Santidade

Devemos ser santos na terra, se quisermos ser santos no céu. Foi Deus que disse e Ele não voltará atrás: “A santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor” (Hebreus 12:14). Observou William Jenkyn: “O calendário do papa só declara santos às pessoas mortas, mas as Escrituras requerem a santidade da parte dos vivos”. John Owen afirmou: “Não se deixe iludir. O Senhor Jesus Cristo só conduz ao céu àqueles a quem Ele santifica na terra. O Cabeça vivo não admite membros mortos”. J.C. Ryle

segunda-feira, 30 de dezembro de 2024

Breve história do irmão Roy Bell: um ex-criminoso que se tornou um grande ministro Batista Fundamentalista

 Extraído do canal Investigação Bíblica do YouTube 



  De família católica romana e filho de um mafioso morto quando ele ainda tinha 10 anos de idade, Roy Bell entrou cedo no mundo do crime e das drogas. Fez parte de uma gangue de motoqueiros, e virou assaltante de banco colecionando 4 prisões, 2 fugas e 12 sentenças condenatórias; o que resultou em sua prisão perpétua. Todavia, nada disso o impediu de ser transformado pelo Espírito Santo, já que fora discipulado via-correspondência por ninguém menos do que Peter Ruckman ao longo de 30 dos seus anos de cadeia, experiência que o capacitou a exercer a capelania penitenciária ao longo de 10 anos. 

  Enfim, durante a crise sanitária mundial (2020), a quarentena dos agentes penitenciários levou o estado de Nevada a conceder condicional aos detentos de bom comportamento sem crimes hediondos no currículo. A decisão permitiu a Roy reiniciar sua vida aqui fora (sob condicional perpétua), ministrando em diversas igrejas batistas do país e tocando um dos melhores canais fundamentalistas no YouTube, o Old School Bible Baptist. Exemplo raro de que existe ressocialização para todo aquele que QUER nascer de novo (Jo 3:3), este irmão em Cristo vai muito além de um baita testemunho de vida para ser um baita professor de Bíblia.

O canal Investigação Bíblica do YouTube é um canal fundamentalista, apologético e luta em defesa da bíblia do Texto Tradicional (King James 1611 e Almeida Corrigida e Fiel da SBTB) contra as heresias das versões modernas. Esse canal é uma forte ferramenta de combate ao sistema global do anti-cristo e a Nova Ordem Mundial.



sexta-feira, 27 de dezembro de 2024

Todas as evidências apontam para Deus

Autor: Dave Hunt 


  Suponha que dois sobreviventes do naufrágio de um navio tenham ficado, por dias, à deriva em um bote salva-vidas no oceano Pacífico e, por fim, são arrastados para a praia de uma ilha. A grande esperança deles, claro, é que a ilha esteja habitada para que possam ter alimento, cuidados médicos e meios para retornar a sua distante terra natal. Seguindo seu caminho para dentro da floresta, repentinamente encontram uma fábrica automatizada operando a pleno vapor. Apesar de nenhuma pessoa aparecer, os produtos estão sendo manufaturados, embalados e rotulados para o embarque.
  Um deles exclama: "Deus seja louvado! A ilha é habitada! Alguém deve ter feito esta fábrica e a supervisiona!"
  "Você está louco", seu companheiro replica. "Você esteve exposto ao sol por muito tempo. Não há absolutamente nenhuma razão para acreditar que esta coisa foi planejada e posta para funcionar por qualquer ser pensante. Isto apenas aconteceu por acaso sabe-se lá há quantos bilhões de anos."
  O primeiro homem deu uma olhada para os pés e viu um relógio com a pulseira quebrada caído sobre a sujeira. Novamente, ele exclama: "Olhe! Um relógio! Isso prova que a ilha é habitada!"
  "Você deve estar brincando", seu companheiro replica. "Esta coisa é apenas uma conglomeracão de átomos que, por acaso, chegou a essa forma após bilhões de anos de seleção aleatória."
  Nenhuma pessoa em sã consciência pode imaginar que uma fábrica ou um relógio poderia surgir por acaso. Portanto, como qualquer pessoa racional poderia insistir que o universo veio a existir por acaso e, muito menos, que as complexas formas de vida da Terra possam ter surgido por acaso! Uma simples célula viva de uma folha ou de um animal é milhares de vezes mais complexa do que uma fábrica e um relógio juntos. O corpo humano consiste de trilhões de células, de milhares de tipos diferentes, todas trabalhando juntas em perfeito equilíbrio. Nossos melhores cientistas não podem produzir um cérebro humano mesmo com toda tecnologia e computadores disponíveis hoje. Apenas Deus pode fazer isso. Certamente, isso não se deve ao acaso!
  Também não faria sentido Deus criar o homem se não tivesse um propósito definido para ele. Nada é mais frustrante para uma pessoa inteligente do que não ter propósito algum na vida. Nem mesmo a ideia de propósito poderia surgir por acaso, pois propósito e acaso são opostos. Não existe plano sem planejador. Portanto, sabemos que Deus tinha um propósito para nos criar. E assim, Ele precisava ter uma maneira de nos comunicar seu propósito.
  A bíblia afirma ser a Palavra de Deus para a humanidade e explica os propósitos e planos divinos. Não se espera que acreditemos nessa afirmação sem evidências suficientes, mas, de fato, essa afirmação é fundamentada por um vasto número de evidências. Muitas delas estão nos museus do mundo todo e são tão irrefutáveis que qualquer pessoa capaz de ler a bíblia não tem desculpa para duvidar dessas afirmações. 
  A maior prova da existência de Deus que a bíblia oferece é o cumprimento de centenas de profecias específicas. Em Isaías 46:9-10 Deus diz que prova sua existência ao anunciar o que acontecerá antes que aconteça. Em Isaías 43:10, Deus diz à nação de Israel que ela precisa ser sua testemunha de que Ele é Deus, tanto para si mesma quanto para o mundo. Como isso acontece? Por causa das muitas profecias que Deus fez em relação a Israel e que se cumpriram: que os judeus seriam espalhados por todas as nações da terra; que seriam odiados e perseguidos e mortos como nenhum outro povo (anti-semitismo); que seriam preservados apesar dos milhares de tipos de Hitler que tentaram exterminá-los; que, nos últimos dias, seriam trazidos de volta a terra deles... e muitas outras profecias que foram claramente cumpridas e estão no processo de serem cumpridas bem diante de nossos olhos.

Dave Hunt foi apologeta, autor e palestrante reconhecido internacionalmente. Esse texto foi extraído do seu livro "Em defesa da fé cristã".

quarta-feira, 4 de dezembro de 2024

A luta dos batistas pela liberdade religiosa

  Autor: Bruno Faé

Texto retirado do blog Memória dos Batistas

 


  Para compreender a importância dos Batistas na luta pela liberdade religiosa é preciso conhecer o contexto no qual o grupo surgiu e se desenvolveu. A Inglaterra do século 17 tinha uma religião oficial (Anglicana) e ambos, Igreja e Estado, estavam sob governo do Rei. Os cidadãos deviam estar obrigatoriamente inseridos nas duas instituições. No caso da Igreja, essa inclusão era feita por meio do batismo, logo após o nascimento. Aqueles que não batizavam os bebês estariam negando-lhes, além da entrada no Reino de Deus, também a cidadania plena. Ou seja, era considerado uma espécie de abuso infantil. Assim, estavam violando a lei tanto os que não faziam parte da Igreja oficial quanto os que não praticavam o batismo infantil, podendo receber punições como prisão, exílio ou até mesmo a morte.
​  Compreendendo essa situação, é possível entender por que a prática do batismo somente de adultos esteve tão intimamente ligada à luta pela liberdade religiosa e pela separação entre Igreja e Estado. Nesse contexto, surgem os Batistas, em 1609, na Holanda, a partir de um grupo de ingleses que fugira do país por pretender se separar da Igreja oficial, liderados pelo pastor John Smith e pelo advogado Thomas Helwys (1550-1616). Logo, começou a luta dos Batistas por liberdade.
Defesa da liberdade religiosa na Inglaterra

  Em 1612, Thomas Helwys escreve uma obra intitulada Uma breve declaração do mistério da iniquidade. O livro é o primeiro deste tipo em língua inglesa, e uma cópia foi enviada diretamente ao rei Tiago I. Num dos trechos o autor afirma:
"Oh, rei. Não despreze o conselho dos pobres, e deixe que suas reclamações cheguem até você. O rei é um homem mortal e não Deus. Portanto, não tem poder sobre as almas imortais dos seus súditos, para fazer-lhes leis e ordenanças e para colocar chefes espirituais sobre eles. [...] A religião dos homens e Deus é um assunto entre Deus e eles. O rei não deve responder por isso. Nem pode o rei ser juiz entre Deus e os homens. Deixe que sejam hereges, turcos, judeus ou o que seja. Não pertence ao poder terreno puni-los em nenhuma medida."
Por sua ousadia e coragem, Helwys foi preso quando retornou à Inglaterra e na prisão permaneceu até sua morte em 1616. Mas as ideias deste Batista, tão modernas até para o tempo presente, não puderam ser presas ou eliminadas. Elas foram uma fonte de inspiração para diversos outros ativistas pela liberdade religiosa, dentre os quais John Murton (1585-1626).
  John Murton foi um Batista membro da igreja liderada por Thomas Helwys e esteve preso com ele. Em 1615 e 1620 publicou, anonimamente, dois livros. Num deles, intitulado A Epístola, o autor defende a ideia de dois reinos separados. Segundo Murton, “a autoridade terrena pertence aos reinos terrenos, mas a autoridade espiritual pertence ao único Rei espiritual, o Rei dos Reis”.
  As obras de Murton provavelmente influenciaram a elaboração da Primeira Confissão de Fé de Londres (1644). Na questão da liberdade religiosa, esta Confissão mostra que Batistas Particulares e Gerais estavam unidos no pensamento. Em seu artigo 49, está disposto que:
  "Devemos defender as autoridades e todas as leis civis feitas por elas, com nosso ser e com nosso patrimônio, ainda que devamos sofrer, por razão de consciência, por não nos submeter às suas leis eclesiásticas com as quais não estamos de acordo".
O pensamento de Helwys e Murton influenciou também um grande notável Batista na luta pela liberdade religiosa, Roger Williams (1603-1683). E com esse personagem podemos olhar para um outro contexto, no qual os Batistas alcançaram suas maiores vitórias: os Estados Unidos.

Primeiras vitórias na Nova Inglaterra

  Roger Williams, um pastor separatista inglês, fugiu em 1631 para a Nova Inglaterra (grupo de colônias inglesas que futuramente se tornaria os Estados Unidos) e, rejeitando o batismo infantil, se tornou Batista. Normalmente, as colônias tinham também uma religião oficial, Anglicana ou Congregacional. Na cidade de Boston, Williams começa a pedir às autoridades que parassem de policiar as crenças religiosas das pessoas. Ele defendia que o poder do magistrado civil se estendia apenas às ações externas dos indivíduos, mas jamais deveriam interferir nas questões internas da alma. Por sua militância, foi banido da colônia de Massachusetts.
  Decidido a implementar sua visão de liberdade religiosa, Williams segue para uma região mais ao sul e funda a colônia de Rhode Island em 1636, onde implementa um governo no qual haveria liberdade de consciência. Desta forma, pode-se dizer que Roger Williams fundou o primeiro lugar no mundo moderno onde cidadania e religião estavam separados, ou seja, havia separação entre igreja e Estado.
  Foi justamente em Rhode Island, em 1638, onde Williams também estabeleceria a Primeira Igreja Batista nos Estados Unidos, na cidade de Providence. 
  Em 1644, Roger Williams escreveu o livro O princípio sangrento da perseguição por causa da consciência. Usando argumentos bíblicos, ele clama por um “muro de separação” entre a igreja e o Estado e pela tolerância para com várias denominações cristãs, incluindo o Catolicismo, e também para com pagãos, judeus, turcos ou até mesmo anticristãos. Em um trecho, ele afirma:
"Deus não exige que uma uniformidade religiosa seja promulgada e determinada em qualquer estado civil. Cedo ou tarde, a uniformidade forçada será a maior ocasião da guerra civil, do arrebatamento da consciência, da perseguição de Cristo Jesus em seus servos, da hipocrisia e da destruição de milhões de almas".
  Essa obra de Roger Williams foi posteriormente citada como fonte filosófica por John Locke, pela Primeira Emenda à Constituição dos Estados Unidos e por vários escritos de Thomas Jefferson.
  Por seu princípio de liberdade de consciência, Rhode Island se tornou um local de refúgio para os perseguidos de outras colônias, e assim passou a ser também alvo de ataques. Para garantir a segurança em seu território, seus líderes recorreram ao rei da Inglaterra, Carlos II. Entra em cena então mais um notável Batista, o pastor John Clarke (1609-1676).
  Em 1653, John Clarke foi enviado por uma comissão de Rhode Island à Inglaterra para interceder junto ao rei pelo reconhecimento formal da colônia. Ali, ele permaneceu durante dez anos e em 1663 o rei lhes concedeu a Escritura Real, na qual estava registrado que “nenhuma pessoa na colônia poderia ser molestada, punida, perturbada ou desacreditada por nenhuma diferença de opinião ou em matéria de religião”. Esta Escritura Real é o primeiro documento oficial a garantir liberdade religiosa no território dos Estados Unidos.

Conquista da liberdade religiosa nos Estados Unidos

  Mas a conquista máxima dos Batistas no campo da liberdade religiosa provavelmente foi a Primeira Emenda à Constituição dos Estados Unidos. Nessa história, o primeiro nome a ser citado é o do pastor Isaac Backus (1724-1806), considerado o principal pregador durante o período da Revolução Americana (luta pela independência dos Estados Unidos).
  Em 1773, Backus publica um sermão sobre liberdade religiosa, com o título Um apelo ao público para a liberdade religiosa contra as opressões dos dias de hoje, no qual afirma que:
"Deus designou dois tipos de governo no mundo, que são distintos em sua natureza, e nunca devem ser confundidos em conjunto: um é chamado de governo civil e outro é o governo eclesiástico. [...] Quem pois pode ouvir Cristo declarar que seu governo não é deste mundo e ainda acreditar que essa mistura de igreja e Estado Lhe é agradável?"
  Na seção 3 da obra, Backus relata os sofrimentos causados pela perseguição aos Batistas por não aceitarem se submeter à Constituição vigente. A independência do país em relação à Inglaterra significaria também a oportunidade de viver num país com plena liberdade religiosa. Essa independência veio finalmente em 1776, mas a nova Constituição só foi promulgada em 1787.
  Mesmo assim, por falta de consenso, os direitos individuais dos cidadãos não foram incluídos logo de início na Constituição. E é aí que entra em cena outro Batista importante: John Leland (1754-1841). Leland era um influente pastor no estado da Virgínia, onde os batistas representavam uma importante parcela do eleitorado e que era também distrito do congressista James Madison.
  Havia o anseio para que Leland concorresse à vaga de Madison no Congresso, o que levou esse pai fundador a fazer uma visita ao pastor em sua casa. Na reunião entre eles, ficou acordado que Leland não concorreria à vaga de Madison, e esse, por seu turno, se comprometeria a apoiar a luta dos Batistas pela liberdade religiosa. Madison, considerado o “Pai da Constituição Americana”, então apresentou a proposta da Carta de Direitos (1792), documento pelo qual são chamadas as dez primeiras emendas à Constituição dos EUA. A primeira dessas dez emendas dispõe que:
"O Congresso não legislará no sentido de estabelecer uma religião, ou proibindo o livre exercício dos cultos; ou cerceando a liberdade de palavra, ou de imprensa, ou o direito do povo de se reunir pacificamente, e de dirigir ao Governo petições para a reparação de seus agravos."
  Em 1802, Leland ainda foi convidado para pregar numa sessão conjunta do Congresso, com a presença do presidente Thomas Jefferson, onde mais uma vez defendeu a liberdade religiosa.

Contribuição para a liberdade religiosa no Brasil

  Quando os primeiros Batistas da Convenção do Sul dos Estados Unidos, além dos Batistas poloneses e letos, chegaram ao Brasil, nosso país ainda era uma monarquia e a Igreja e o Estado estavam unidos. Vigorava a Constituição de 1824 que estabeleceu a Igreja Católica como religião oficial. As outras religiões eram permitidas no “culto doméstico”. Ou seja, as igrejas evangélicas não podiam realizar cultos públicos. Além disso, seus praticantes não podiam ser eleitores. Na prática, especialmente nas regiões interioranas do país, havia agressiva perseguição aos protestantes.
  Os historiadores da vida dos primeiros missionários americanos no Brasil contam que um dos principais republicanos, Aristides Lobo, visitou o missionário William Buck Bagby no dia anterior à proclamação da República, que ocorreu em 15 de novembro de 1889, ocasião na qual conversaram sobre a liberdade religiosa nos Estados Unidos. Lobo, então, saiu desse encontro com uma cópia da Constituição Americana, fornecida pelo missionário Bagby.
  A separação da igreja e do Estado já era um anseio dos republicanos, mas esse encontro com o missionário Batista teria contribuído para sua garantia expressa na nova Constituição, de 1891. Sobre a liberdade religiosa, a Constituição Republicana estabelecia o seguinte:
Art. 11 - É vedado aos Estados, como à União: [...] 2º) estabelecer, subvencionar ou embaraçar o exercício de cultos religiosos;
Art. 72 - A Constituição assegura a brasileiros e a estrangeiros residentes no país a inviolabilidade dos direitos concernentes à liberdade, à segurança individual e à propriedade, nos termos seguintes:
§ 3º Todos os indivíduos e confissões religiosas podem exercer pública e livremente o seu culto, associando-se para esse fim e adquirindo bens, observadas as disposições do direito comum.
§ 5º Os cemitérios terão caráter secular e serão administrados pela autoridade municipal, ficando livre a todos os cultos religiosos a pratica dos respectivos ritos em relação aos seus crentes, desde que não ofendam a moral publica e as leis.

  Mesmo com a proclamação da República, a perseguição aos Batistas, e a outros evangélicos, continuou, com insultos, depredações e espancamentos. Mas nossos irmãos do passado resistiram bravamente, denunciaram os abusos, cobraram das autoridades e exigiram o direito de que cada um viva sua fé de acordo com a própria consciência. Assim, pode-se dizer que os Batistas também tiveram participação na busca pela liberdade religiosa e pela separação entre igreja e Estado no Brasil.
Conclusão

  Diante desses relatos, que são apenas um pequeno resumo, podemos dizer que os Batistas foram protagonistas e construíram uma linda história na luta e na conquista da liberdade religiosa. Escreveram a primeira obra em língua inglesa sobre o tema, fundaram o primeiro Estado do mundo moderno onde havia separação entre igreja e governo civil, conseguiram o primeiro documento que garantia liberdade de consciência no território da Nova Inglaterra, pregaram para presidentes e autoridades e tiveram envolvimento direto na inserção da liberdade religiosa na Constituição dos Estados Unidos, maior democracia do mundo.
  Conhecer essa história nos ajuda primeiro a valorizar o esforço e o sacrifício de irmãos do passado que arriscaram suas vidas, foram exilados, presos e até mortos por defender a liberdade de servir a Deus de acordo com sua consciência. Nos ajuda também a continuar lutando por nossos próprios direitos atualmente. Eventualmente, o Estado e outros grupos sociais tentam interferir na liberdade religiosa, ameaçando, por exemplo, pautar sobre quais temas os pastores podem pregar. A igreja deve estar vigilante e defender a liberdade de proclamar sua fé, conforme sua consciência, evidentemente sem ser intolerante com quem quer que seja.
  Mas, talvez a principal lição que esses Batistas do passado tenham a nos ensinar nesse aspecto é que ninguém pode ser inserido no Reino de Deus pela força. Há pouco tempo, circulou na Internet um vídeo no qual traficantes obrigavam uma mãe-de-santo a quebrar seu local de culto e a expulsavam da comunidade, tudo isso “em nome de Jesus”. Jesus jamais aprovaria isso. O Senhor não obrigava ninguém a segui-Lo. Ele disse que “se alguém quiser” andar com Ele, deve negar a si mesmo, tomar a cada dia a sua cruz e segui-Lo. 
  Nós Batistas devemos ser os primeiros a defender o direito das pessoas de viverem a religião de acordo com sua própria consciência. Conforme nos ensinaram Thomas Helwys e Roger Williams, Deus nunca quis que o Evangelho fosse estabelecido pelo Estado ou pela força. Deus nunca quis fundar um “país cristão”. Cristo quer reinar nos corações das pessoas e seu Reino não tem aparência exterior. Ele quer que as pessoas se arrependam e sejam conquistadas pelo amor e pelo Seu Espírito, e não pela lei ou pelas armas. Deixe que sejam hereges. Isso vai nos lembrar de nossa responsabilidade em espalhar a mensagem do Evangelho. Não basta ser o Cristianismo a “religião oficial” em qualquer lugar para que Jesus fique satisfeito. Ele só ficará satisfeito quando cumprirmos com empenho e fidelidade a Sua ordem: ide, pregai e fazei discípulos em todas as nações.

Por Bruno Faé

FONTES:
  • First Freedom: The Baptist Perspective on Religious Liberty (Thomas White)
  • Baptists in America: a history (Thomas S. Kidd)
  • The Baptist story: from english sect to global movement (Anthony L. Chute)
  • História dos Batistas no Brasil até 1906 (A. R. Crabtree)
  • Os Bagby no Brasil (Helen Bagby Harrison)
  • http://www.reformedreader.org
  • https://en.wikipedia.org
  • https://erlc.com



segunda-feira, 2 de dezembro de 2024

Ambiguidades e relativismo: traduções modernas das escrituras

 Autor: Pr. Clávio Jacinto 


  O que é relativismo? Na filosofia, é a crença de que não há uma verdade absoluta, mas muitas verdades. Ainda que sejam opostas, a verdade torna-se apenas a nível pessoal. A "verdade" do outro pode ser completamente oposta a minha, mas em ambos os casos, elas são iguais em validade, mesmo sendo contrárias na natureza lógica. 

  O relativismo é uma crença filosófica completamente anti cristã. Além disso, o relativismo é necessário para que a apostasia ganhe força em nossos dias. Você pode ser um relativista mesmo não percebendo isso. Por exemplo, vou citar a questão das versões bíblicas. Há muitas versões modernas que são contraditórias com o texto tradicional. Há algumas bíblias modernas que até omitem versículos bíblicos quando comparados com uma tradução corrigida do texto tradicional. Vou citar um exemplo:  

Romanos 8:1, as versões modernas omitem a parte final do versículo “Que não andam segundo a carne, mas segundo o Espírito”. Muito bem, pergunto, quais das duas versões são as de fato, a Bíblia? Muitos responderão que são as duas. Isso é relativizar a verdade. Outro exemplo, Tito 3:10, na corrigida tradicional o versículo fala do herege, mas nas modernas é um  divisor. Ora, Jesus nunca foi herege, mas ele foi divisor (João 10:19, Lucas 12:52 e 53). Qual versão está correta? Se você opta pelas duas, você está relativizando a verdade.  Muitas versões modernas foram desenvolvidas em ambientes profundamente relativistas. Um exemplo claro foram aquelas desenvolvidas por ecumênicos para fins ecumênicos. Desejo citar o renomado escritor Abraão de Almeida, no seu excelente livro “Teologia contemporânea”(CPAD). Ele afirma: “Por discordarem das atividades ecumênicas da Sociedade Bíblica do Brasil, os fundamentalistas brasileiros repudiaram como espúrio o Novo Testamento na linguagem de hoje (tradução conjunta de católicos e protestantes), alegando  secularização do texto sagrado, e romperam definitivamente com aquela organização, convidando para estabelecer-se no Brasil a Sociedade Biblica Trinitariana de Londres, que já atua em São Paulo na edição das Escrituras Sagradas” (Pagina 195).  

  Que o dileto leitor possa notar que versões modernas foram desenvolvidas dentro de ambientes relativistas. Assim temos um contingente enorme de pessoas sem discernimento, que argumentam que todas as traduções bíblicas são verdadeiras e são a Palavra de Deus, mas sustentar essa visão é adotar o relativismo como cosmovisão. Mas, o que devo fazer? Você pergunta. Adote uma versão padrão e mantenha ela como sua Bíblia oficial. Mas qual delas? Ora, afasta-se das versões modernas, e mantenha seu foco no texto tradicional, na versão Corrigida e Fiel. Essa é a versão histórica do cristianismo evangélico ortodoxo durante séculos.

Pr. Clávio. J. Jacinto. E-mail para contato:

claviojj@gmail.com