Santidade

Devemos ser santos na terra, se quisermos ser santos no céu. Foi Deus que disse e Ele não voltará atrás: “A santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor” (Hebreus 12:14). Observou William Jenkyn: “O calendário do papa só declara santos às pessoas mortas, mas as Escrituras requerem a santidade da parte dos vivos”. John Owen afirmou: “Não se deixe iludir. O Senhor Jesus Cristo só conduz ao céu àqueles a quem Ele santifica na terra. O Cabeça vivo não admite membros mortos”. J.C. Ryle

quinta-feira, 2 de maio de 2024

A origem do nome Jesus é pagã?

 Autor: Roger Gonçalves 



  O que acontece no caso do nome “Jesus” é um caso simples de soletração. O nome de Jesus, Jesua ou de Josué eram nomes muito comuns nos dias bíblicos. Os nomes próprios não podem ser traduzidos, ou melhor, não há tradução para eles.

 “Vi esse assunto num site e fiquei pensativo: disseram que a origem do nome “Jesus” é pagã, ou seja, não deveríamos usar este nome. Disseram também que o nome do “Messias” é Yehoshuah, e que as pessoas estão invocando o nome errado, pois no alfabeto hebraico a letra “J” não existe. Essa não é a minha opinião. Apenas gostaria de mais esclarecimento.”

  O que acontece no caso do nome “Jesus” é um caso simples de soletração. O nome de Jesus, Jesua ou de Josué eram nomes muito comuns nos dias bíblicos.

 Sabemos que nomes próprios não podem ser traduzidos, ou melhor, não há tradução para eles. Por causa disto, quando um nome próprio passa de uma língua para outra, a língua que recebe o nome faz uma adaptação deste às regras fonéticas da nova língua onde o nome será usado.

  Não é uma questão de tradução de nome, mas de adaptação à  fonética da língua que recebe o nome estrangeiro. Esta adaptação leva o nome de transliteração.

  Deixe-me dar um exemplo do nome João, que em hebraico o nome é יוחנן – Yochanan, em grego Ἰωάννης – Ioánnes, em alemão Johann ou até Johannes, em francês Jean, em espanhol Juan, em italiano Giovanni, em inglês John, e assim por diante. Não são traduções do nome, mas adaptações às regras linguísticas de cada uma destas línguas. Assim o nome é soletrado (ou pronunciado), às vezes, de forma tão distinta, que uma língua pode não reconhecer a soletração da outra, como sugere ser o caso do alemão e do italiano, por exemplo.

  Este mesmo caso de soletração em várias línguas ocorre com o nome “Jesus”. Com a complexa história linguística do povo judeu, os nomes próprios sofreram esta adaptação a cada novo idioma utilizado pelos judeus. Como o nosso interesse aqui é sobre o nome de Jesus, vamos nos concentrar nele. Podemos fazer dois caminhos: um progressivo, começando das raízes hebraicas deste nome até chegarmos à sua forma em português; e outro regressivo, começando do português até a forma mais antiga conhecida deste nome, que está em língua hebraica. Vamos tomar o progressivo.

  A história da soletração do nome “Jesus” em português começa com o hebraico – Yehôshua – יהושע, que em português é adaptado como Josué; passa pelo aramaico – Yeshua – ישׁוּעָ, que em português é adaptado como Jesua; passa pelo grego – Iesoûs – Ἰησοῦς; passa pelo latim – Iesus; e finalmente chega ao português Jesus. O importante é notar que estas diferentes soletrações não são traduções do nome, mas adaptações fonéticas que cada língua fez para poder pronunciar o nome dentro da fonologia própria de cada língua. O nome Josué, Jesua ou Jesus é o mesmo nome em hebraico, aramaico, grego, latim ou português, e tem o mesmo significado: “Javé é salvação”.  A questão é de soletração, não de tradução.

   Jesus. Do gr. Iésous, equivalente ao heb. Yehoshua, “Josué” (ver Atos 7:45; Hebreus 4:8, em que Lucas e Paulo se referem a Josué como Iésous, “Jesus”). Em geral se entende que este nome significa “Yahweh é salvação” (ver Mateus 1:21) (…)

  O nome original de Josué, Oseias, foi mudado para Jehoshua (Números 13:16). Josué é uma Jehoshua. Quando o aramaico substituiu o hebraico como idioma comum dos judeus, após o cativeiro babilônico, o nome se tornou 'Yeshua', forma transliterada para o grego como Iésous. 'Yeshua' era um nome comum entre os judeus da época do NT (ver Atos 13:6; Colossenses 4:11), em harmonia com o costume hebraico de escolher nomes com significado religioso.

  Hoje os nomes servem apenas como identificação, mas nos tempos bíblicos o nome de um filho era escolhido com todo cuidado porque representava a fé e a esperança dos pais, as circunstâncias do nascimento da criança, suas características pessoais ou estava relacionado a sua missão na vida, principalmente quando o nome era designado por Deus.

  O nome Jesus está repleto de lembranças históricas e vislumbres proféticos. Assim como Josué tinha conduzido Israel à vitória na terra prometida, assim também Jesus, o capitão de nossa salvação, veio para abrir os portões da Canaã celestial. Contudo, Jesus não é só o autor de nossa salvação (Hebreus 2:10), Ele também é Apóstolo e Sumo Sacerdote da nossa confissão (Hebreus 3:1). O sumo sacerdote, que voltou do cativeiro babilônico (Esdras 2:2), se chamava Josué (Zacarias 3:8; 6:11-15). Assim como Oseias (nome idêntico no hebraico ao Oseias de Números 13:16), que amou a esposa indigna e buscou em vão ganhar suas afeições e finalmente a comprou de volta no mercado de escravos (Oseias 1:2; 3:1,2), Jesus veio para libertar a raça humana da escravidão do pecado (Lucas 4:18; João 8:36).

Roger Gonçalves é teólogo, apologeta e membro da Primeira Igreja Batista de Paciência.

sexta-feira, 12 de abril de 2024

Breve biografia de J. C. Ryle

 Texto da Igreja Bíblica Congregacional Marengo 


  De John Charles Ryle:

  "É bom entender que servir a Cristo nunca foi e nunca será, uma garantia contra todos os males dos quais a nossa carne é herdeira. Se você é crente, deve considerar a possibilidade de ter a sua quota de doenças e de dor, de tristezas e de lágrimas, de perdas e de cruzes, de mortes e de privações, de despedidas e de separações, de ignomínia e de desapontamentos, enquanto você estiver nesse corpo. Cristo nunca prometeu que você iria para o céu sem passar por essas coisas. Ele prometeu que todo aquele que vem a Ele terá todas as coisas que conduzem à vida e à piedade; entretanto, Ele nunca prometeu que os faria prósperos ou ricos, ou saudáveis, e que a morte e as tristezas nunca chegariam à sua família".

  "Tenho o privilégio de ser um dos embaixadores de Cristo. Em Seu nome, posso oferecer vida eterna a todo homem, mulher ou criança, que deseja obtê-la. Em Seu nome, posso oferecer perdão, paz, graça, glória a qualquer filho ou filha de Adão que lê estas linhas. Contudo, não ouso oferecer prosperidade a essa pessoa como sendo parte e uma porção do evangelho. Não ouso oferecer vida longa, um salário mais alto e libertação da dor. Não ouso prometer ao homem que toma sua cruz e segue a Cristo que ele nunca encontrará uma tempestade em seu caminho".

  "Bem sei que os homens não se agradam dessas condições. Eles preferem ter a Cristo e boa saúde, Cristo e muito dinheiro, Cristo e nenhuma morte na família, Cristo e nenhuma preocupação desgastante, Cristo e uma eterna manhã sem nuvens. Porém, eles não gostam de Cristo e a cruz, Cristo e tribulação, Cristo e conflitos, Cristo e ventos uivantes, Cristo e tempestade".

  Ao destacar esta palavra do Pr. John Charles Ryle, o faço pedindo que compare com o que normalmente muitos que se apresentam como pastores e mestres estão falando. Você consegue perceber que o número de falsos mestres é muito grande? Vamos atender bem a recomendação bíblica: “Ninguém vos engane com palavras vãs” (Efésios 5:16).

  Quem foi John Charles Ryle (1816-1900)?

  Nascido na Inglaterra, numa família que lhe permitiu ter uma excelente educação. Destacou-se como atleta e alcançou alto nível em História e Filosofia Greco-Romana tanto antiga quanto moderna. Ele não aceitou atuar na área do ensino e tudo indicava que seguiria uma carreira política, no entanto foi despertado espiritualmente com o texto de Efésios 2 (se puder separe uns minutos para meditar neste texto), vindo a tornar-se ministro cristão.

  Ryle estabeleceu igrejas fortes e bem alimentadas da palavra de Deus, mantendo sempre a pregação fiel do Evangelho, destacando-se pela defesa vigorosa da verdade com graciosidade e entusiasmo. Dedicou-se também a escrever material para que o povo pudesse compreender as doutrinas cristãs evangélicas. Seus livros: “Comentários aos Evangelhos” e “Santidade” são extraordinários e até hoje ainda nos falam e de maneira insuperável.

O texto de JOHN CHARLES RYLE foi extraído do livro "SANTIDADE SEM A QUAL NINGUÉM VERÁ O SENHOR", uma publicação da Editora Fiel (http://www.editorafiel.com.br). Este livro é um CLÁSSICO! Insuperável neste tema.

terça-feira, 2 de abril de 2024

A graça no cristianismo versus as obras infrutíferas das religiões

Autor: Rev. Miguel Núnes 


  Há muitos anos, na Inglaterra, foi feito um congresso de religiões comparadas com a ideia de reunir vários especialistas em diferentes religiões e compará-las. Em um dado momento, esses eruditos se perguntaram se o Cristianismo tinha algo particular que não pudesse ser encontrado em nenhuma outra religião. Alguns mencionaram a encarnação, mas outros comentaram que outras religiões têm sua própria versão de deuses que aparecem em formas humanas. Outros mencionaram a ressurreição, porém alguns objetaram porque há outras religiões que têm sua própria versão de pessoas que ressuscitaram. E enquanto estavam envolvidos nessa discussão, entrou no salão C.S. Lewis, um dos grandes pensadores e defensores da fé cristã do século XX, e ele pergunta qual era o tema da discussão. Explicam para ele o que vinham analisando. E, sem pensar duas vezes, C.S. Lewis diz: "Ah! Isso é fácil; é o conceito da graça". E, depois de discutir por um momento, os especialistas tiveram que concluir que certamente em nenhuma outra religião Deus oferece Seu amor e Sua salvação completamente de graça; de forma incondicional. Somente no Cristianismo há essa condição.

  Pensemos, a título de comparação, em algumas religiões:

  O budismo tem um sistema de oito passos para libertar o homem de seus desejos egoístas nesta vida, porque não há outra vida depois desta. O budismo é uma religião ateia. Obras humanas para libertar o homem de seu egoísmo. Diga-se de passagem, Buda abandonou sua esposa e filho para se dedicar à vida contemplativa. Essa foi uma decisão egoísta.

  O hinduísmo tem a lei do Karma que fala de como o ser humano reencarna repetidamente por mil ou talvez milhões de anos para purificar seu karma até chegar supostamente a unir-se com Brama, a divindade suprema, é a única verdadeira realidade. Obras de purificação do Karma, esforço humano.

  O judaísmo também permanece crendo nas obras da Lei para a salvação. Obras ou esforços humanos.

  No islã, Alá determina a sorte das pessoas no fim dos tempos, mas ninguém pode conhecer a vontade de Alá. Ao final, Alá determinará se você entra ou não na sua presença. Há um código a cumprir e Alá avaliará suas obras para a salvação ou para a condenação. Outra vez, o esforço humano.

  Somente no Cristianismo você encontra a ideia de salvação oferecida ao homem pela graça, baseada no amor incondicional de Deus.

  Agora, lembre-se de que a única razão pela qual o Cristianismo pode oferecer o amor de Deus de forma incondicional é porque houve uma pessoa que pagou a dívida pendente. De maneira que a graça de Deus pode ser definida como as riquezas de Deus dadas a nós através de Cristo; através do sacrifício que Cristo fez. E isso nos fala Paulo em Efésios 2.

Texto retirado do livro "Ensinamentos que transformaram o mundo", cujo autor é o doutor Miguel Núnes, pastor titular da Igreja Batista Internacional em Santo Domingo, República Dominicana. 



sexta-feira, 22 de março de 2024

Livreto presbiteriano desmascara mentiras do catolicismo romano

Autor: Rev. Adão Carlos Nascimento 

  Estudo baseado no livreto presbiteriano "A razão de nossa fé". Perguntas de número 4, 5 e 16. Para mais detalhes, veja também o nosso estudo "O desvio da igreja e a Reforma Protestante".

4- É verdade que a primeira Igreja que surgiu foi a Igreja Católica?

Resposta: Não, não é verdade. A Igreja do Novo Testamento é chamada de Igreja primitiva por ter sido a primeira e não ter nenhum nome especial. Esta Igreja não pode ser identificada com a Igreja Católica Romana por várias razões, como, por exemplo, as seguintes:

1- Os problemas doutrinários e éticos surgidos na Igreja primitiva eram resolvidos pelo Presbitério (Atos 15:1-29); na Igreja Católica, são resolvidos pelo papa.

2- Na Igreja primitiva não havia missa; havia culto com cânticos de hinos, orações, leitura bíblica e pregação.

3- Todos os membros da Igreja primitiva participavam do pão e do vinho na Santa Ceia (1Coríntios 11:23-29); na Igreja Católica só o padre é que participa do vinho comunhão.

4- Na Igreja primitiva não havia padre, nem cardeal, nem papa; havia, sim, presbíteros e diáconos. Qualquer pessoa que examinar o Novo Testamento, fundamento da Igreja cristã, verá claramente que a Igreja Católica Romana não tem nenhuma semelhança com a Igreja primitiva.

5- Como surgiu a Igreja Católica Romana?

Resposta: Surgiu da degeneração da Igreja primitiva. Desde o início, homens fraudulentos entraram para a igreja. No princípio, entretanto, as perseguições contra os cristãos se encarregaram de purificar a comunidade cristã. No ano 323, por um decreto do imperador Constantino, o Cristianismo passou a ter proteção oficial do Império Romano. Cessaram as perseguições e muitas pessoas, sem serem verdadeiramente convertidas, entraram para a igreja. A atuação de tais pessoas e a influência do mundo pagão levaram a igreja a adotar doutrinas e práticas que se chocam brutalmente com os ensinos bíblicos. Eis alguns exemplos: no ano 375 foi instituído o culto aos santos; no ano 431 instituiu-se a culto a Maria, a partir de Concílio de Éfeso, cidade que pontoficava a grande Diana dos efésios, divindade feminina pagã; em 503, surgiu a doutrina do purgatório, em 783 foi adotada a adoração de imagens e relíquias; em 1090 inventou-se o rosário; em 1229 foi proibida a leitura da Bíblia. Há muitas outras inovações. Felizmente, Deus levantou homens para conduzir seu povo de volta à Bíblia. Vários movimentos de reforma religiosa, inclusive os propostos pelos Concílios de Constança, Pisa e Basileia, fracassaram. Porém, a Reforma Religiosa do século 16 triunfou.

16- Por que a Bíblia "Católica" tem sete livros a mais do que a "nossa" Bíblia?

Resposta: Porque o Concílio de Trento, no dia 15 de abril de 1546, anexou, por decreto, esses livros à Bíblia. Nós não os aceitamos e a "nossa" Bíblia não os têm porque eles não possuem nem as evidências externas, nem as evidências internas de que são inspirados por Deus. A Igreja Católica Romana nos acusa de termos retirado sete livros das Escrituras. No entanto, foi ela que os acrescentou à Bíblia, no Concílio de Trento.

Texto extraído do livreto "A razão de nossa fé" de autoria do Rev. Adão Carlos Nascimento, pastor presbiteriano.

quinta-feira, 14 de março de 2024

Criacionismo Bíblico

Autor : Ricardo dos Santos 


  Você já ouviu falar no criacionismo bíblico? Alguma escola que você já tenha passado te informou que existe um Deus criador que formou os céus e a terra pelo poder de Sua Palavra? Algum professor já te explicou que existe um modelo criacionista baseado em Gênesis capítulo 1 e 2, onde a bíblia explica perfeitamente como tudo surgiu a partir do nada? E se alguém te disser que todo esse sistema evolucionista Darwinista que te apresentaram nas escolas não passa de um grande engano, de uma grande fraude? E se alguém te disser que a terra veio da água e não de uma grande explosão (Big Bang) como te ensinaram?
  Existe um ditado que diz que uma mentira contada mil vezes acaba se tornando verdade. Porém, uma mentira vai sempre ser mentira, mesmo que o mundo inteiro acredite nessa mentira, já a verdade, sempre será verdade, mesmo que o mundo inteiro a odeie. E o que é a verdade? Veja o que está escrito no evangelho de João: "Santifica-os na tua verdade; a tua palavra é a verdade" (João 17:17). No mesmo evangelho de João também está escrito: "Disse-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim" (João 14:6). Ou seja, a palavra é Jesus, o caminho é Jesus, a verdade é Jesus, a vida é Jesus. O Senhor Jesus é o autor de todas as coisas. Ainda no evangelho de João está escrito: "Todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez. Nele estava a vida, e a vida era a luz dos homens" (João 1:3-4). "Estava no mundo, e o mundo foi feito por ele, e o mundo não o conheceu" (João 1:10). No princípio as coisas foram feitas tudo de maneira ordenada e perfeita. Nós seres humanos fomos feitos à imagem e semelhança de Deus, porém o pecado veio para estragar tudo, por isso estamos vendo hoje o mundo à beira de um caos.
  Existem muitas testemunhas tanto na bíblia quanto em diversas outras diferentes culturas a respeito do criacionismo. Um grande exemplo disso é a narrativa do dilúvio universal. A bíblia narra que Deus destruiu o mundo em água, salvando apenas Noé e sua família. Nos diversos povos e culturas espalhados pelo mundo você encontrará o relato dessa grande catástrofe. Infelizmente, muitos cientistas incrédulos e orgulhosos negam esse fato. Mas, a verdade está cada vez mais vindo à tona. Muitos cientistas e estudiosos de diversas áreas não se encurvaram para esse sistema evolucionista Darwinista. Eles estão mostrando a verdade e muitos que acreditavam nisso estão sendo libertos.
  Creia hoje mesmo no Senhor Jesus Cristo. Fuja deste mundo. Jesus é o único que te leva para Deus, fora dele não existe outro caminho.

Ricardo dos Santos 












terça-feira, 12 de março de 2024

O desvio da igreja e a Reforma Protestante

Autor: Rev. Wilson G. Sallum 



  Aqui estaremos informando passo a passo como a igreja cristã foi se desviando das verdadeiras doutrinas deixadas pelo Senhor Jesus e seus apóstolos, abrindo espaço assim para a formação do catolicismo romano. A Igreja Católica Apostólica Romana nada mais é do que o resultado de um conjunto de falsas doutrinas que foram sendo impostas no cristianismo no decorrer dos séculos. 

  Estaremos colocando na sequência o ano, a doutrina imposta e o texto bíblico que refuta tal doutrina.

  • Ano 310 - Doutrina: reza pelos defuntos - Refutação: Hebreus 9:27; Hebreus 2:1-3; Hebreus 3:15.
  • Ano 320 - Doutrina: uso de velas - Refutação: João 4:24.
  • Ano 375 - Doutrina: culto dos santos - Refutação: Atos 14:13-15; Atos 10:25-26; Êxodo 20:2.
  • Ano 404 - Doutrina: instituição da missa como sacramento perpétuo de Cristo - Refutação: Hebreus 9:23-26.
  • Ano 431 - Doutrina: culto à virgem Maria - Refutação: Apocalipse 22:9.
  • Ano 500 - Doutrina: uso da roupa sacerdotal - Refutação: Colossenses 2:23.
  • Ano 503 - Doutrina: purgatório - Refutação: 1João 1:7; João 15:3; Colossenses 2:13.
  • Ano 600 - Doutrina: Bonifácio III se declara bispo universal (papa) - Refutação: Colossenses 1:1.
  • Ano 606 - Doutrina: obrigação de beijar os pés do papa - Refutação: Mateus 24:5; Mateus 23:9-10.
  • Ano 754 - Doutrina: poder temporal da igreja - Refutação: João 18:36.
  • Ano 783 - Doutrina: adoração de imagens e relíquias - Refutação: Êxodo 20; Salmo 115; Isaías 44:9-20.
  • Ano 880 - Doutrina: uso da água benta - Refutação: Hebreus 13:9.
  • Ano 890 - Doutrina: culto de São José (protodulia) - Refutação: Apocalipse 22:9.
  • Ano 993 - Doutrina: canonização dos santos - Refutação: Colossenses 1:2.
  • Ano 1003 - Doutrina: instituição da festa dos fiéis defuntos - Refutação: Deuteronômio 18:9.
  • Ano 1004 - Doutrina: celibato sacerdotal - Refutação: 1Timóteo 4:2-5.
  • Ano 1076 - Doutrina: dogma da infalibilidade da igreja - Refutação: Filipenses 3:12-13.
  • Ano 1090 - Doutrina: invenção do rosário -  Refutação: Mateus 6:7-8.
  • Ano 1184 - Doutrina: instituição da santa inquisição - Refutação: Mateus 5:21-22.
  • Ano 1190 - Doutrina: venda de indulgências (simonia) - Refutação: Atos 8:20.
  • Ano 1200 - Doutrina: pão da comunhão substituído pela hóstia - Refutação: Mateus 26:26.
  • Ano 1215 - Doutrina: criada a confissão auricular - Refutação: 1Timóteo 2:5.
  • Ano 1220 - Doutrina: adoração da hóstia/missa (idolatria) - Refutação: Êxodo 20.
  • Ano 1230 - Doutrina: proibição da leitura da bíblia - Refutação: Salmo 19:7.
  • Ano 1245 - Doutrina: uso da campainha na missa - Refutação: 1Timóteo 6:3.
  • Ano 1316 - Doutrina: instituição da reza "Ave Maria" - Refutação: Mateus 4:1.
  • Ano 1415 - Doutrina: eliminação do vinho da comunhão - Refutação: 1Coríntios 11:25-26.
  • 31 de outubro de 1517: Lutero prega suas 95 teses como protesto a diversos pontos da doutrina da Igreja Católica Romana.

  • Ano 1546 - Doutrina: tradição equiparada à bíblia - Refutação: Mateus 15:6.
  • Ano 1546 - Doutrina: introdução dos livros apócrifos - Refutação: Jeremias 23.
  • Ano 1600 - Doutrina: invenção do escapulário (bentinhos) - Refutação: Êxodo 20.
  • Ano 1854 - Doutrina: Imaculada Conceição de Maria - Refutação: Lucas 1:47.
  • Ano 1870 - Doutrina: infalibilidade papal - Refutação: Romanos 3:10,12.
  • Ano 1908 - Doutrina: só o casamento religioso é válido - Refutação: Romanos 7:1-6.
  • Ano 1950 - Doutrina: ascensão de Maria - Refutação: João 13:13.
Estudo bíblico da Igreja Bíblica Congregacional de Artur Alvim, São Paulo. Autor do estudo: Rev. Wilson G. Sallum.



sábado, 2 de março de 2024

Fundamento Bíblico do Congregacionalismo

Autor: Rev. Vanderli Lima Carreiro 



  No Novo Testamento não se encontram mandamentos expressos sobre a forma de governo eclesiástico. Daí as diversas opiniões sobre o assunto. Mas as palavras de Cristo, a respeito do modo pelo qual deve a Igreja se conduzir com referência ao irmão impenitente, pressupõem a existência de uma assembleia cristã ou Igreja (Mt 18:15-17). Nada se diz, entretanto, nos Evangelhos, acerca da maneira como essa Igreja deve ser organizada. Descobrimos traços gerais da organização eclesiástica primitiva no livro dos Atos dos Apóstolos e nas epístolas.
  O Dr. Dale, defendendo que o sistema congregacional tem fundamento bíblico, afirma que "em favor do congregacionalismo milita o fato de que a comunidade eclesiástica primitiva era, sem contestação, congregacional".
  As doutrinas de que Jesus é o Filho de Deus, de que morreu para remissão de pecados, ressuscitou e recebeu todo o poder no céu e na terra são verdades incontestáveis e que ou ficam de pé com o cristianismo ou este cai com elas. O mesmo já não acontece com a forma de governo eclesiástico. A forma de governo da Igreja do primeiro século podia muito bem não se adaptar à do terceiro. É perceptível a todos que, desde os dias apostólicos até a data presente, se haja operado grandes mudanças no seio da Igreja Cristã em suas relações para com a sociedade. Constata-se que o número de membros das Igrejas geralmente aumenta de ano para ano. Em vez dos perseguidos, indoutos e sem letras, como eram os cristãos dos tempos primitivos, os da atualidade pertencem a todas as camadas da sociedade. Muitos deles são médicos, advogados, professores, estadistas e soberanos. Há ministros conselheiros de reis e amigos de presidentes.
  "Essa modalidade tão diversa das relações da Igreja para com a sociedade moderna produziria alguma modificação no governo eclesiástico?", pergunta-se e logo se responde que "se as leis gerais que afetam o destino das nações influem na vida orgânica da Igreja, poder-se-á responder pela afirmativa".
  As comunidades apostólicas compunham-se só e exclusivamente dos que faziam profissão de fé pessoal em Cristo e somente sob essas condições eram admitidos à comunhão da Igreja. Daí o serem chamados "fiéis" ou "santos em Jesus Cristo" nas epístolas. Naqueles tempos a Igreja consistia, "diga-se com verdade, daqueles 'heróis da fé'. Tornar-se cristão no primeiro século, romper com a sinagoga judaica, desligar-se dos laços do paganismo expirante e morimbundo não era tarefa de fácil execução. Exigia profunda convicção pessoal".
  Quanto à questão sobre quem as Igrejas devem receber como membros, assim se lê:
  
  "Na era apostólica, os que estavam fora da Igreja não eram cristãos nominais, mas judeus e pagãos. Talvez se encontre quem pretenda argumentar que o precedente da Igreja Primitiva não autoriza os Congregacionalistas brasileiros a somente receberem como membros da Igreja os que respondem por sua própria fé pessoal em Cristo, os que dão provas de haverem recebido perdão de pecados e a dádiva da vida eterna; mas nos parece ser esse procedimento, não só está de acordo com o precedente apostólico, mas também tacitamente autorizado e estabelecido pelo Novo Testamento".

  O estudo do Novo Testamento leva-nos a concluir que as Igrejas apostólicas exerciam disciplina e excluíam do número de seus membros as pessoas que andavam desordenadamente. Naquele, como em todos os tempos, torna-se preciso separar do povo de Deus as pessoas que outras coisas não fazem senão comprometer o Evangelho. "As Igrejas do primeiro século", objetará alguém, "estavam rodeadas de mil dificuldades, eram hostilizadas pela autoridade civil, e daí forçadas pelas circunstâncias a usarem de severa e rígida disciplina. Hoje, entretanto, não se dá o mesmo, o modo de agir dos cristãos é diferente e a disciplina eclesiástica deve ser menos rigorosa". Quem assim raciocina se esquece, por certo, de que hoje, como nos dias apostólicos, é preciso que os crentes mostrem sua fé pelas suas obras. O contrário disso será a falência do Cristianismo.
  Pode-se afirmar, portanto, que
 
  "...uma igreja sem disciplina é, espiritualmente falando, morta e incapaz de realizar a obra da evangelização, porque os seus membros são frios, indiferentes e pouco se importa que os homens se percam. O mundo nunca será conquistado para Cristo por Igrejas que deem de barato a esse importante privilégio de que Cristo revestiu o Seu corpo místico. Como era sublime contemplar, naqueles tempos áureos do Cristianismo, as relações da maior intimidade entre os irmãos! Como era de entusiasmar vê-los zelosos do bem, da pureza e da doutrina da religião do Crucificado!"

  Os cristãos dos tempos idos possuíam poder extraordinário, miraculoso mesmo, que se percebia quando se cuidava solicitamente da santidade da vida, do procedimento daqueles que faziam parte do corpo místico do Senhor! Era belo e sublime!
  Cada igreja apostólica era independente, autônoma, organicamente. Governavam-se essas congregações sem a intervenção de qualquer poder eclesiástico externo. Não reconheciam a autoridade de papas nem de concílios. Entretanto, a união espiritual era a mais completa que se pode imaginar. Efetuava-se essa união por aceitarem todas as Igrejas as mesmas doutrinas, os mesmos costumes e idêntica disciplina.
  Essa fraternidade da Igreja Primitiva tornava-se ainda mais intensa pela influência de homens como Paulo, Timóteo, Tito e outros, que constituíam verdadeiros e sagrados elos de união desses vários corpos de cristãos espelhados pelo vasto império dos Césares. Esses consagrados obreiros desempenhavam o papel que, um século mais tarde, vieram representar os sínodos e os bispos diocesianos. Alguém pode objetar dizendo que, não obstante terem sido as Igrejas apostólicas autônomas, não se conclui que o devam ser em todos os lugares e nem que essa espécie de comunidade devesse ser permanente. Sem pretendermos discutir aqui largamente o assunto, afirmamos apenas que não haveria época mais propícia para a existência de qualquer união orgânica ou autoridade externa do que a apostólica. As Igrejas sustentavam naquela ocasião a maior luta de sua história, precisando, portanto da cooperação decidida de todas para a realização da obra evangélica no mundo. Considerando a questão sob certo ponto de vista, para a conservação da fé cristã, seriam precisos não só a camaradagem, a fraternidade, mas também todos os esforços de uma união orgânica, e o prestígio da autoridade externa. Mas o que havia entre esses irmãos era a verdadeira união espiritual, a íntima fraternidade cristã, o amor que não se mede em palavras, mas em obra e verdade.
  Para que se conseguisse essa união, embora somente espiritual, era necessário que houvesse:
1⁰) Constante comunicação entre essas Igrejas;
2⁰) Doutrinação dos fiéis discípulos do Crucificado e instrução acerca da moral da nova Fé. Esse ensino era ministrado a princípio oralmente e com o auxílio da leitura das profecias do Antigo Testamento, que serviam para convencer os judeus e corroborar os princípios estabelecidos por Cristo e pelos apóstolos. Daí o costume das frequentes reuniões para o culto e estudo da Palavra de Deus. Dessas reuniões originar-se-iam as organizações eclesiásticas.
3⁰)Literatura apropriada. Logo começaram a circular as epístolas ou cartas apostólicas, que eram lidas em uma Igreja e passadas a outras, sendo também copiadas, como o provam os manuscritos e as cópias existentes. A literatura tornou-se um fator importante para a defesa e preservação da fé dos fiéis.
  Para reforçar a sua tese a respeito das Igrejas primitivas serem congregacionais, o Dr. Dale afirmou:

  "As Igrejas apostólicas não eram episcopais, não estavam sujeitas a nenhum chefe na terra nem a autoridades externas. Essas Igrejas eram congregacionais; o que resta provar é se essa forma de governo eclesiástico devia ser permanente, ou não; ou devia mudar, como acontece com a constituição política das nações, que está sujeita a grandes transformações com as mutações que sofrem as nacionalidades na sua vida e circunstâncias. Não é suficiente provar que as Igrejas primitivas eram congregacionais, é necessário também demonstrar que os princípios congregacionalistas estão radicados permanentemente na Revelação Cristã e que a política congregacionalista e a mais elevada e a mais natural forma de organização da Igreja Cristã, porque está em conformidade com o verdadeiro espírito de liberdade, que é o lema glorioso do Cristianismo".

Texto retirado do livro "Fundamentos e Princípios do Congregacionalismo" de autoria do Rev. Vanderli Lima Carreiro, pastor congregacional e mestre em Teologia, com especialização em Educação Religiosa.