do extremo sul da África do Sul), Robert Morrison e Griffiths para a China, e John Williams para os Mares do Sul. Esses foram os respeitáveis sucessores do missionário congregacional pioneiro, John Eliot de Nazeing, que se uniu aos Pais peregrinos na América em 1631. Ele tem sido considerado o "Pai das Missões Modernas" e foi o primeiro a traduzir as Escrituras para um povo pagão com o propósito missionário.

  O começo do século XIX foi marcado pelo período da explosão populacional que acompanhou a Revolução Industrial. Movidos pela paixão pelas almas, os congregacionalistas daqueles dias produziram evangelistas e pregadores determinados a buscar "toda criatura" e trazê-las para o Evangelho. Este zelo intenso resultou na plantação de várias Igrejas nas cidades e vilas industriais. Eles foram os missionários urbanos pioneiros em incontáveis lugares nos países do Reino Unido.

  Não é possível estabelecer uma ligação direta de Robert Reid Kalley com o congregacionalismo na Inglaterra. Ele não era membro de nenhuma Igreja congregacionalista, e sim da Igreja Presbiteriana Livre da Escócia; nem veio para o Brasil enviado por uma agência missionária congregacional, embora a Missão que procurara para ser enviado à China fosse Congregacional - a Sociedade Missionária de Londres - que operava naquele país, onde o Dr. Kalley pretendia trabalhar, e só não foi devido ao agravamento da saúde de Margareth, sua primeira esposa, que não se adaptaria ao clima oriental. Por isso o Dr. Kalley rumou para a Ilha da Madeira, território insular português, cujo clima era favorável à recuperação do estado de saúde da Sra. Margareth. Tendo voltado para a Escócia, sua esposa veio a falecer. Numa viagem que fez ao Oriente, passando pelo Líbano, conheceu Sarah Poulton Wilson, com quem mais tarde se casou. Sarah era membro dedicada e atuante da Igreja Cogregacional de Torquay, na Inglaterra. Certamente Sarah exerceu influência sobre o esposo, com o seu conhecimento dos princípios e do governo congregacionalista. Isso também justifica a preferência de Kalley pelo sistema.

  O Rev. Porto Filho testemunha que

  "... o Dr Kalley era de origem presbiteriana. Particularmente era avesso a organizações legalistas e centralizadas. Seu espírito pastoral - e ele se caracterizava exatamente por seu ministério pastoral junto ao rebanho - o aproximava extraordinariamente de John Robinson, o celebrado pastor de Scrooby, Igreja-mater do congregacionalismo, em sua concepção do 'povo de Deus', da Igreja, e na aversão a contendas e discussões entre cristãos. Assim, ao criar a primeira Igreja Evangélica do Brasil, Kalley se distanciou da sua tradição presbiteriana, rígida em matéria de ordem eclesiástica e introduziu instituição do tipo congregacionalista. Com isso ficou expressada a independência da Igreja local de qualquer assembleia superior, e a corresponsabilidade de todos os fiéis no governo eclesiástico".

  Quanto ao sistema de governo adotado pelas Igrejas organizadas pelo Dr. Kalley, o Rev. Porto Filho explica:

  "Ainda que ele haja estabelecido presbíteros e, depois, diáconos, em sua comunidade eclesiástica, esse grupo de oficiais não recebe autoridade governativa da Igreja, senão o ministério de orientar e assessorar a Igreja que os elegeu, exatamente como esse corpo de varões e diáconos foi criado por Ainsworth na Holanda e mais tarde estabelecido nas comunidades congregacionalistas".

 Robert Kalley e sua esposa Sarah Kalley 


  A questão da identificação do congregacionalismo Kalleyano com as igrejas independentes ou congregacionalistas inglesas é contestada pelo Dr. Douglas Nassif Cardoso. Em sua obra Práticas Pastorais ele considera que pela influência de Francisco Antônio de Souza, e posteriormente pela do Rev. Manoel da Silveira Porto Filho, as Igrejas congregacionais brasileiras sofreram um desvio histórico, ou receberam uma "outra herança" por terem sido ligados "ao congregacionalismo americano e inglês". Concordamos que nunca existiu uma influência direta. Mas não pode negar que o fundamento teológico é o mesmo, como mais adiante se poderá notar.

  Há também os que declaram que o Dr Kalley era avesso ao denominacionalismo. Mas se pode afirmar o contrário, com base na palavra do Rev. Porto Filho:

  "(O Dr. Kalley) não era anti-denominacionalista, senão avesso a toda amarga e personalista controvérsia. Sabia, como escocês, das lutas terríveis das facções em sua terra e na Inglaterra. Mesmo na Madeira, vira como era pequena a propaganda e penetração da Igreja Escocesa ali estabelecida no sentido de evangelizar o povo. Seus trabalhos na Ilha, feitos sem conexão com a Igreja, em caráter particular, com a dedicada colaboração dos neo-convertidos, baseados em testemunho pessoal, tinham influência missionária mais pronunciada e estavam ganhando os nativos. Talvez isso e o fato de ter sido ordenado pela Sociedade Missionária de Londres e não por uma Igreja estabelecida, tornam-no descomprometido com qualquer denominação".

  Além dessa declaração incontestável do Rev. Porto Filho, pode-se acrescentar uma informação incluída em artigo publicado em O Cristão, de autoria da bibliotecária Esther Marques Monteiro. Veja-se o teor da informação: "Em 1878, o Dr. Kalley sugeriu, em carta, o seguinte: 'Será conveniente formar uma Associação de Igrejas que aceitem os 28 Artigos da Breve Exposição'".

  Por que as Igrejas organizadas pelo missionário Kalley não foram logo nomeadas "congregacionais "? O Rev. Porto Filho esclarece que:

  "no último quartel de 1800, a influência do liberalismo teológico ganhou terreno, tanto nos Estados Unidos como na Inglaterra, entre Igrejas e seminários. O Congregacionalismo não ficou imune a essa influência. A oposição do doutor ao nome decorria do receio de suas Igrejas poderem ser confundidas com as correspondentes Igrejas americanas e inglesas e com as correntes de pensamento e costumes que nelas predominavam".

  Justificada está a razão pela qual as Igrejas criadas pelo Dr. Kalley não ostentavam o nome"congregacional". Eram identificadas como Igreja Evangélica Fluminense, Igreja Evangélica Pernambucana, Igreja Evangélica de Passa Três e Igreja Evangélica de Niterói. Também a denominação não recebeu o nome congregacional na primeira Convenção, em 1913. Chamou-se "Convenção das Igrejas Evangélicas Indenominacionais". Somente em 1916, o nome "congregacional" foi empregado: Aliança das Igrejas Evangélicas Congregacionais Brasileiras e Portuguesas. Desde então a denominação recebeu outros nomes, até 1969, quando lhe foi dado o designativo de União das Igrejas Evangélicas Congregacionais do Brasil (UIECB), nome que prevalece até hoje.

Igreja Evangélica Fluminense 


Texto retirado do livro "Fundamentos e Princípios do Congregacionalismo" de autoria do Rev. Vanderli Lima Carreiro, pastor congregacional e mestre em Teologia, com especialização em Educação Religiosa.


terça-feira, 20 de fevereiro de 2024

Por que sou fundamentalista?

 



 Esse vídeo é da Igreja Presbiteriana Fundamentalista do Ipsep. Ele explica perfeitamente porquê nós cristãos protestantes devemos ser fundamentalistas. Devemos sim viver e defender a Palavra de Deus em sua literalidade. Devemos ser diferentes e separados desse mundo, pois para isso o Senhor nos escolheu e nos chamou.
  Esse vídeo é de grande importância para os nossos dias, pois vivemos dias em que muitos líderes evangélicos têm se entregado ao ecumenismo religioso, fazendo assim associação com as trevas, quando na verdade a bíblia nos exorta a não fazermos nenhuma associação com as trevas.
  Por favor, assistam ao vídeo!

Vídeo retirado do blog da Igreja Presbiteriana Fundamentalista do Ipsep.

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2024

Carnaval: origem e natureza

Autor: Diácono Nicodemos R. dos Santos 


  Modernamente, costuma-se afirmar que o carnaval é alegria do povo, que expressa a cultura popular e que é festa folclórica. A explicação é vaga. Diz-se que é boa ocasião para atrair turista estrangeiro a fim de carrear divisas para os cofres do país.
  CARNAVALE - Vocábulo italiano que significa "adeus à carne", é festa de muita alegria, folia e orgia que precede a quarta-feira de cinzas. A comemoração do carnaval é de origem pagã. Desde os tempos imemoriais do Egito antigo, no outono, realiza-se a festa do boi Apis - animal sagrado. 
  Escolhia o boi mais belo e todo branco, o qual era pintado com várias cores, hieróglifos e sinais cabalísticos. O boi era conduzido pelas ruas e levado até o Rio Nilo, onde era afogado. Em procissão, sacerdotes, magistrados, homens, mulheres e crianças fantasiados grostescamente, iam atrás dele dançando e cantando em promiscuidade até o seu afogamento. Com as conquistas da Grécia e de Roma, a festa foi transportada para outros países, sob outras formas e denominações. Na Grécia, tomou o nome de Dionisíaco, em honra ao deus do vinho - Dionísio. Em Roma, bacanal em homenagem ao deus do vinho - Baco. Nessas comemorações, a aristocracia misturava-se com o populacho, os tribunais e estabelecimentos oficiais se fechavam, e se abriam todos os lugares de divertimento, onde a devassidão, a orgia e o prazer sensuais eram inomináveis. Com o advento do Cristianismo, as festas pagãs se arrefeceram, mas na Idade Média, sob a tolerância da Igreja dominante, recruscedera entre os povos de educação latina sob a única denominação de carnaval. No Brasil, com o caldeamento cultural afro-brasileiro e com os rituais diferentes, o carnaval empolga multidões e é motivo de atração turística. Como em todos os tempos e lugares no Brasil, a festa é portadora de nefastas consequências ao indivíduo, à familia e à sociedade. O carnaval é festa religiosa, revivescência do paganismo antigo, dedicado a MOMO - deus da zombaria, do sarcasmo, da pândega e que está ligado a quaresma - período de abstinência e jejum, que termina com a semana chamada santa. O cristão deve se conduzir pelas determinações bíblicas. Momo é satanás dissimulado. Jesus em sua quaresma de jejum e oração repeliu o falso deus. "Então disse-lhe Jesus: Vai -te, Satanás, porque está escrito: Ao Senhor teu Deus adorarás, e só a ele servirás". (Mat. 4:10)
  Veja o que diz o Salmo 115: 1-8: "Não a nós, Senhor, não a nós, mas ao teu nome dá glória, por amor da tua benignidade e da tua verdade. Por que dirão as nações: Onde está o seu Deus? Porém o nosso Deus está nos céus; fez tudo o que lhe aprouve. Os ídolos deles são prata e ouro, obra das mãos dos homens. Têm boca, mas não falam; olhos têm, mas não veem. Têm ouvidos, mas não ouvem; narizes têm, mas não cheiram. Têm mãos, mas não apalpam; pés têm, mas não andam; nem som algum sai da sua garganta. A eles se tornem semelhantes os que os fazem, assim como todos os que neles confiam". Ele afirma que quem adora um deus morto se torna espiritualmente igual a ele. Momo é deus morto, cuja falsa duração é de três dias, cultuado pelos foliões, e que conforme a mitologia foi expulso de Olimpo, para ser na terra o rei dos loucos. Pelo exposto, carnaval é festa religiosa que se contrapõe ao cristianismo verdadeiro. A lenda mitológica conta que júpiter se impressionou com a formosura da princesa Europa e tomou forma de belo boi branco como a neve e misturou-se com o rebanho. Europa, atraída pela mansidão do animal e por seu elegante porte, enfeitou-o com flores e subiu no seu dorso. Imediatamente, em carreira veloz, júpiter se dirigiu para o mar e levou a linda princesa para praias desconhecidas. Satanás é assim. Como o anjo de luz com todo o poder de mentira, de mistificação, ilude incautas criaturas por meios atraentes como as festas carnavalescas, e as leva para as praias ignotas da perdição. "E não é de admirar, porque o próprio Satanás se transfigura em anjo de luz". (2Co 11:14)
  "A esse cuja vinda é segundo a eficácia de Satanás, com todo o poder e sinais e prodígios de mentira, e com todo o engano da injustiça para os que perecem, porque não receberam o amor da verdade para se salvarem". (2Ts 2: 9-10)
  O carnaval é revivescência das religiões pagãs e de maneira alguma deveria estar justaposta ao período da quaresma que começa com a quarta-feira de cinzas. Lamentável é que criaturas que se dizem cristãs festejam o carnaval, ressurgimento do paganismo de priscas eras e responsável pelos danos e efeitos morais para homens, mulheres, jovens de ambos os sexos, também crianças e uma das causas da desorganização da família e de graves problemas sociais. A festa carnavalesca é culto imerecido ao falso deus Momo que constitui ofensa à pessoa do Deus vivo e verdadeiro. O único meio de se libertar de tal atração é a confiança em Jesus, o filho de Deus, que veio ao mundo destruir as obras do diabo. "Quem comete o pecado é do diabo, porque o diabo peca desde o princípio. Para isto o Filho de Deus se manifestou: Para desfazer as obras do diabo". (1Jo 3:8)

Texto extraído do antigo jornal "O SERVO" (janeiro / fevereiro de 2002) que pertencia à Associação de Uniões de Homens Evangélicos Congregacionais do Brasil. Foi escrito pelo Diácono Nicodemos R. dos Santos.