Santidade

Devemos ser santos na terra, se quisermos ser santos no céu. Foi Deus que disse e Ele não voltará atrás: “A santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor” (Hebreus 12:14). Observou William Jenkyn: “O calendário do papa só declara santos às pessoas mortas, mas as Escrituras requerem a santidade da parte dos vivos”. John Owen afirmou: “Não se deixe iludir. O Senhor Jesus Cristo só conduz ao céu àqueles a quem Ele santifica na terra. O Cabeça vivo não admite membros mortos”. J.C. Ryle

quarta-feira, 31 de janeiro de 2024

A ciência é apenas mais uma religião na confusão da Torre de Babel

 Autor: Ricardo dos Santos 


  Existe uma diferença muito grande do verdadeiro cristianismo bíblico para qualquer outra das diversas religiões espalhadas pelo mundo afora. Podemos citar por exemplo a Índia, onde há cerca de 330 milhões de deuses. É muita idolatria para uma nação só! E como consequência desse pecado contra Deus, podemos ver a miséria que toma conta dessa nação.

  No Brasil, a situação não é lá muito diferente, até porque temos o catolicismo romano como a maior religião do país. Dentre outras religiões muito presentes no território brasileiro, podemos encontrar as religiões de matriz africana e um forte crescimento das religiões orientais (hinduísmo, budismo, islamismo...). O espiritismo kardecista também tem a sua representatividade.

  E o que temos a dizer das igrejas evangélicas? O fato de uma determinada igreja colocar uma placa com o nome de evangélica, não significa necessariamente que aquela igreja prega o verdadeiro e puro evangelho. Hoje temos visto muitas igrejas trocando o simples louvor bíblico pelo show gospel. Muitas igrejas estão trocando a mensagem da cruz, a qual deve ser o centro do culto cristão, por outras mensagens completamente estranhas ao cristianismo histórico. Muitos já não falam mais em salvação, muitos já não falam mais em sãs doutrinas, muitos já não falam mais em pecado, muitos já não falam mais em céu e inferno. Quando estudamos a história das igrejas primitivas dos primeiros séculos, da Reforma Protestante do século XVI, dos puritanos do século XVII, dos grandes avivamentos do século XVIII e da expansão missionária do século XIX e XX, vemos que havia grandes transformações positivas nas sociedades onde o evangelho ia sendo pregado. Hoje, ao contrário, temos presenciado tanta divisão no meio evangélico, que muitas pessoas têm tido dificuldade de discernir a verdadeira da falsa igreja. É um tal de uma igreja querer encher mais do que a outra, é uma igreja abrindo congregação próximo de outra igreja já existente no local, é igreja fazendo púlpito de palanque político, é teologia da prosperidade... Essas coisas têm trazido confusão no meio evangélico e consequentemente tem trazido prejuízos ao Reino. Mas, glórias a Deus porque existem igrejas remanescentes que não se contaminaram com os modismos e preservam o evangelho pregado pelo Senhor Jesus Cristo e pelos apóstolos.

  Falamos bastante a respeito do mundo religioso. E quanto à ciência? O que a ciência tem haver com tudo isso? Muita coisa, pois a ciência também está completamente envolvida nessa confusa Torre de Babel. Se alguém disser que ciência é uma religião, muitos vão achar estranho. Então, vamos analisar. A palavra religião vem do termo latim religare, ou seja, a tentativa do homem se religar a alguma divindade, a algum ser superior, ou então, a tentativa de chegar a algum nível espiritual mais elevado. De alguma forma, todas as religiões, através de esforços humanos e de boas obras, buscam chegar a um certo paraíso. Daí está a diferença do cristianismo bíblico para outras religiões, pois nós cristãos cremos que a salvação é pela graça mediante a fé, ou seja, não é pelos nossos méritos e sim os méritos de Cristo. Por isso que o cristianismo não deve ser considerado uma religião, aliás, o cristianismo está na contramão das religiões. Então, levando tudo isso em consideração, podemos concluir que a ciência não passa de mais uma religião.  A ciência, através de muito esforço humano, através de descobertas e através da tecnologia, tem levado o homem a pensar que um dia chegará ao paraíso, a um mundo melhor.Temos vivido dias em que muitos têm abandonado a fé no Criador e na sua Santa Palavra, para acreditarem cegamente no que a ciência fala. É óbvio que a ciência tem a sua devida importância, porém não ao ponto que chegamos onde nem sequer pode-se questionar a ciência. Muitos têm tratado a ciência como um deus do mundo moderno. Por exemplo, se alguém fizer uma faculdade em alguma área da ciência, negando o Big Bang e a evolução, provavelmente essa pessoa sofrerá algum tipo de pressão e repúdio por parte dos colegas estudantes e também por parte dos professores. Se alguém disser que essa historinha de que houve uma era de dinossauros não passa de uma grande mentira, essa pessoa sofrerá forte perseguição no sistema educacional.

  Para concluir, podemos dizer que o cristianismo bíblico é onde realmente há a resposta para os anseios da humanidade. Nós seres humanos somos uma raça caída por causa do pecado. Pelos nossos esforços, ninguém pode chegar a Deus, ninguém pode chegar ao céu pelos nossos méritos, pois a bíblia diz que todos pecaram e carecem da glória de Deus. Desde que Adão e Eva pecaram no princípio da história, o pecado passou de geração a geração e chegou até nós. Então, Deus, por sua graça e misericórdia, enviou seu único Filho para morrer na cruz pelos nossos pecados. Ele pagou o nosso preço, Ele resgatou algo que seria impossível para nós. Então, ao contrário de toda essa babilônia religiosa, o cristianismo é Deus em busca do homem. 

  Convido você a crer hoje mesmo no Criador e no seu Filho Jesus Cristo, pois qualquer outro caminho fora de Jesus é inferno.

Ricardo dos Santos 

sábado, 27 de janeiro de 2024

Onze coisas sobre os congregacionais que você precisa saber

Autor: Rev. Idauro Campos Júnior 


1 - O modelo de governo é bíblico (isto é, baseia-se em determinados textos do Novo Testamento : Atos 6 e 1 Coríntios 5, por exemplo);

2 - Grande parte dos puritanos eram congregacionais;

3 - A primeira comunidade cristã foi organizada em 1616, em Southwark (Londres, Inglaterra);

4 - Dos cento e dois passageiros do Mayflower, que desembarcaram em 1620  no continente americano, mais de trinta eram congregacionais;

5 - A Colônia de Massachusetts foi fundada por congregacionais;

6 - A Universidade de Harvard tem esse nome em homenagem ao Rev. John Harvard, pastor da igreja Congregacional de Massachusetts;

7 - A Universidade de Yale foi fundada por treze pastores congregacionais que  saíram de Harvard;

8 - O congregacionalismo foi um modelo de governo inovador (democrático) em uma época marcada pelo episcopado e pelas monarquias;

9 - Foi a primeira democracia eclesiástica no Brasil;

10 - Grandes teólogos pertenceram a igrejas Congregacionais, tais como: John Owen, Jonathan Edwards, C.H. Dodd e outros;

11 - Na Inglaterra há a Biblioteca dos Independentes, com um acervo de mais de 40 mil títulos sobre o congregacionalismo.

Idauro Campos Júnior é pastor da Igreja Congregacional de Niterói (RJ), bacharel em Teologia (Centro Universitário Bennett), pós-graduado em História do Cristianismo (FAECAD) e mestre em História Social (Universidade Salgado de Oliveira), com especializações em Teologia Contemporânea e Ciências da Religião.

quarta-feira, 17 de janeiro de 2024

Como você deve reagir à agenda gay?

Autor: Rev. John F. MackArthur 


  Os defensores do homossexualismo têm sido notavelmente eficazes em promover suas interpretações distorcidas de passagens da Bíblia. Quando você pergunta a um homossexual o que a Bíblia diz a respeito da homossexualidade — e muitos deles o sabem — percebe que eles absorveram uma interpretação que não é somente distorcida, mas também completamente irracional.    Os argumentos a favor dos homossexuais extraídos da Bíblia são nuvens de fumaça — à medida que nos aproximamos deles, vemos com clareza o que está por trás.
  Deus condena a homossexualidade, e isto é muito evidente. Ele se opõe à homossexualidade em todas as épocas:

Na época dos patriarcas (Gn 19.1-28);

Na época da Lei de Moisés (Lv 18.22; 20.13);

Na época dos Profetas (Ez 16.46-50);

Na época do Novo Testamento (Rm 1.18-27; 1 Co 6.9-10; Jd 7-8).

  Por que Deus condena a homossexualidade? Porque ela transtorna o plano fundamental de Deus para as relações humanas — um plano que retrata o relacionamento entre um homem e uma mulher (Gn 2.18-25; Mt 19.4-6; Ef 5.22-33).

  Então, por que as interpretações homossexuais das Escrituras têm sido tão bem-sucedidas em persuadir inúmeras pessoas? A resposta é simples: as pessoas se deixam convencer. Visto que a Bíblia é tão clara a respeito deste assunto, os pecadores têm resistido à razão e aceitado o erro, a fim de acalmarem a consciência que os acusa (Rm 2.14-16). Conforme disse Jesus: “os homens amaram mais as trevas do que a luz; porque as suas obras eram más” (Jo 3.19).

  Se você é um crente, não deve comprometer o que a Bíblia diz a respeito da homossexualidade, jamais. Não importa o quanto você deseja ser compassivo para os homossexuais, o seu primeiro amor é ao Senhor e à exaltação da justiça dEle. Os homossexuais se mantêm em rebeldia desafiante contra a vontade de seu Criador, que, desde o princípio, “os fez homem e mulher” (Mt 19.4).

  Não se deixe intimidar pelos defensores do homossexualismo e por sua argumentação fútil — os argumentos deles não têm conteúdo. Os homossexuais e os que defendem esse pecado estão comprometidos fundamentalmente em transtornar a soberania de Cristo neste mundo. Mas a rebelião deles é inútil, visto que o Espírito Santo afirma: “Não sabeis que os injustos não hão de herdar o reino de Deus? Não erreis: nem os fornicadores, nem os idólatras, nem os adúlteros, nem os efeminados, nem os sodomitas, nem os ladrões, nem os avarentos, nem os bêbados, nem os maldizentes, nem os roubadores herdarão o reino de Deus” (1 Co 6.9-10; cf. Gl 5.19-21).

  Então, qual a resposta de Deus à agenda homossexual? O julgamento certo e final. Afirmar qualquer outra coisa, além disso, é adulterar a verdade de Deus e enganar aqueles que estão em perigo.

  Quando você interage com homossexuais e seus simpatizantes, tem de afirmar a condenação bíblica. Você não está procurando lançar condenação sobre os homossexuais, está tentando trazer convicção, de modo que eles se convertam do pecado e recebam a esperança da salvação para todos nós pecadores. E isso acontece por meio da fé no Senhor Jesus Cristo. Os homossexuais precisam de salvação. Não precisam de cura — o homossexualismo não é uma doença. Eles não carecem de terapia — o homossexualismo não é uma condição psicológica. Os homossexuais precisam de perdão, porque a homossexualidade é um pecado. 1Coríntios 6 é bem claro a respeito das consequências eternas que sobrevirão àqueles que praticam a homossexualidade, mas existem boas novas. Não importa o tipo de pecado, quer seja homossexualidade, quer seja outra prática, Deus oferece perdão, salvação e esperança da vida eterna àqueles que se arrependem e aceitam o evangelho. 

  Depois de identificar os homossexuais como pessoas que não “herdarão o reino de Deus”, Paulo disse: “E é o que alguns têm sido; mas haveis sido lavados, mas haveis sido santificados, mas haveis sido justificados em nome do Senhor Jesus, e pelo Espírito do nosso Deus” (1Co 6.11).

  O plano de Deus para muitos homossexuais é a salvação. Nos dias de Paulo, havia ex-homossexuais na igreja de Corinto, assim como, em nossos dias, existem muitos ex-homossexuais em minha igreja e em igrejas fiéis ao redor do mundo. Eles ainda lutam contra a tentação homossexual? Com certeza. Que crente não luta contra os pecados de sua vida anterior? Até o grande apóstolo Paulo reconheceu essa luta (Rm 7.14-25). No entanto, ex-homossexuais assentam-se nos bancos de igrejas bíblicas em todo o mundo e louvam o Senhor, ao lado de ex-fornicadores, ex-idólatras, ex-adúlteros, ex-ladrões, ex-avarentos, ex-beberrões, ex-injuriadores e ex-defraudadores. Lembrem-se: alguns de vocês eram assim.

  Qual deve ser a nossa resposta à agenda homossexual? Oferecer-lhe uma resposta bíblica — confrontá-la com a verdade das Escrituras, que condena a homossexualidade e promete castigo eterno para todos os que a praticam. 

  Qual deve ser a nossa resposta ao homossexual? Oferecer-lhe uma resposta bíblica — confrontá-lo com a verdade das Escrituras, que o condena como pecador e lhe mostra a esperança da salvação, por meio do arrependimento e da fé em Jesus Cristo.          Permaneçam fiéis ao Senhor quando reagirem à homossexualidade, honrando a Palavra de Deus e deixando com Ele os resultados.

Texto de John F. MackArthur, ministro da Grace Community Church, além de escritor cristão fundamentalista norte-americano. Conhecido por seu programa de rádio intitulado "Graça para você".

sábado, 13 de janeiro de 2024

O modismo da igreja preta

Autora: Clarice Becker 

  A inovação chegou nas igrejas. Igrejas novas ou antigas estão reformando suas estruturas, e agora apostam tudo em um novo “estilo religioso”. Ambientes pretos com iluminações peculiares impressionam os fiéis. E o que mais causa estranheza é a adesão de uma cor (preta) nada comum para um ambiente religioso.
  Muitos de nós já nos deparamos com inúmeras “igrejas” com, assim denominadas, uma “nova aparência”; suas estruturas completamente pintadas de preto, púlpitos substituídos por palcos que contam com luz estroboscópica, canhões de led, cortina de fumaça, e/ou até mesmo os púlpitos tradicionais (de madeiras) substituídos por galões de óleo reciclados. Estas estão adotando, também, estilos musicais que antes não eram tidos como composições religiosas. É assustador até onde a modernidade têm influenciado o mundo religioso. Isso mesmo, assustador!
  A igreja não é um entretenimento. Não é para entreter. Ela é suposta a pregar um novo nascimento que lhe fará uma nova criatura em Cristo. Mas o mundo está à procura de entretenimento, algumas festas sociais ou algum tipo de sensação.”
  Concluindo uso aqui as palavras do pregador e avivalista Charles Spurgeon:
“O fato é que muitos gostariam de unir igreja e palco, baralho e oração, danças e ordenanças. Se nos encontramos incapazes de frear essa enxurrada, podemos, ao menos, prevenir os homens quanto à sua existência e suplicar que fujam dela. Quando a antiga fé desaparece e o entusiasmo pelo evangelho é extinto, não é surpresa que as pessoas busquem outras coisas que lhes tragam satisfação. Na falta de pão, se alimentam com cinzas; rejeitando o caminho do Senhor, seguem avidamente pelo caminho da tolice.”
“Que fareis, pois, irmãos? Quando vos ajuntais, cada um de vós tem salmo, tem doutrina, tem revelação, tem língua, tem interpretação. Faça-se tudo para edificação” (I Coríntios 14:26)
  Nunca o mundo esteve tão religioso, e as igrejas tão mundanas. Não se faz mais distinção entre shows e cultos de “adoração”. Em algumas reuniões, os jovens utilizam gritos característicos das torcidas de futebol, como “Ê-ô, ê-ô, Jesus Cristo é o Senhor!” ou “Eu já falei, vou repetir, é Jesus Cristo que comanda isso aqui!”, além de dançarem ao som de ritmos pra lá de vibrantes.
  Há igrejas cujo púlpito é uma prancha de surf, frequentadas por jovens que, nos “cultos”, vestem bermudas, calçam chinelos de dedo, além de exibirem tatuagens e piercing. Para arrecadar fundos extras, algumas denominações realizam festas similares às juninas, permitindo que seus membros dancem quadrilha no “arraiá evangélico”. E há até igrejas que promovem uma espécie de Halloween – dia das bruxas -, alterando o nome para Elohin!
   O que é o evangelho do entretenimento?
O evangelho do entretenimento tem transformado os cultos de Deus em meros ajuntamentos para pular, gritar, dançar, assobiar, fazer “trenzinho”, cantar, cantar e cantar. Trata-se de um evangelho “sem limites”, que pode ser comparado ao “fermento” de Herodes (Marcos 8:15) – os herodianos eram liberalistas, modernistas, secularistas, irreverentes e contextualizadores.
Nos “cultos-shows” não há espaço para a exposição da Palavra de Deus. Em muitas dessas reuniões de “adoração extravagante” – expressão muito em voga na atualidade -, a pregação, quando ocorre, é uma rápida palestra motivacional, voltada para o bem-estar dos espectadores, e não uma exposição da sã doutrina. Tudo é feito a fim de agradar e entreter a “galera”.
  Fico imaginando como Paulo reagiria, em seu tempo, se os crentes fossem aos cultos em busca de entretenimento. Ele, que sempre combateu a desordem, deu as seguintes instruções sobre a Ceia do Senhor: “…se algum tiver fome, coma em casa, para que não vos ajunteis para juízo... (I Coríntios 11:34). E, quanto aos dons espirituais, enfatizou: “…faça-se tudo decentemente e com ordem” (I Coríntios 14:40).
  Muitos músicos, em nossos dias, orientados pelos propagadores desse falso evangelho – essencialmente comercial e também voltado para as preferências humanas -, imitam os intérpretes mundanos, secularizando cada vez mais a liturgia do culto. Mas Deus não mudou; a Sua Palavra é a verdade. E nela está escrito: “Guarda o teu pé, quando entrares na Casa de Deus…” (Eclesiastes 5:1).

Texto de Clarice Becker. Clarice Becker é membro da Igreja Presbiteriana.

sábado, 6 de janeiro de 2024

Como Martinho Lutero encontrou a verdadeira fé em Cristo e a sua paz com Deus (Sola Fide)

Autor: Rev. Miguel Núnes 

 

  O ensinamento sobre a salvação pela fé somente (Sola Fide) fez parte do cerne do movimento da Reforma Protestante. É uma doutrina fácil de ver na Palavra de Deus porque há múltiplas passagens onde está dito claramente que a salvação se dá pela fé e não por obras (Efésios 2:8-9). Mas, apesar dessa realidade, a maioria não percebe a importância desse ensinamento. Para Martinho Lutero, o ensinamento da justificação pela fé somente era o princípio sobre o qual uma igreja se levanta ou cai. "Se a doutrina da justificação [pela fé] se perde, se perde também todo o resto da doutrina cristã".

  Há doutrinas que são interpretadas de maneira diferente por cristãos maduros e também por eruditos, como o tempo e a forma da segunda vinda de Cristo; mas esta doutrina representa o cerne da fé cristã para Lutero, Calvino, demais reformadores e para nós também. Esse ensinamento determina como o ser humano é salvo da condenação eterna. 

  De certa maneira, essa doutrina é a coluna vertebral da fé cristã. É a doutrina na qual a Igreja Católica Romana não crê, já que até hoje a Igreja de Roma entende e ensina que a salvação se obtém através do sinergismo entre a graça de Deus, a fé colocada em Deus e as obras que o homem realiza. A discussão dessa doutrina foi o que deu início ao movimento da Reforma, levando os reformadores a romper com a igreja de então, da qual haviam participado por anos.

  Curiosamente, Lutero, que acabou defendendo esta doutrina com sua própria vida, não começou sua vida cristã crendo da mesma maneira. Martinho Lutero viveu por anos atormentado por seus pecados e aterrorizado pensando sobre sua possível condenação. Não conseguia dormir tranquilo pensando na justiça perfeita de Deus, que de maneira nenhuma via como corresponder ou satisfazer.

  Um dia, de volta à sua casa, Lutero foi pego por uma tempestade e, no meio dela, um raio caiu próximo de onde cavalgava, fazendo-o cair do cavalo em que ia. Em meio ao medo que tomou conta dele, exclamou: "Santa Ana, me ajude e eu me tornarei um monge". Dois ou três dias depois, Lutero entrou para o mosteiro dos Agostinhos. Uma vez ali dentro, retirado do mundo e das tentações, Lutero pensou que isso o ajudaria a encontrar a paz que não havia experimentado; mas não foi assim. Esse jovem não teve paz até o dia em que encontrou o verdadeiro significado da cruz.

  Lutero vivia uma vida monástica bastante santa diante dos olhos dos homens, mas mesmo assim não encontrava paz para sua alma. Ele soube dormir quase nu, no frio do inverno, para castigar seu corpo; soube se confessar até duas ou três por dia, e ao lembrar de algum pecado enquanto se distanciava do confessionário, voltava até o sacerdote para continuar pedindo perdão. E o que atormentava Lutero é uma realidade que poucos entendem e que ele conheceu vivendo retirado no mosteiro: levamos o pior inimigo dentro de nós mesmos. Por isso, mesmo afastado do mundo, sua alma continuava atormentada, porque depois de se confessar, ele sabia que continuava em pecado. Lutero entendeu que seu problema com o pecado não estava fora do mosteiro, mas no âmago do seu ser.

  Em 1510, Martinho Lutero foi escolhido por sua ordem sacerdotal para viajar à Roma para tratar de assuntos oficiais relacionados à sua ordem eclesiástica. Este era o sonho de Lutero, porque sempre havia pensado que Roma seria como a Jerusalém celestial, mas aqui na terra. No entanto, essa viagem o decepcionou enormemente ao ver a corrupção do clero.

  Lutero regressa dessa viagem e volta ao mosteiro onde ensinou os livros de Romanos (1515-1516), Gálatas (1516-1517) e Hebreus (1517-1518); onde ensinou também sobre o livro de Salmos (1513-1515) dois ou três anos antes. O que mais atormentava Lutero era que, apesar de ser um monge impecável, não encontrava paz em sua alma, o que o levava a confessar -se continuamente. Lutero descreveu este período de sua vida como uma época de grande desespero. Ele disse ter perdido o contato com o Cristo Salvador e Consolador de sua vida, que tinha se tornado em carcereiro e torturador de sua alma. Isso chegou a atormentá-lo tanto que, quando alguém lhe perguntou se ele amava a Deus, Lutero respondeu: "Amar a Deus?...Eu, às vezes, o odeio". Isso ocorreu durante o período entre os anos 1510-1517, até que finalmente, estudando e ensinando o livro de Romanos, Lutero entendeu a frase que aparece em Romanos 1:17, que diz "o justo viverá pela fé".

  Em 1516, enquanto Lutero ensinava o livro de Romanos, chegou a compreender a essência do evangelho, a mensagem das boas novas, e um dia entendeu realmente o que Deus havia revelado ainda no Antigo Testamento, que "o justo viverá pela sua fé" (Habacuque 2:4). A compreensão disso leva Lutero a experimentar o novo nascimento do qual Jesus falou a Nicodemos, outro professor de teologia que não entendia como entrar no reino dos céus (João 3).

  Depois de entender isso, em algum momento, Lutero pronunciou estas palavras:

  "Finalmente, meditando dia e noite, pela misericórdia de Deus, eu...comecei a entender que a justiça de Deus é aquela através da qual o justo vive como um presente de Deus, pela fé...com isso, eu senti como se tivesse nascido de novo por completo, e que tivesse entrado no paraíso através das portas que tinham sido amplamente abertas para mim".

   Texto retirado do livro "Ensinamentos que transformaram o mundo", cujo autor é o doutor Miguel Núnes, pastor titular da Igreja Batista Internacional em Santo Domingo, República Dominicana. 

  

sexta-feira, 5 de janeiro de 2024

Jesus Cristo é o Senhor (IHWH)

Autor: Rev. Mauro Fernando Meister 


  "Então disse Moisés a Deus: Eis que quando eu for aos filhos de Israel e lhes disser: O Deus de vossos pais me enviou a vós; e eles me perguntarem: Qual é o seu nome? Que lhes direi? E disse Deus a Moisés: EU SOU O QUE SOU. Disse mais: Assim dirás aos filhos de Israel: EU SOU me enviou a vós. E Deus disse mais a Moisés: Assim dirás aos filhos de Israel: O Senhor Deus de vossos pais, Deus de Abraão, Deus de Isaque e Deus de Jacó, me enviou a vós; este é meu nome eternamente e assim se lembrarão de mim, de geração em geração." Êxodo 3: 13-15

  No Novo Testamento Jesus é chamado de Senhor várias vezes e no evangelho de João, ele mesmo repete a expressão EU SOU, uma referência direta a Êxodo, em que Deus se apresenta a Moisés como EU SOU (IHWH).

  Vejamos alguns exemplos:

"Eu sou o pão da vida ". (João 6:35, 41,48, 51)

"Eu sou a luz do mundo." (João 8:12)

"Eu sou a porta ". (João 10:7-9)

"Eu sou o bom pastor". (João 10: 11-14)

"Eu sou a ressurreição e a vida". (João 11:25)

"Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida". (João 14:6)

"Eu sou a videira verdadeira ". (João 15:1)

"Antes que Abraão existisse, eu sou ". (João 8:58)

  Sabemos que o evangelho de João trata a Jesus como o Filho de Deus, o próprio Deus encarnado em figura humana.

  A intenção de Jesus ao repetir várias vezes EU SOU, conforme a narrativa de João, é deixar bem claro para sua audiência que bem conhecia o texto de Êxodo, que Ele é Deus. A versão grega do Antigo Testamento, a Septuaginta (LXX) traduz o nome de Deus, EU SOU, pela palavra kurios, que quer dizer SENHOR. Por isso, quando um crente dizia "Jesus é Senhor", sendo judeu e tendo conhecimento do Antigo Testamento na língua grega, estava dizendo que Jesus era o mesmo Iavé do Antigo Testamento.

  Vale lembrar também que os judeus usavam a palavra Senhor para se referirem a Deus, o Pai, pois evitavam proferir o nome de Deus a fim de não blasfemar. Portanto, quando a igreja primitiva chamava Jesus de "Senhor", estava atribuindo a ele divindade. Estava identificando -o com aquele que havia criado os céus e a terra, e que governa toda a criação. Era um título imperial. O Senhor é aquele que é soberano, e a soberania, no sentido absoluto, está reservado a Deus.

  Portanto, creia hoje mesmo que Jesus é o Senhor e o Salvador da sua vida. Fora dele não existe nenhum outro caminho que possa te levar a Deus. Jesus é o único caminho.

Texto baseado no livro "Lei e graça" de autoria do pastor e teólogo presbiteriano Dr. Mauro Fernando Meister.

quarta-feira, 3 de janeiro de 2024

Por que a fé cristã bíblica é a única fé verdadeira?

Autor: Ricardo dos Santos 


  Diante de uma sociedade onde há uma diversidade de religiões, de pensamentos e de culturas diferentes, para muitos é difícil pensar em uma verdade absoluta, em uma fé única e verdadeira. É mais fácil pensar num relativismo, onde cada um tem a sua "verdade", a sua filosofia, o seu modo de pensar e agir.

  Para isso, com o intuito de ajudar a quem tem dúvida nessa questão, viemos trazer um pouco do pensamento da Teologia Reformada baseado num trecho do livreto "Corrida da Fé" de autoria do pastor R.C.Sproul. Assim diz o trecho:

  "É importante enfatizarmos a centralidade da fé para o cristianismo. Foi por causa desta questão que ocorreu a Reforma Protestante, no século XVI. Martinho Lutero e outros argumentavam que é por meio da fé, a fé sozinha, que somos justificados e tornados justos diante de Deus".

  Isso suscita algumas perguntas. Que tipo de fé justifica? O livro de Tiago, no Novo Testamento, diz que a fé sem obras é morta; não pode salvar ninguém. Como Lutero disse, o tipo de fé que redime é uma fé vital, uma fé que impacta a vida. Por isso, precisamos ter uma fé viva, para que ela seja uma fé que salva; mas, o que este tipo de fé envolve?

  Os líderes da Reforma ensinaram que há pelo menos três elementos da fé bíblica. O primeiro é o conteúdo do que cremos. Não é suficiente alguém crer no que quiser, ainda que creia com sinceridade. Para uma crença ser salvadora, ela precisa ter conteúdo bíblico.

  O Novo Testamento nos dá o conteúdo básico da fé salvadora: Cristo é o Filho de Deus, ele é o Salvador, morreu por nossos pecados e ressuscitou dos mortos. Os apóstolos pregaram isso e convidaram as pessoas a crerem nisso. Antes de alguém crer neste conteúdo, precisava primeiramente conhecê -lo e entendê-lo. 

  A segunda parte da fé salvadora é o assentimento intelectual. Significa que você concorda em que algo é verdadeiro. Quando perguntamos: 'Você crê que o céu é azul?', estamos apenas perguntando se você crê que esta é uma afirmação verdadeira. Se você diz sim, assentiu intelectualmente com a afirmação. De modo semelhante, os primeiros cristãos perguntaram: 'Você crê que Jesus é o Filho de Deus?'. Algumas pessoas diziam não. Outras pessoas diziam sim. Mas, dizer 'sim' não é suficiente para alguém ter a fé salvadora. Afinal de contas, a Bíblia registra que demônios reconhecem a identidade de Jesus como Filho de Deus.

  É aqui que entra a terceira parte da fé salvadora. Ela envolve uma confiança ou aceitação pessoal. Você não somente sabe que a bíblia afirma que Jesus é o Filho de Deus, mas também crê que esta afirmação é verdadeira, e, além disso, abraça esta afirmação. Alegremente, você vê Jesus pelo que ele é, e confia alegremente nele. A pessoa que tem a fé salvadora em Cristo não o conhecia e era hostil para com ele anteriormente, mas, agora, ela o ama e o adora.

  Quando alguém diz: 'Eu creio', isso significa que ela abraça, com seu coração e com sua vontade, a vitória e o triunfo de Cristo. Isto é uma verdadeira afirmação de fé. Não recitamos um credo apenas porque achamos que ele é verdadeiro. A fé é mais do que somente conhecimento ou assentimento intelectual, mas não é menos do que isso." (Trecho do livro Corrida da Fé, autor R.C.Sproul, editora Fiel)

                                                 Ricardo dos Santos 



terça-feira, 2 de janeiro de 2024

Objetivo desse trabalho

 Autor: Ricardo dos Santos 


  Conforme o próprio nome desse blog sugere, o nosso objetivo é informar sobre a verdadeira fé original. Diante de tantas religiões que o mundo tem a oferecer, inclusive no meio cristão, muitos sentem dificuldades de discernir onde realmente está a verdade, onde está a verdadeira fé. Você já parou para se perguntar a respeito disso? Você já procurou questionar se a fé a qual você professa é fundamentada? Quais são realmente os ensinos que o Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo veio trazer? Quais são as doutrinas dos apóstolos? O que a igreja primitiva pregava? O que a bíblia realmente diz?          

  Essas e outras informações você encontrará aqui, pois esse blog é fundamentado na Santa Palavra de Deus. Procuramos seguir fielmente essa fé original, ou seja, essa fé pregada por Jesus Cristo e seus apóstolos, pela igreja primitiva, pelos reformadores (séc. XVI e XVII) e pelos grandes avivalistas (séc. XVIII e XIX). Temos também os Valdenses, os Anabatistas, os Hussitas e diversos outros grupos que se mantiveram fiéis às escrituras mesmo durante as trevas do período da Idade Média. Sabemos muito bem que a Igreja Católica Apostólica Romana não mediu esforços para destruir a verdadeira fé. Muitos e muitos crentes fiéis foram brutalmente queimados na fogueira, afogados, enterrados vivos... Mas, não podemos nos esquecer que Jesus, o Senhor da igreja, prometeu que as portas do inferno não prevaleceriam contra a igreja. Por isso o evangelho tem chegado a nós e precisamos lutar por esse evangelho.                              

  Cremos fervorosamente na literalidade do que está escrito. Por exemplo, no que diz respeito ao Gênesis no contexto da criação, cremos que os dias da criação são perfeitamente literais. Não temos dúvidas quanto a isso. Rejeitamos e combatemos a pseudo ciência darwinista que tem destruído a fé de muitas pessoas. Sabemos que essa ciência moderna é maléfica e destruidora. No que diz respeito à escatologia, cremos no arrebatamento pré-tribulacionista. Somos pré-milenistas, pois, além de ser a doutrina escatológica que faz mais sentido de acordo com a bíblia, essa doutrina era defendida pelos cristãos dos primeiros séculos. O amilenismo e o pós-milenismo vieram a surgir após Agostinho de Hipona (popularmente conhecido como Santo Agostinho). Também combatemos o mundanismo gospel que tem invadido muitas igrejas, a teologia da prosperidade e a diabólica teologia liberal. Seguimos as cinco solas da Reforma Protestante: Sola Gratia, Sola Fide, Sola Scriptura, Solo Christus e Soli Deo Gloria.                                          

  Somos fundamentados na Palavra de Deus! Somos bíblicos! Somos fundamentalistas!!!                  

  Enfim, esperamos que você, caro leitor, venha conhecer verdadeiramente o evangelho puro e genuíno. O nosso desejo é que através desse blog, você seja orientado a encontrar uma igreja verdadeiramente bíblica que se preocupa em cuidar das sãs doutrinas, conforme nos orienta o apóstolo Paulo.

Ricardo dos Santos