Santidade

Devemos ser santos na terra, se quisermos ser santos no céu. Foi Deus que disse e Ele não voltará atrás: “A santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor” (Hebreus 12:14). Observou William Jenkyn: “O calendário do papa só declara santos às pessoas mortas, mas as Escrituras requerem a santidade da parte dos vivos”. John Owen afirmou: “Não se deixe iludir. O Senhor Jesus Cristo só conduz ao céu àqueles a quem Ele santifica na terra. O Cabeça vivo não admite membros mortos”. J.C. Ryle
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quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

Batistas russos: A resistência ao regime comunista

 Autor: Ricardo dos Santos 


  Não é novidade nenhuma para nós cristãos que durante esses 6000 anos de história da humanidade, ou seja, desde Adão e Eva, Deus sempre preservou um povo para si para que viesse a ser resistência nesse mundo que é hostil a Sua Palavra e que jaz no maligno. Desde que entrou o pecado no mundo temos essa separação entre os que amam a Deus e Sua Santa Palavra e os que amam o mundo e vivem na iniquidade. Vemos isso claramente entre Caim e Abel, vemos na história de Noé, na história de Abraão, na história do povo de Israel e, de igual forma, no atual tempo da igreja. No período dos sete anos da Grande Tribulação, após o arrebatamento da igreja, também não será diferente, pois Deus novamente irá levantar um povo que será resistência contra o governo da iniquidade.
  Em II Tessalonicenses 2:7 está escrito: "E agora vós sabeis o que o detém, para que a seu próprio tempo seja manifestado. Porque já o mistério da injustiça opera; somente há um que agora o retém até que do meio seja tirado; e então será revelado o iníquo, a quem o Senhor desfará pelo Espírito da sua boca, e aniquilará pelo esplendor da sua vinda." Vemos claramente nesses versículos que o que impede a manifestação do homem da iniquidade é a presença da igreja na terra.
  No mundo atual, o regime comunista tem sido um dos regimes mais cruéis e satânicos. Os países que adotam tal ideologia têm como consequência a miséria, o governo ditatorial, falta de liberdade de expressão, perseguição religiosa, ódio à fé cristã e à Palavra de Deus... O comunismo, ao lado do islamismo, tem perseguido fortemente a fé cristã.
  Na Antiga URSS, a hostilidade contra a religião vinha desde os dias dos bolchevistas. Os bolchevistas eram os membros da facção majoritária do Partido Social-Democrata Russo, liderados por Vladimir Lênin, que defendiam uma revolução violenta para tomar o poder e implementar o comunismo na Rússia. O termo "bolchevique" significa "maioria" e originou-se após uma divisão no partido em 1903. Eles são historicamente conhecidos por liderar a Revolução Russa de 1917 e, posteriormente estabelecerem o governo comunista na Rússia, que mais tarde se tornou a União Soviética.
  Esta linha normativa, militantemente ateísta, tinha afetado todas as igrejas da União. Nos primeiros anos de revolução, isto é, em 1917 e nos anos que se seguiram, foi a Igreja Ortodoxa, a seita oficial, que sofreu o impacto da agressão materialista, enquanto os batistas e crentes de outras denominações gozavam de relativa liberdade - e da qual se aproveitaram amplamente. Mas não demorou muito, e Stalin começou a segurar as rédeas do poder cada vez com maior firmeza, e afinal todas as igrejas passaram a sentir o sopro frio dos ventos contrários.
  Durante a época de terror da década de 30, milhares de cristãos e outras pessoas sofreram ou foram mortos em consequência dos "expurgos" de Stalin. A Segunda Grande Guerra, porém, veio operar uma mudança brusca nesta situação. O país passou a sofrer perdas cada vez mais pesadas, e o governo sentiu-se carente do apoio popular. Apelava-se ao patriotismo russo, e as igrejas se tornaram meios de contato direto com o povo para encorajamento da causa pátria. Em entrevistas particulares havidas entre Stalin e os líderes religiosos, algumas concessões foram feitas de ambas as partes e disto resultou um relaxamento da tensão, que, por sua vez, ocasionou um avivamento espiritual, que provavelmente surpreendeu as autoridades.
  Contudo, esta nova atitude não durou muito. Passada a crise mais urgente, ressurgiram os antigos métodos de repressão da fé. Então veio a era de Kruschev. Apesar de sua imagem pública ser de "liberalizante", na realidade, ele desencadeou uma terrível campanha anti-religiosa, que, iniciada em 1959, continuou até a sua queda do poder em 1964. É do conhecimento geral que metade das igrejas ortodoxas do país foram fechadas. Desta vez, também os batistas sofreram com esta nova onda de perseguição.
  Um dos aspectos desta nova fase foi o estabelecimento de algumas regulamentações que, embora apresentadas ao povo pela liderança batista, eram reconhecidamente resultado de pressões estatais. Esta infeliz situação provocou uma reação violenta por parte de alguns crentes batistas de todo o país. Um grupo representativo foi organizado com a finalidade de promover um congresso para se acertarem as coisas, mas isto não vingou, e, em 1965, a fissão que se prenunciava entre as fileiras batistas se efetivou.
  Este grupo reformador que se separou em 1965 tinham condições dadas como tecnicamente ilegais. Era chamado de Concílio das Igrejas Cristãs Evangélicas Batistas. Seus líderes eram por uma lealdade ilimitada a Cristo, por uma contínua renovação espiritual e pela intensificação do esforço evangelístico. Também clamava por justiça para com os crentes de seu país, apelando à Constituição soviética e aos decretos de Lenine. Portanto, poderiam ser enquadrados dentro do contexto do movimento soviético pelos direitos humanos, para o qual, aliás, já contribuíram grandemente. Na verdade, pode-se dizer que eles abriram caminho para boa parte do que se seguiu: as atividades pró-direitos humanos na URSS, as quais ocupavam as manchetes mundiais. Os batistas foram os primeiros a, de modo altamente organizado, firmarem documentos não oficiais, e listas, e a imprimirem jornais relatando tudo sobre sua vida e problemas. Eles se constituíram no primeiro grupo denominacional a confeccionar listas com os nomes de membros seus que se encontravam aprisionados, listas estas que continham informações incrivelmente detalhadas, incluindo endereços de centenas de campos de trabalho forçado.
  Nesse contexto, temos a história heróica de um jovem soldado batista da Antiga URSS, o qual sofreu morte brutal no dia 16 de julho de 1972. Seu nome era Ivan Moiseyev.

Ivan: O Soldado Cristão que Enfrentou o Terror Policial Soviético 


  Ivan Vasilievich era filho de Vasiliy Trofimovich e Joanna Constantinova. Tinha um irmão mais novo chamado Semyon além se outros irmãos. Era uma família cristã batista que temia ao Senhor. Porém, Semyon era o menino rebelde da família. Certo dia chegara em casa ostentando o lenço vermelho, emblema dos Jovens Pioneiros (uma agremiação do Partido Comunista que congregava crianças de 9 a 14 anos e lhes oferecia atividades tais como camping, esportes, música e cultura). Nem a desaprovação geral da família o convenceu a retirar o lenço. Mais tarde foi para a Komsomol (Liga Juvenil Comunista, que reúne jovens de 15 a 28, prossegue na mesma linha dos Jovens Pioneiros, mas com intensificação do doutrinamento; seus membros devem ser ateus. Ele é a porta de entrada para a filiação plena do Partido Comunista). Todas as "maravilhosas" vantagens do Komsomol haviam-no reduzido a uma obediência irrestrita ao partido.
  Ao completar 18 anos, Ivan sentiu o chamado de Deus para se ingressar no Exército. Mesmo seu irmão Semyon o alertando de que a vida no Exército Vermelho não era brincadeira e que lá era proibido esse negócio de falar de Deus e orar, mesmo assim Ivan tinha confiança no Senhor e estava certo de que Deus não o abandonaria. Seu próprio pai o encorajava a fazer a vontade de Deus e toda a família orava por ele. Havia em Ivan uma segurança que não parecia normal em um jovem de 18 anos. Certa vez ele disse: "Deus me ordenou que fale dele onde quer que eu vá, e nunca me cale. Isto confirma o que os pastores dizem, quando ensinam que devemos sempre testemunhar do amor de Deus sem temer as consequências.
  Pela manhã, cedo, Ivan orava todos os dias. Num dia de inverno, orava junto ao fogão da cozinha, próximo à cama dos irmãos menores que ali dormiam para aproveitar o calor. Gostava de orar naquele canto, ouvindo a respiração regular dos outros, que a variação de volume em sua voz não perturbava.
  Assim que começou no quartel, Ivan sentiu extremamente necessário procurar um lugar para orar. O grande número de soldados, o barulho dos alojamentos, a impossibilidade de ficar a sós, começavam a incomodá-lo. Até que um dia ele conseguiu encontrar um lugar para fazer suas orações em um determinado gabinete.

Como começou a perseguição e qual foi o seu fim

  Tudo começou quando certo dia o sargento Strelkov dirigiu o olhar para o ponto do bando em formação onde um lugar vago denotava a ausência de um soldado. Um movimento na periferia do campo de treinamento chamou sua atenção. O retardatário chegava numa corrida desesperada. Ficou a observá-lo impassivelmente. Era Moiseyev (Moiseyev era o último sobrenome de Ivan). Daí então se dirige para Moiseyev: "Explique a razão de seu atraso, Camarada Soldado Moiseyev." Ao que o soldado respondeu: "Sinto muito, sargento. Estava orando."
  O sargento pertencia a uma terceira geração de ateus. Seu avô fora um dos primeiros bolchevistas; aspirante da marinha e tripulante do couraçado Aurora. Lutara nas ruas de Leningrado por ocasião da revolução. Seu pai fora oficial durante a grande guerra patriótica, e participara do cerco daquela cidade, vindo a falecer nos últimos dias dele, em consequência de ferimentos e da carência de alimentação. Seu cartão de filiação ao Partido Comunista fora encontrado em seu bolso. Presentemente, Strelkov trazia-o junto ao seu na carteira.
  Foi a partir do momento em que Ivan disse que estava orando que o inferno se levantou ferozmente contra a vida desse jovem crente. Começaram, então, os interrogatórios, as perseguições e as piores torturas possíveis que um ser humano pode passar.

- Foi levado ao gabinete do Polit-ruk Capitão Boris Zalivako (Polit-ruk: sigla que designa Politicheskoye-Rukovodstavo - Comitê de diretiva política). Zalivako debateu com Ivan defendendo a tese do comunismo científico de que Deus não existe. Porém Ivan, como sempre formado na Palavra de Deus, defendeu a bíblia e o criacionismo.
  O Polit-ruk deu a Ivan a tarefa de lavar o salão de conferências do alojamento e todos os seus corredores, de joelhos, com um balde e um esfregão. Isso durante toda a noite. O jovem parecia bem disposto, cantando e rindo enquanto trabalhava, apesar das inúmeras interrupções que sofria por parte dos oficiais que o chamavam a seus gabinetes para passar-lhe repreensões.

- Sendo enviado para Kertch, Ivan se alegrara achando que os interrogatórios cessariam. Continuou fiel ao Senhor, orando e admitindo abertamente que orava, que era batista e que assistia a cultos evangélicos quando tinha oportunidade. Porém, maus sabia Ivan que Zalivako enviara um relatório completo para o Polit-ruk de Kertch, certificando-o da existência de um crente no pelotão. Não demorou então para que começassem novas perseguições. O Polit-ruk de Kertch era o Capitão Yarmak. Ivan foi enviado para ficar preso numa cela onde ficaria sem direito à alimentação e sujeito a interrogatórios por parte dos oficiais. Eram feitos diversos questionamentos do tipo: 
  "Estava doente? Será que já resolvera mudar de atitude? Suas ideias eram imperialistas, remanescentes do czarismo e do capitalismo. Tais conceitos não seriam tolerados no Exército Vermelho. Não pensasse ele que estava sofrendo pela sua fé. Estava, isto sim, sendo castigado por tentar evadir às suas obrigações militares. Até quando iria fugir às suas responsabilidades para com seus camaradas e para com o Estado? Supondo-se que Deus existisse mesmo, será que ele criaria um espaço pequeno demais para si mesmo? Por que ele, Ivan, deixava de alimentar-se? Estava suscitando dúvidas quanto ao seu equilíbrio mental. Será que não compreendia que uma rejeição dos princípios marxistas implicava na rejeição do ideal soviética? Deus é um mito criado pelos homens para explicar fomes, doenças e outras condições para as quais eles não encontram explicação. Agora, não havia mais necessidade de Deus. Ele era um empecilho ao progresso do cidadão socialista livre. As pessoas que divulgavam tais ideias se declaravam inimigas do Estado."
  Essa provação durou cinco dias.

- Chegou a vez do Major Gidenko. E mais uma vez Moiseyev testemunhou da Palavra de Deus e de seu amor. Dessa vez, a provação foi ainda mais cruel: ficar de pé na rua à noite, após o toque de silêncio, e isso numa temperatura de inverno a 25⁰C abaixo de zero. E outro detalhe: deveria de cumprir a tarefa usando uma farda de verão. Já imaginou que situação hein? Mesmo assim Moiseyev manteve-se firme no seu propósito de testemunhar da Palavra de Deus. Enfrentou mais esse terrível desafio. Mas, o Senhor era com Ivan, o qual mais uma vez deu livramento diante dessa provação.

- Esses são alguns exemplos do que Ivan passou no Exército Vermelho por não se encurvar aos princípios do ateísmo científico sobre os quais se baseavam o Estado Soviético e o poderio militar do exército. Muitos e muitos outros interrogatórios muitas e muitas outras provações e perseguições Ivan foi exposto. Tudo isso foi relatado no livro "Ivan: O Soldado Cristão que Enfrentou o Terror Policial Soviético".
  Por fim, Ivan foi assassinado em julho de 1972.

  Vale apena todo cristão ler esse livro que conta a história desse jovem herói batista que não se encurvou diante das pressões do terror do comunismo. A exemplo de Daniel, de Sadraque, de Mesaque e de Abede-Nego, seguiu firme em seus propósitos de servir ao Senhor mesmo diante de toda tempestade.

Ivan na idade de 18 anos, quando entrou para o Exército Vermelho.

Livro: "Ivan: O Soldado Cristão que Enfrentou o Terror Policial Soviético". Autor(a): Myrna Grant. Tradução: Myrian Talitha Lins. Editora Betânia.

Ivan de farda. 


Ivan quando era criança.


Conclusão 

  Esse texto nos trás a reflexão do que é ser cristão em um país dominado pelo comunismo. Infelizmente, aqui no mundo ocidental, inclusive aqui no Brasil, muitos crentes estão dormindo para a realidade do que é o comunismo. Muitos acham que esse tipo de perseguição acontece só lá na China, na Coréia do Norte e na Antiga URSS, mas aqui não aconteceria isso caso o Brasil virasse comunista. É lamentável como tem crente dormindo quanto a esses fatos.
  Há um forte interesse por parte do sistema mundial cujo príncipe é o próprio Satanás, de que haja perseguições contra a fé cristã. Isso em pleno século 21, quando enchem a boca para falar de democracia, de liberdade de expressão, de pluralidade de ideias, de liberdade religiosa. Em nome dessa suposta democracia, querem impor uma verdadeira ditadura mundial, onde quem reinará vai ser o anti-cristo, o homem da iniquidade. Daí podemos entender o porquê da mídia tradicional se calar em relação à perseguição contra o cristianismo em países principalmente comunistas e muçulmanos. Eles precisam que o cristianismo fiel seja varrido do mapa. Eles precisam varrer do mapa a verdadeira fé original para que possam impor os propósitos do sistema maligno.
  Enfim, vivemos tempos realmente sombrios, onde a tendência é só piorar. Que possamos seguir o exemplo de Ivan Moiseyev e desses heróis batistas que mantiveram sua fé firme e inabalável diante de todo aquele sistema comunista.
  Esse é um tipo de texto que não deve ficar apenas aqui no meu blog. Passe adiante. Quem tiver o seu blog, copie e coloque no seu blog. Quem tiver canal no YouTube, faça vídeo a respeito desse texto. Compartilhe em todas as suas redes sociais (Facebook, Instagram, Whatsapp...). Leve esse assunto para a sua igreja, para seus amigos, para os seus familiares, para as escolas e faculdades. As pessoas precisam ser alertas sobre a verdadeira face do comunismo.

Ricardo dos Santos 






terça-feira, 17 de junho de 2025

Sir Robert Anderson

 Texto extraído do site espada.eti.br


Embora de ascendência escocesa, Sir Robert Anderson nasceu em Dublin (Irlanda), em 29/05/1849. Seu pai, Mathew Anderson, exercia a função de "Crown Solicitor" (Solicitador da Coroa) na capital irlandesa, tendo sido um eminente presbítero na Igreja Presbiteriana da Irlanda. 

  Em 1863, Sir Robert Anderson foi convocado para o Tribunal Irlandês. Em 1865, começou a assessorar o governo irlandês no interrogatório de prisioneiros e na preparação de documentos legais. Em 1873, casou-se com Lady Agnes Moore, irmã do Duque de Drogheda, um verdadeiro acerto nos dois sentidos.

  Em 1877, o seu conhecimento especial nos meandros da conspiração o levou a ser nomeado Agente Irlandês do Escritório Nacional e, em 1886, quando Londres estava apavorada com o caso de "Jack, o Estripador", ele foi trabalhar na Scotland Yard como Comissário Assistente da Polícia Metropolitana e Chefe do Departamento de Investigação Criminal.

  Nesse tempo, Arthur Conan Doyle estava divertindo Londres com suas histórias sobre Sherlock Holmes, mas eram Sir Anderson e sua equipe que estavam libertando a cidade dos crimes e dos criminosos, tanto que, segundo registros da época, a criminalidade diminuiu consideravelmente em Londres. Sir Robert ocupou esse cargo até 1901, quando foi sagrado Cavaleiro e se aposentou, aos 60 anos de idade.

  W. H. Smith declarou na Casa dos Comuns que Sir Anderson "havia desempenhado os seus deveres com grande habilidade e perfeita fidelidade ao público. Raymond Blathwayt em sua obra Great Thoughts (Grandes Pensamentos), escreveu: "Sir Robert Anderson é um dos homens a quem o país, mesmo sem conhecer, tem um grande débito".

  Ele foi especialmente ligado aos maiores mestres do seu tempo, incluindo James M. Gray. C. I. Scofield, A. Dixon e E. W. Bullinger.

  Às 11 horas do dia 15 de novembro de 1918, ele passou, calmamente, à presença do Senhor que ele tanto amava.

  Como autor o seu nome prevalecerá entre as futuras gerações. Seus livros em geral: Criminals and Crimes (Criminosos e Crimes), Side Light on the Home Rule Movement (O Lado Claro do Movimento do Governo do Lar) e The Lighter Side of My Official Life (O Lado Mais Claro de Minha Vida Oficial), tratando principalmente das coisas temporais, talvez não consigam sobreviver. Porém os seus volumes de Estudos Bíblicos, os quais tratam das "coisas eternas", esses hão de perdurar.

espada.eti.br


terça-feira, 10 de junho de 2025

Uma pequena, grande e frutífera igreja

Autor: Diácono Elyser Antunes de Sá 


  Seria a Igreja Evangélica Congregacional de Jardim América uma pequena, grande e frutífera Igreja?

  Vamos meditar bem neste assunto e ver se realmente é assim. Quem sabe algumas  pessoas que  não conheçam a história da igreja e outras que se esqueceram de alguns momentos de nossa história, é sempre bom relembrarmos as coisas boas e que nos trazem alegria. Senão vejamos: Primeiramente gostaríamos de relembrar de algumas pessoas, de saudosa memória, que foram  responsáveis pela existência de nossa igreja e que provavelmente dariam sua vida por ela.  PASTORES: NILSON PINTO CORREA E RAY LEE BEL; PRESBÍTEROS:  LUIS DIAS DE CASTRO, IRINEU ANTONIO DE SOUZA, ALCIDES PEREIRA DE LUCENA E  JOSIAS ANTUNES DE SÁ; DIÁCONOS: MIGUEL DE OLIVEIRA SOARES, ELIAS ANTONIO DE SOUZA, BENEDITO CIQUEIRA DOS SANTOS E DEOCLECIANO AMÉRICO TELLES;  IRMÃS:  OUVÍDIA RANGEL DE CASTRO,  LEOPOLDINA GOMES DE ALMEIDA, DIAMANTINA DE NOVAIS RAMOS, ALICE PAULA DE SOUZA,  AUGUSTA DO NASCIMENTO SILVA,  ANNA FERREIRA TELLES,  ALICE DE SOUZA FERREIRA, ÁUREA MADALENA DA SILVA E  DARCY DO NASCIMENTO SILVA; IRMÃOS: ANTONIO JOSÉ RODRIGUES,  PAULO SILVA E  JOSÉ RAMOS.  Foram homens e mulheres de Deus, com erros e acertos, como nós,  mas que amavam esta igreja. 

  Uma igreja que se dividiu em duas, dando origem  a 2ª IGREJA EVANGÉLICA CONGREGACIONAL DE CAMPO GRANDE, e permaneceu firme e inabalável, poderia ser chamada de pequena e infrutífera? Uma igreja que tem duas filhas que são a IEC DE ILHÉUS e atual MINISTÉRIO TERRA FÉRTIL, em Inhoaíba, tendo sido formadas por membros dessa igreja, pode ser considerada pequena e infrutífera? Uma igreja que tem, através de seus membros espalhados pelos mais longínquos rincões do Brasil, o evangelho, semeando a palavra do Senhor através de ajuda a missionários. Uns  semearam  a palavra, outros deram origem inclusive a igrejas e entre esses irmãos podemos citar: A 1ª IGREJA CONGREGACIONAL DE BRASÍLIA, fundada por sete membros de nossa igreja, 1ª IGREJA CONGREGACIONAL DE MANAUS, fundada por um pastor, que foi um jovem de nossa igreja, apoiado por uma família também da nossa igreja, outra família semeando o evangelho na cidade de Boavista. Outros irmãos que fazem parte do principal Ministério de uma IGREJA NOVA VIDA, no Guará em Brasília. Uma outra família que ajudou a fundar a IGREJA DO EVANGELHO QUADRANGULAR, no Sagrado Coração em Santa Cruz e que foi  pastor daquela igreja. Uma igreja que durante um período manteve um de seus filhos que é  pastor,  em NOVA VENÉCIA. Ajudou a fundar um trabalho missionário em TANGARÁ DA SERRA, MT, ajudando a manter o obreiro.  Uma igreja que durante muitos anos ajudou a manter, entre os índios na região amazônica,  pastor e sua esposa, ambos membros da nossa igreja e que hoje são professores do SEMINÁRIO PALAVRA DA VIDA, formando novos missionários, entre eles os seus próprios filhos,  tendo portanto participação naqueles que vão sendo formados naquele Seminário.  Entre seus filhos saíram vários pastores. Poderia alguém em sã consciência dizer que essa igreja é pequena e infrutífera? 

  Amados, nossa igreja, embora pareça pequena, tem sido um centro de formação de irmãos capazes, instruídos na pura doutrina, que onde quer que cheguem, tornam-se  referência e são benção para a igreja.  A cada dificuldade ou provação nosso Deus nos tem tornado mais fortes e aqueles irmãos que o Senhor tem  permitido saírem para outras igrejas têm espalhado benção para outros irmãos. Uma Igreja que participa ativamente em todos os organismos de nossa União de Igrejas.  O Senhor não se preocupa com quantidade. Gideão tinha 32.000 homens para o combate, mas o Senhor escolheu somente 300, porque a força e o poder não estão na quantidade e sim no próprio Deus, somos apenas reles instrumento em suas mãos. Vamos agradecer ao nosso Deus porque esse pequeno grupo, que a cada dia o Senhor reforça com novos e abençoados irmãos, tem sido abençoado e usado por nosso Deus e nas mãos de Deus podemos afirmar sem erro ser uma IGREJA GRANDE, FORTE  E FRUTÍFERA. Ao nosso Deus toda a honra e toda a glória!

Diácono Elyser Antunes de Sá, membro da Igreja Evangélica Congregacional de Jardim América no Rio de Janeiro - RJ.

Histórico do Abrigo Evangélico de Pedra de Guaratiba - Rio de Janeiro

Autor: Fernando Almeida Biato 


  O Sr. Abílio Augusto Biato, português de nascimento, chegou ao Brasil em 1893. Presbítero desde 1918 da Primeira Igreja Evangélica no Brasil, a Igreja Evangélica Fluminense, no Rio de Janeiro, ficou viúvo da Sra. Leopoldina Novaes Biato, em 1917, com sete filhos para criar, sendo um deles recém-nascido.

  Diante das dificuldades enfrentadas, viu-se na necessidade de internar três dos seus filhos num colégio em Lavras - MG, e os outros com o irmão e o bebê com os sogros, até que se casou novamente e conseguiu restituir a família, trazendo seus filhos de volta para juntarem-se aos outros cinco filhos, fruto do casamento com D. Albertina.

  Em razão de sua experiência, ele compreendeu a necessidade da criação de um estabelecimento que acolhesse os filhos de pessoas na mesma situação.

  Em 1919, durante a realização da 3⁰ Convenção das Igrejas Evangélicas (hoje União das Igrejas Evangélicas Congregacionais do Brasil), o Presbítero Biato, um dos delegados ali presentes, propôs a criação desse estabelecimento, sendo bem recebida a proposta e aprovada por unanimidade, dando surgimento à  fundação de um orfanato evangélico, “com fundo especial e vida própria, destinado a recolher os órfãos de nossas igrejas e de outras”, apesar das grandes dificuldades a serem enfrentadas na realização de empreendimentos de tamanha complexidade.

  Em 1947, esse sonho se torna realidade e temos, até hoje, o funcionamento do Abrigo Evangélico da Pedra de Guaratiba, que se mantém, desde aquela época até os dias de hoje, com as contribuições de diversas igrejas, empresas e amigos do Abrigo, como também a nossa tradicional quermesse do dia 21 de abril.

  O Presbítero Abílio Biato, idealizador, fundador, provedor e sustentáculo dessa magnífica obra, faleceu em 1953,  deixando-nos esse grande legado.

Fernando Almeida Biato

Fonte: https://www.abrigodapedra.org/abrigo

quarta-feira, 16 de abril de 2025

Cinco teorias interessantes sobre a história do cristianismo

 Autor: Buck Williams 


  Cinco teorias (fatos para mim) sobre a história cristã que, a despeito de serem apresentadas e debatidas há séculos nos EUA, no Brasil são quase que totalmente desconhecidas:

1- A Bíblia King James 1611 é a Palavra preservada de Deus.

2- A Companhia de Jesus controla o mundo usando as sociedades secretas e as agências de espionagem.

3- As igrejas dos povos bárbaros europeus (anglo-saxões e bretões) não só foram fundadas antes do surgimento da igreja romana estatal (o catolicismo) no final do séc. IV, como - até o séc. V - funcionavam de forma totalmente autônoma e mantinham uma doutrina própria (semelhante a dos batistas).

4- Essas igrejas bárbaras da Europa ocidental foram diretamente fundadas por personagens bíblicos (alguns apóstolos, José de Arimatéia, etc...).

5- Os batistas são descendentes diretos dos crentes primitivos e é perfeitamente possível rastrear uma linha de tempo da igreja de Antioquia até eles.

Buck Williams 

terça-feira, 18 de março de 2025

A verdadeira história de "São Patrício"

 Autor: Caleb Joseph Hickam 

Traduzido por Buck Williams 



  O verdadeiro "São Patrício" não era católico, mas um batista crente na Bíblia. Seus pais eram cristãos na Grã-Bretanha, mas ele próprio não era convertido até quando, com cerca de 16 anos (por volta do ano 376 d.C.), foi sequestrado por invasores irlandeses e levado para a Irlanda como escravo. 

  Durante seu tempo como escravo, ele meditou sobre os ensinamentos de seus pais desde a infância e, finalmente, colocou sua fé em Cristo tornando-se um cristão nascido de novo. Depois de alguns anos, ele conseguiu escapar de seu cativeiro e voltar para sua casa na Grã-Bretanha. 

  Contudo, logo após seu retorno para casa, o Senhor o levou a um grande fardo pelas almas de seus antigos captores, de modo que ele retornou à Irlanda como missionário. Ele liderou milhares de almas na condução de sua fé a Cristo, ordenou cerca de 450 bispos (pastores) sem qualquer aprovação de Roma, e era bem conhecido por cavar poços para batistérios fora dos prédios da igreja que construiu. Esses poços eram profundos e claramente destinados à imersão total de adultos. Em seus poucos escritos sobreviventes, ele nunca reconhece qualquer conexão com Roma ou o papa. Ele cita extensivamente a versão latina antiga (pré-Jerônimo) da Bíblia, nunca aludiu ao batismo infantil e se referia a seus seguidores como “CRENTES BATIZADOS”.

Caleb Joseph Hickam é um cristão batista fundamentalista nos EUA.

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2025

A relação entre o congregacionalismo e o sacerdócio de todos os crentes

 Trecho da dissertação de mestrado em História Social do Rev. Idauro Campos


  O congregacionalismo, entre todas as tradições surgidas a partir da Reforma Luterana, foi a mais ousada e radical aplicação do conceito reformado de sacerdócio universal dos santos, porquanto os congregacionais o aplicaram de forma soteriológica e eclesiológica:

1- Soteriológica: O homem com acesso direto a Deus por meio da obra redentora do Senhor Jesus Cristo na Cruz do Calvário, sem quaisquer outras mediações.

2- Eclesiológica: Os salvos, uma vez inseridos na Igreja, podem e devem, pela diversidade carismática dos dons distribuídos pelo Espírito Santo , atuarem na igreja, independentemente de serem ministros ordenados ou não. A atuação é ampla, livre e total, distinguindo apenas nas funções que serão exercidas conforme o carisma.

  Os luteranos e os anglicanos, embora reformados, se mantiveram erastianos em suas formas de governo e mantendo muito da liturgia rígida, sendo verticalizados nas responsabilidades eclesiásticas.

  O congregacionalismo é horizontal. Iguala os crentes. Tendo na democracia, na autonomia (ou independência) e na autoridade (da comunidade local reunida) seus marcos teóricos principais.

  O congregacionalismo é, além de tudo, também uma Teoria Social, pois o congregacionalismo representou uma versão da tentativa dos homens de experimentarem uma forma de liberdade, ainda que liberdade religiosa, algo inovador e inusitado para a Inglaterra e mesmo Europa dos séculos XVI e XVII. Também representou o anseio de que uma vez emancipado, o homem poderia, a despeito de participar ou colaborar com instituições, tomar para si suas responsabilidades e destinos sem esperar que agências mediadoras fizessem por ele. 

  No início da Idade Moderna, contexto imediato do experimento congregacional, a ideia de homens livres que rejeitam a participação compulsória em uma instituição cristã legal e magisterial e que sozinhos poderiam iniciar uma comunidade de fé, dos quais seriam seus responsáveis - cuja aplicação é resultado da livre consciência, do acesso e exame aos documentos canônicos e da interpretação - seria inovadora, uma vez que o paradigma da verdade era institucionalizado e vinculado à Igreja, considerada fonte e detentora da autoridade. Destarte, o homem ocidental e europeu, era localizado na história tendo a Igreja oficial como a legitimadora de sua condição social. Era esta a instituição que lhe assegurava pertença e identidade e que lhe conferia o trilho social por onde sua vida passaria. 

  O congregacionalismo, com sua ênfase na participação do congregado, na consciência, na liberdade eclesiástica e na autonomia administrativa revela-se como uma versão religiosa da emancipação do indivíduo e da experimentação prática de determinadas transformações sociais pelas quais a Europa vinha testemunhando em outros locais.

Rev. Idauro Campos Júnior é pastor da Igreja Congregacional de Niterói (RJ), bacharel em Teologia (Centro Universitário Bennett), pós-graduado em História do Cristianismo (FAECAD) e mestre em História Social (Universidade Salgado de Oliveira), com especializações em Teologia Contemporânea e Ciências da Religião.


sábado, 4 de janeiro de 2025

Nosotros hermanos: história da Igreja Evangélica Congregacional da Argentina

 Autor: Pr. Antonio Mario Schãr

Texto original em espanhol traduzido por Ricardo dos Santos


  Entre os anos 1920 e 1922, um grupo numeroso de famílias cristãs de origem russo alemão [Alemanes del Volga] não conformes com a igreja que os assistia, começam a reunir-se no salão escolar [Schulhause] de Aldea San Antonio sob a liderança do professor Jorge Gaier.
  Este grupo de famílias eram de origem reformada e profundamente pietistas; conhecidos como os piedosos, os irmãos consagrados a Deus.
  O primeiro nome desta nascente igreja seria Congregaçión Evangélica Libre San Antonio, pelo fato de que não queriam aderir-se a nenhum sínodo ou denominação existente.
  Em 4 de março de 1923 formulam seu primeiro estatuto que levaria o nome de Sociedad Evangélica Alemana religiosa. De forma unânime elegem ao professor Jorge Geier como pregador e pastor evangélico.
  Nomeia-se a primeira comissão integrada por: Jorge Felipe Sittner, Lorenzo Huck, Felipe Schlotthauer, Felipe Kindsvater, Jacobo Sittner [filho], Juan Schefer e Jorge P Heidenreich.
  Em junho de 1923 se começa com a construção do primeiro templo chamado Casa de Oração. Desde o princípio os cultos se realizavam no idioma alemão.
  As decisões se tomavam em assembleias auto convocadas. Em sua busca espiritual sempre queriam assemelhar-se à igreja de Atos dos Apóstolos.
  Entre os anos 1920 e 1923 já estavam em marcha as igrejas de: San Antonio, Almada, Irazusta, Urdinarrain, Villa Mantero e Costa San Antonio (todas em Entre Rios, Argentina).
  Ao receber notícias que seus parentes e amigos nos Estados Unidos haviam se unido à Igreja Congregacional, solicitaram por escrito o apoio missionário da mencionada igreja o qual se concretizou no ano 1924 com a chegada do primeiro pastor John Hölzer [Juan Helzer] procedente da Conferência de Ilinois.
  O pastor Juan Helzer chega a Urdinarrain em 1⁰ de março de 1924. Em poucos meses organiza as igrejas sob as normas congregacionais.
  Instruindo, examinando e ordenando ao professor Jorge Gaier como o primeiro pastor da Igreja Congregacional em Argentina.
  As igrejas já estabelecidas se uniram à Igreja Congregacional dos Estados Unidos porque buscavam uma igreja que reunia suas convicções cristãs trazidas da Rússia e na qual podiam praticar livremente sua fé e sua forma de viver a vida cristã.
  Em 4 de maio de 1924, o pastor Juan Helzer se reúne pela primeira vez com a igreja de Aldea San Antonio, explicando sua missão e propósito. A igreja ficaria com o nome "Congregación Evangélica Libre Congregacional", com um total de 216 membros.
  Em 18 de maio de 1924, o pastor Juan Helzer organiza a igreja de Almada com um total de 74 membros. A igreja adota o nome "Congregación Evangélica Libre de Paz". 
  A igreja de Irazusta se organiza em 25 de maio de 1924 sob a direção do pastor Juan Helzer, com o nome de "Congregación Evangélica Libre Sion", com um total de 91 membros.
  Em 29 de maio de 1924 a igreja de Costa San Antonio decide também, em forma unânime, levar o nome "Congregación Evangélica Libre Emmanuel", com um total de 35 membros.
  Em 1⁰ de junho do mesmo ano, também a igreja de Mantero se reúne com o pastor Juan Helzer e decide levar o seguinte nome: "Congregación Evangélica Libre Salem", com um total de 57 membros.
  Em 13 de junho se reúne a igreja de Urdinarrain na casa de Osvaldo Weigandt. O pastor Juan Helzer explica sua missão e se define o nome da igreja: "Congregación Evangélica Libre San Juan, com um listado de 82 membros.
  Em 22 de junho de 1924 se realiza uma assembleia em Aldea San Antonio, donde se reformam os estatutos adequando às normas congregacionais.
  Em 29 de junho se recorda como um dia muito especial na história da igreja de Aldea San Antonio. Os motivos são os seguintes:
1- Celebra-se a primeira assembleia extraordinária sob a condução do pastor Juan Helzer.
2- Às 10 da manhã se inaugura o primeiro templo.
3- Às 14 horas se reúne o concílio integrado por 12 irmãos que representam as seis igrejas, os quais examinam o pastor Jorge Gaier e em forma unânime decidem sua ordenação.
4- Às 19 se realiza a ordenação ao ministério pastoral do pastor Jorge Gaier.
5- Formaliza-se a união à Igreja Evangélica Congregacional em Argentina.
  A Igreja Congregacional dos Estados Unidos enviou várias famílias pastorais como missionários.
  Todos eles depois de cumprir suas funções pastorais regressaram para os Estados Unidos.
  O primeiro seminário (Instituto Teológico) foi fundado na cidade de Concordia no ano de 1939 pelo pastor Otto Tiede, com o nome de "Seminário para pregadores".
  Neste seminário se capacitavam os pastores argentinos assim como os pastores brasileiros até o ano de 1973.
  A igreja se estendeu desde Entre Rios até as províncias de Misiones, Chaco, Formosa, Córdoba, Santa Fe, Buenos Aires, Corrientes.
  A maioria das congregações começaram em casas de família e em escolas.
  Hoje, a igreja tem ao redor de 150 templos e pontos de pregação.
  No ano de 1942 a Igreja Evangélica Congregacional também se extende ao país irmão Brasil (Rio Grande do Sul).
  Em 1948 o seminário de Concordia envia os primeiros pastores ao Brasil para dar continuidade à obra ali iniciada. Até o ano de 1973 todos os pastores do Brasil se preparavam na Argentina.
  A obra no Paraguai começa na década de 1970, e nasce como uma obra missionária da Igreja Evangélica Congregacional do Brasil.
  A igreja no Uruguai tem seu começo no ano de 1992 e se origina na cidade de Fray Bentos. Na atualidade se extende também à de Mercedes.
  No ano 1980 se cria o Departamento Nacional Misionero, hoje EAMIC (Equipo Apostólico Misionero de la Iglesia Congregacional). Este departamento impulsou a abertura de vários campos missionários; recentemente se abriram os campos de Viedma, Mina Clavero, Córdoba, Salta Capital e por último está em curso em nosso país irmão Bolívia. Inicialmente o cargo de superintendente foi ocupado pelos pastores missionários enviados dos Estados Unidos: Otto Tide, Frederick Schneider, Herbert Schaal, Harold Goldmann. Logo o cargo foi ocupado por pastores argentinos: Federico Asmus, Emilio Schmeck, Eduardo Scheffer, Teodoro Stricker, Gustavo Menke, Reynaldo Horstt, Erhard Serfas, Emílio Wagner, Alberto Hildt e Marcelo Becla.
  As conferências dos irmãos marcaram a vida espiritual de uma época dentro das igrejas congregacionais na Argentina. Entre Rios, Misiones e Chaco foram as províncias que ainda abrigam até o dia de hoje nessas conferências fraternais.
  Os irmãos anciãos (presbíteros) sempre foram os colaboradores dos pastores, tanto a nível local como a nível provincial, ocuparam um rol importante visitando as congregações e pregando a Palavra de Deus.
  O trabalho com as mulheres sempre esteve presente na igreja: Reuniões de Damas, retiros, encontros e jornadas de capacitação têm lugar em cada congregação.
  As campanhas evangelísticas têm seu começo na congregação de Leandro N. Além (Misiones) em agosto do ano 1956, estendendo-se a todas as igrejas do país, trazendo grandes avivamentos espirituais. A música e o canto têm sido característicos das igrejas congregacionais, duplas, trios, quartetos, conjuntos de cordas, bandas de música entre outros tantos enriqueciam os cultos, as conferências, as campanhas evangelísticas e os tradicionais encontros juvenis. Com o passar do tempo a igreja vem incorporando novas formas e estilos quanto a louvor e adoração.
  O culto na casa sempre foi o centro da vida espiritual das famílias de nossos pioneiros. Reuniam-se para escutar a pregação que seria lida ou pregada pelo chefe do lugar. Os hinários, os livros de orações e os livros de pregações trazidos de Volga (Rússia) e acima de tudo a bíblia foram fontes de nutrição espiritual durante décadas.
  Desde o começo até o dia de hoje, o trabalho com os meninos sempre teve um lugar preponderante nas igrejas congregacionais. Reuniões juvenis, acampamentos,  congressos de jovens se realizam em forma normal em cada uma das províncias (Estado) onde a igreja está presente. Com o passar do tempo a igreja vem investindo na educação: jardins de infância, escolas e colégios.
  Também os meios de comunicação como os rádios estão presentes e se utilizam para compartilhar o evangelho.

Texto do pastor Antonio Mario Schãr, pastor congregacional na Argentina. Texto extraído do jornal O Varonil (Órgão Oficial da Confederação das Uniões dos Homens Evangélicos Congregacionais - março, abril e maio de 2021).

quarta-feira, 1 de janeiro de 2025

Memorial Clarence Larkin

 Autor desconhecido 



  Pastor batista, professor de Bíblia e escritor norte-americano, Clarence Larkin nasceu a 28 de outubro de 1850, em Chester, no condado de Delaware, Pensilvânia. Converteu-se a Cristo aos 19 anos e sentiu-se então chamado para o ministério do Evangelho, mas as portas da oportunidade de estudo e ministério não se abriram imediatamente. Conseguiu então um emprego em um banco.

  Aos 21 anos, deixou o banco e foi para a faculdade, formando-se engenheiro mecânico. Continuou como desenhista profissional por um tempo, depois tornou-se professor de cegos.

  Este último esforço cultivou as suas faculdades descritivas – algo que Deus mais tarde usaria nele para produzir uma obra monumental sobre teologia dispensacionalista. Mais tarde, problemas de saúde obrigaram-no a abandonar a carreira docente. Depois de um descanso prolongado, tornou-se um fabricante. Mas não estava feliz. Sentiu que Deus o queria no ministério do Evangelho. Quando se converteu, tornou-se membro da Igreja Episcopal, mas em 1882, aos 32 anos, tornou-se batista e foi ordenado ministro batista dois anos depois. Passou diretamente dos negócios para o ministério.

  A sua primeira carga foi em Kennett Square, Pensilvânia; o seu segundo pastorado foi em Fox Chase, na Pensilvânia, onde permaneceu durante 20 anos. Não era um pré-milenista na altura da sua ordenação, mas sim o seu estudo das Escrituras, com a ajuda de alguns livros que lhe caiu nas mãos, levou-o a adotar a posição pré-milenista. Começou a fazer grandes gráficos de parede, que intitulou de “Verdade Profética”, para uso no púlpito. Isto levou a que fosse convidado para lecionar, no âmbito do seu trabalho pastoral, em dois institutos bíblicos.

  Durante este tempo, publicou vários gráficos proféticos, que foram amplamente divulgados. Quando a Primeira Guerra Mundial eclodiu, em 1914, foi chamado para discursos sobre A Guerra e a Profecia. Então Deus colocou no seu coração a necessidade de preparar uma obra sobre a Verdade Dispensacional (ou o Plano e Propósito de Deus nas Eras), contendo uma série de gráficos com matéria descritiva. Passou três anos da sua vida a projetar e desenhar os gráficos e a preparar os textos. A recepção favorável que teve desde que foi publicado pela primeira vez em 1918 parece indicar que o mundo esperava um livro deste tipo.

  Por ter tido grande e ampla circulação neste e noutros países, a primeira edição esgotou-se logo. Seguiu-se uma segunda edição e, depois, percebendo que o livro tinha um valor permanente, Larkin reviu-o e ampliou-o, imprimindo-o na sua forma atual.

  Larkin seguiu esta obra-prima com outros livros: Dividir Corretamente a Palavra, O Livro de Daniel, Mundo Espiritual, Segunda Vinda de Cristo e Um Baú de Remédios para Praticantes Cristãos, um manual sobre evangelização.

  Larkin, um homem bondoso e bondoso, deplorava a tendência dos escritores para dizerem coisas pouco caridosas uns sobre os outros, pelo que procurou sinceramente evitar a crítica e satisfazer-se simplesmente apresentando o seu entendimento das Escrituras. Embora não pretendesse publicar as suas próprias obras, o Senhor conduziu nesse sentido. Durante os últimos cinco anos da sua vida, a procura pelos livros de Larkin fez com que abandonasse o pastorado e se dedicasse integralmente à escrita. Foi estar com o Senhor no dia 24 de janeiro de 1924.

Texto extraído do Facebook de Michel James Martins Lima, um cristão bíblico fundamentalista que tem feito um excelente trabalho no Facebook.

segunda-feira, 30 de dezembro de 2024

Breve história do irmão Roy Bell: um ex-criminoso que se tornou um grande ministro Batista Fundamentalista

 Extraído do canal Investigação Bíblica do YouTube 



  De família católica romana e filho de um mafioso morto quando ele ainda tinha 10 anos de idade, Roy Bell entrou cedo no mundo do crime e das drogas. Fez parte de uma gangue de motoqueiros, e virou assaltante de banco colecionando 4 prisões, 2 fugas e 12 sentenças condenatórias; o que resultou em sua prisão perpétua. Todavia, nada disso o impediu de ser transformado pelo Espírito Santo, já que fora discipulado via-correspondência por ninguém menos do que Peter Ruckman ao longo de 30 dos seus anos de cadeia, experiência que o capacitou a exercer a capelania penitenciária ao longo de 10 anos. 

  Enfim, durante a crise sanitária mundial (2020), a quarentena dos agentes penitenciários levou o estado de Nevada a conceder condicional aos detentos de bom comportamento sem crimes hediondos no currículo. A decisão permitiu a Roy reiniciar sua vida aqui fora (sob condicional perpétua), ministrando em diversas igrejas batistas do país e tocando um dos melhores canais fundamentalistas no YouTube, o Old School Bible Baptist. Exemplo raro de que existe ressocialização para todo aquele que QUER nascer de novo (Jo 3:3), este irmão em Cristo vai muito além de um baita testemunho de vida para ser um baita professor de Bíblia.

O canal Investigação Bíblica do YouTube é um canal fundamentalista, apologético e luta em defesa da bíblia do Texto Tradicional (King James 1611 e Almeida Corrigida e Fiel da SBTB) contra as heresias das versões modernas. Esse canal é uma forte ferramenta de combate ao sistema global do anti-cristo e a Nova Ordem Mundial.



quarta-feira, 4 de dezembro de 2024

A luta dos batistas pela liberdade religiosa

  Autor: Bruno Faé

Texto retirado do blog Memória dos Batistas

 


  Para compreender a importância dos Batistas na luta pela liberdade religiosa é preciso conhecer o contexto no qual o grupo surgiu e se desenvolveu. A Inglaterra do século 17 tinha uma religião oficial (Anglicana) e ambos, Igreja e Estado, estavam sob governo do Rei. Os cidadãos deviam estar obrigatoriamente inseridos nas duas instituições. No caso da Igreja, essa inclusão era feita por meio do batismo, logo após o nascimento. Aqueles que não batizavam os bebês estariam negando-lhes, além da entrada no Reino de Deus, também a cidadania plena. Ou seja, era considerado uma espécie de abuso infantil. Assim, estavam violando a lei tanto os que não faziam parte da Igreja oficial quanto os que não praticavam o batismo infantil, podendo receber punições como prisão, exílio ou até mesmo a morte.
​  Compreendendo essa situação, é possível entender por que a prática do batismo somente de adultos esteve tão intimamente ligada à luta pela liberdade religiosa e pela separação entre Igreja e Estado. Nesse contexto, surgem os Batistas, em 1609, na Holanda, a partir de um grupo de ingleses que fugira do país por pretender se separar da Igreja oficial, liderados pelo pastor John Smith e pelo advogado Thomas Helwys (1550-1616). Logo, começou a luta dos Batistas por liberdade.
Defesa da liberdade religiosa na Inglaterra

  Em 1612, Thomas Helwys escreve uma obra intitulada Uma breve declaração do mistério da iniquidade. O livro é o primeiro deste tipo em língua inglesa, e uma cópia foi enviada diretamente ao rei Tiago I. Num dos trechos o autor afirma:
"Oh, rei. Não despreze o conselho dos pobres, e deixe que suas reclamações cheguem até você. O rei é um homem mortal e não Deus. Portanto, não tem poder sobre as almas imortais dos seus súditos, para fazer-lhes leis e ordenanças e para colocar chefes espirituais sobre eles. [...] A religião dos homens e Deus é um assunto entre Deus e eles. O rei não deve responder por isso. Nem pode o rei ser juiz entre Deus e os homens. Deixe que sejam hereges, turcos, judeus ou o que seja. Não pertence ao poder terreno puni-los em nenhuma medida."
Por sua ousadia e coragem, Helwys foi preso quando retornou à Inglaterra e na prisão permaneceu até sua morte em 1616. Mas as ideias deste Batista, tão modernas até para o tempo presente, não puderam ser presas ou eliminadas. Elas foram uma fonte de inspiração para diversos outros ativistas pela liberdade religiosa, dentre os quais John Murton (1585-1626).
  John Murton foi um Batista membro da igreja liderada por Thomas Helwys e esteve preso com ele. Em 1615 e 1620 publicou, anonimamente, dois livros. Num deles, intitulado A Epístola, o autor defende a ideia de dois reinos separados. Segundo Murton, “a autoridade terrena pertence aos reinos terrenos, mas a autoridade espiritual pertence ao único Rei espiritual, o Rei dos Reis”.
  As obras de Murton provavelmente influenciaram a elaboração da Primeira Confissão de Fé de Londres (1644). Na questão da liberdade religiosa, esta Confissão mostra que Batistas Particulares e Gerais estavam unidos no pensamento. Em seu artigo 49, está disposto que:
  "Devemos defender as autoridades e todas as leis civis feitas por elas, com nosso ser e com nosso patrimônio, ainda que devamos sofrer, por razão de consciência, por não nos submeter às suas leis eclesiásticas com as quais não estamos de acordo".
O pensamento de Helwys e Murton influenciou também um grande notável Batista na luta pela liberdade religiosa, Roger Williams (1603-1683). E com esse personagem podemos olhar para um outro contexto, no qual os Batistas alcançaram suas maiores vitórias: os Estados Unidos.

Primeiras vitórias na Nova Inglaterra

  Roger Williams, um pastor separatista inglês, fugiu em 1631 para a Nova Inglaterra (grupo de colônias inglesas que futuramente se tornaria os Estados Unidos) e, rejeitando o batismo infantil, se tornou Batista. Normalmente, as colônias tinham também uma religião oficial, Anglicana ou Congregacional. Na cidade de Boston, Williams começa a pedir às autoridades que parassem de policiar as crenças religiosas das pessoas. Ele defendia que o poder do magistrado civil se estendia apenas às ações externas dos indivíduos, mas jamais deveriam interferir nas questões internas da alma. Por sua militância, foi banido da colônia de Massachusetts.
  Decidido a implementar sua visão de liberdade religiosa, Williams segue para uma região mais ao sul e funda a colônia de Rhode Island em 1636, onde implementa um governo no qual haveria liberdade de consciência. Desta forma, pode-se dizer que Roger Williams fundou o primeiro lugar no mundo moderno onde cidadania e religião estavam separados, ou seja, havia separação entre igreja e Estado.
  Foi justamente em Rhode Island, em 1638, onde Williams também estabeleceria a Primeira Igreja Batista nos Estados Unidos, na cidade de Providence. 
  Em 1644, Roger Williams escreveu o livro O princípio sangrento da perseguição por causa da consciência. Usando argumentos bíblicos, ele clama por um “muro de separação” entre a igreja e o Estado e pela tolerância para com várias denominações cristãs, incluindo o Catolicismo, e também para com pagãos, judeus, turcos ou até mesmo anticristãos. Em um trecho, ele afirma:
"Deus não exige que uma uniformidade religiosa seja promulgada e determinada em qualquer estado civil. Cedo ou tarde, a uniformidade forçada será a maior ocasião da guerra civil, do arrebatamento da consciência, da perseguição de Cristo Jesus em seus servos, da hipocrisia e da destruição de milhões de almas".
  Essa obra de Roger Williams foi posteriormente citada como fonte filosófica por John Locke, pela Primeira Emenda à Constituição dos Estados Unidos e por vários escritos de Thomas Jefferson.
  Por seu princípio de liberdade de consciência, Rhode Island se tornou um local de refúgio para os perseguidos de outras colônias, e assim passou a ser também alvo de ataques. Para garantir a segurança em seu território, seus líderes recorreram ao rei da Inglaterra, Carlos II. Entra em cena então mais um notável Batista, o pastor John Clarke (1609-1676).
  Em 1653, John Clarke foi enviado por uma comissão de Rhode Island à Inglaterra para interceder junto ao rei pelo reconhecimento formal da colônia. Ali, ele permaneceu durante dez anos e em 1663 o rei lhes concedeu a Escritura Real, na qual estava registrado que “nenhuma pessoa na colônia poderia ser molestada, punida, perturbada ou desacreditada por nenhuma diferença de opinião ou em matéria de religião”. Esta Escritura Real é o primeiro documento oficial a garantir liberdade religiosa no território dos Estados Unidos.

Conquista da liberdade religiosa nos Estados Unidos

  Mas a conquista máxima dos Batistas no campo da liberdade religiosa provavelmente foi a Primeira Emenda à Constituição dos Estados Unidos. Nessa história, o primeiro nome a ser citado é o do pastor Isaac Backus (1724-1806), considerado o principal pregador durante o período da Revolução Americana (luta pela independência dos Estados Unidos).
  Em 1773, Backus publica um sermão sobre liberdade religiosa, com o título Um apelo ao público para a liberdade religiosa contra as opressões dos dias de hoje, no qual afirma que:
"Deus designou dois tipos de governo no mundo, que são distintos em sua natureza, e nunca devem ser confundidos em conjunto: um é chamado de governo civil e outro é o governo eclesiástico. [...] Quem pois pode ouvir Cristo declarar que seu governo não é deste mundo e ainda acreditar que essa mistura de igreja e Estado Lhe é agradável?"
  Na seção 3 da obra, Backus relata os sofrimentos causados pela perseguição aos Batistas por não aceitarem se submeter à Constituição vigente. A independência do país em relação à Inglaterra significaria também a oportunidade de viver num país com plena liberdade religiosa. Essa independência veio finalmente em 1776, mas a nova Constituição só foi promulgada em 1787.
  Mesmo assim, por falta de consenso, os direitos individuais dos cidadãos não foram incluídos logo de início na Constituição. E é aí que entra em cena outro Batista importante: John Leland (1754-1841). Leland era um influente pastor no estado da Virgínia, onde os batistas representavam uma importante parcela do eleitorado e que era também distrito do congressista James Madison.
  Havia o anseio para que Leland concorresse à vaga de Madison no Congresso, o que levou esse pai fundador a fazer uma visita ao pastor em sua casa. Na reunião entre eles, ficou acordado que Leland não concorreria à vaga de Madison, e esse, por seu turno, se comprometeria a apoiar a luta dos Batistas pela liberdade religiosa. Madison, considerado o “Pai da Constituição Americana”, então apresentou a proposta da Carta de Direitos (1792), documento pelo qual são chamadas as dez primeiras emendas à Constituição dos EUA. A primeira dessas dez emendas dispõe que:
"O Congresso não legislará no sentido de estabelecer uma religião, ou proibindo o livre exercício dos cultos; ou cerceando a liberdade de palavra, ou de imprensa, ou o direito do povo de se reunir pacificamente, e de dirigir ao Governo petições para a reparação de seus agravos."
  Em 1802, Leland ainda foi convidado para pregar numa sessão conjunta do Congresso, com a presença do presidente Thomas Jefferson, onde mais uma vez defendeu a liberdade religiosa.

Contribuição para a liberdade religiosa no Brasil

  Quando os primeiros Batistas da Convenção do Sul dos Estados Unidos, além dos Batistas poloneses e letos, chegaram ao Brasil, nosso país ainda era uma monarquia e a Igreja e o Estado estavam unidos. Vigorava a Constituição de 1824 que estabeleceu a Igreja Católica como religião oficial. As outras religiões eram permitidas no “culto doméstico”. Ou seja, as igrejas evangélicas não podiam realizar cultos públicos. Além disso, seus praticantes não podiam ser eleitores. Na prática, especialmente nas regiões interioranas do país, havia agressiva perseguição aos protestantes.
  Os historiadores da vida dos primeiros missionários americanos no Brasil contam que um dos principais republicanos, Aristides Lobo, visitou o missionário William Buck Bagby no dia anterior à proclamação da República, que ocorreu em 15 de novembro de 1889, ocasião na qual conversaram sobre a liberdade religiosa nos Estados Unidos. Lobo, então, saiu desse encontro com uma cópia da Constituição Americana, fornecida pelo missionário Bagby.
  A separação da igreja e do Estado já era um anseio dos republicanos, mas esse encontro com o missionário Batista teria contribuído para sua garantia expressa na nova Constituição, de 1891. Sobre a liberdade religiosa, a Constituição Republicana estabelecia o seguinte:
Art. 11 - É vedado aos Estados, como à União: [...] 2º) estabelecer, subvencionar ou embaraçar o exercício de cultos religiosos;
Art. 72 - A Constituição assegura a brasileiros e a estrangeiros residentes no país a inviolabilidade dos direitos concernentes à liberdade, à segurança individual e à propriedade, nos termos seguintes:
§ 3º Todos os indivíduos e confissões religiosas podem exercer pública e livremente o seu culto, associando-se para esse fim e adquirindo bens, observadas as disposições do direito comum.
§ 5º Os cemitérios terão caráter secular e serão administrados pela autoridade municipal, ficando livre a todos os cultos religiosos a pratica dos respectivos ritos em relação aos seus crentes, desde que não ofendam a moral publica e as leis.

  Mesmo com a proclamação da República, a perseguição aos Batistas, e a outros evangélicos, continuou, com insultos, depredações e espancamentos. Mas nossos irmãos do passado resistiram bravamente, denunciaram os abusos, cobraram das autoridades e exigiram o direito de que cada um viva sua fé de acordo com a própria consciência. Assim, pode-se dizer que os Batistas também tiveram participação na busca pela liberdade religiosa e pela separação entre igreja e Estado no Brasil.
Conclusão

  Diante desses relatos, que são apenas um pequeno resumo, podemos dizer que os Batistas foram protagonistas e construíram uma linda história na luta e na conquista da liberdade religiosa. Escreveram a primeira obra em língua inglesa sobre o tema, fundaram o primeiro Estado do mundo moderno onde havia separação entre igreja e governo civil, conseguiram o primeiro documento que garantia liberdade de consciência no território da Nova Inglaterra, pregaram para presidentes e autoridades e tiveram envolvimento direto na inserção da liberdade religiosa na Constituição dos Estados Unidos, maior democracia do mundo.
  Conhecer essa história nos ajuda primeiro a valorizar o esforço e o sacrifício de irmãos do passado que arriscaram suas vidas, foram exilados, presos e até mortos por defender a liberdade de servir a Deus de acordo com sua consciência. Nos ajuda também a continuar lutando por nossos próprios direitos atualmente. Eventualmente, o Estado e outros grupos sociais tentam interferir na liberdade religiosa, ameaçando, por exemplo, pautar sobre quais temas os pastores podem pregar. A igreja deve estar vigilante e defender a liberdade de proclamar sua fé, conforme sua consciência, evidentemente sem ser intolerante com quem quer que seja.
  Mas, talvez a principal lição que esses Batistas do passado tenham a nos ensinar nesse aspecto é que ninguém pode ser inserido no Reino de Deus pela força. Há pouco tempo, circulou na Internet um vídeo no qual traficantes obrigavam uma mãe-de-santo a quebrar seu local de culto e a expulsavam da comunidade, tudo isso “em nome de Jesus”. Jesus jamais aprovaria isso. O Senhor não obrigava ninguém a segui-Lo. Ele disse que “se alguém quiser” andar com Ele, deve negar a si mesmo, tomar a cada dia a sua cruz e segui-Lo. 
  Nós Batistas devemos ser os primeiros a defender o direito das pessoas de viverem a religião de acordo com sua própria consciência. Conforme nos ensinaram Thomas Helwys e Roger Williams, Deus nunca quis que o Evangelho fosse estabelecido pelo Estado ou pela força. Deus nunca quis fundar um “país cristão”. Cristo quer reinar nos corações das pessoas e seu Reino não tem aparência exterior. Ele quer que as pessoas se arrependam e sejam conquistadas pelo amor e pelo Seu Espírito, e não pela lei ou pelas armas. Deixe que sejam hereges. Isso vai nos lembrar de nossa responsabilidade em espalhar a mensagem do Evangelho. Não basta ser o Cristianismo a “religião oficial” em qualquer lugar para que Jesus fique satisfeito. Ele só ficará satisfeito quando cumprirmos com empenho e fidelidade a Sua ordem: ide, pregai e fazei discípulos em todas as nações.

Por Bruno Faé

FONTES:
  • First Freedom: The Baptist Perspective on Religious Liberty (Thomas White)
  • Baptists in America: a history (Thomas S. Kidd)
  • The Baptist story: from english sect to global movement (Anthony L. Chute)
  • História dos Batistas no Brasil até 1906 (A. R. Crabtree)
  • Os Bagby no Brasil (Helen Bagby Harrison)
  • http://www.reformedreader.org
  • https://en.wikipedia.org
  • https://erlc.com



quinta-feira, 3 de outubro de 2024

Uma breve biografia de Charles Finney

 Texto extraído do prefácio do livro "Teologia Sistemática" de Charles Finney, editora CPAD


Uma vida santificada a Deus 

  Nascido no ano de 1792, na cidade norte-americana de Cunnecticute, na Nova Inglaterra, Charles Finney teve o privilégio de ser educado numa família tradicionalmente puritana. Quando ele tinha dois anos de idade, seus pais resolveram transferir-se para Nova Iorque. Aos vinte anos, retornou à Nova Inglaterra a fim de cursar a Escola Superior. Enquanto prosseguia nos estudos, pôs-se a lecionar em escolas públicas. Nessa época, já se havia especializado em latim, grego e hebraico.
  Em 1918, começou a estudar Direito nos escritórios de Squire Wright, de Adams, em Nova Iorque.
  Quanto à vida espiritual, seu progresso era quase nulo. Os sermões que ouvia, achava-os monótonos e sem nenhum atrativo. Sua mente lógica e agudíssima exigia algo mais consistente. Foi por essa época, que ele começou a estudar as Sagradas Escrituras. De início, mostrou-se cético. Mas com o passar dos tempos, não pôde mais resistir: a Bíblia é de fato a inspirada, infalível e inerrante Palavra de Deus.
  O que lhe faltava senão aceitar a Cristo? Deixemos que ele mesmo fale de sua experiência de salvação: "Num sábado à noite, no outono de 1821, tomei a firme resolução de resolver de vez a questão da salvação de minha alma e ter paz com Deus".
  Finney, porém, não se conformava. Queria mais de Cristo. Sua fome pelo Senhor era insaciável. Foi assim, buscando incessantemente a Deus, que veio ele a ser batizado no Espírito Santo. Que o próprio Finney narre como se deu sua experiência pentecostal:
  "Ao entrar e fechar a porta atrás de mim, parecia-me ter encontrado o Senhor Jesus Cristo face a face. Não me entrou na mente, na ocasião, nem por algum tempo depois, que era apenas uma concepção mental. Ao contrário, parecia-me que eu o encontrara como encontro qualquer pessoa. Ele não disse coisa alguma, mas olhou para mim de tal forma, que fiquei quebrantado e prostrado aos seus pés. Isso, para mim, foi uma experiência extraordinária, porque parecia-me uma realidade, como se Ele mesmo ficasse em pé perante mim, e eu me prostrasse aos seus pés e lhe derramasse a minha alma. Chorei alto e fiz tanta confissão quanto possível, entre soluços. Parecia-me que lavava os seus pés com as minhas lágrimas; contudo, sem sentir ter tocado na sua pessoa. Ao virar-me para me sentar, recebi o poderoso batismo com o Espírito Santo. Sem o esperar, sem mesmo saber que havia tal para mim, o Espírito Santo desceu de tal maneira, que parecia encher-me o corpo e a alma. Senti-o como uma onda elétrica que me traspassava repetidamente. De fato, parecia-me como ondas de amor liquefeito; porque não sei outra maneira de descrever isso. Parecia o próprio fôlego de Deus. Não existem palavras para descrever o maravilhoso amor derramado no meu coração. Chorei de tanto gozo e amor que senti; acho melhor dizer que que exprimi, chorando em alta voz, as inundações indizíveis do meu coração. As ondas passaram sobre mim, uma após outra, até eu clamar: 'Morrerei, se estas ondas continuarem a passar sobre mim! Senhor, não suporto mais!' Contudo, não receava a morte. Quando acordei, de manhã, a luz do sol penetrava no quarto. Faltam-me palavras para exprimir os meus sentimentos ao ver a luz do sol. No mesmo instante, o batismo do dia anterior voltou sobre mim. Ajoelhei-me ao lado da cama e chorei pelo gozo que sentia. Passei muito tempo sem poder fazer coisa alguma senão derramar a alma perante Deus".

Um homem profundamente espiritual 

  Quem lê a Teologia Sistemática de Charles Finney tem a impressão de estar diante de um Aristóteles ou de um Emanuel Kant. E não está de todo errado; ele foi um pensador de inigualáveis pendores. Com raríssima maestria, utilizou-se das ferramentas da filosofia, a fim de expor as verdades acerca do Deus único e verdadeiro. Eis por que Finney é considerado o maior teólogo desde os tempos apostólicos. O que muita gente não sabe, porém, é que esse gigante do pensamento foi um místico apaixonado pelo Senhor.
  Finney era profundamente espiritual, mas jamais colocou a sua espiritualidade acima das Sagradas Escrituras. Toda a sua experiência passava necessariamente pelo crivo da Palavra de Deus. Em nada assemelhava-se aos místicos da Idade Média que se punham acima da Bíblia. Sua espiritualidade tinha equilíbrio, possuía moderação e era temperada pela sã doutrina. Não era fanático; fervoroso de espírito, tinha um arrebatado amor pelas almas.

O grande evangelista 

  Charles Finney foi um grande evangelista. Suas campanhas eram marcadas por fatos extraordinários. O missionário Orlando Boyer mostra o impacto que Finney causava como mensageiro de Cristo:
  "Perto da aldeia de New York Mills, no século dezenove, havia uma fábrica de tecidos movida pela força das águas do Rio Oriskany. Certa manhã, os operários se achavam comovidos, conversando sobre o poderoso culto da noite anterior, no prédio da escola pública. Não muito depois de começar o ruído das máquinas, o pregador, um rapaz alto e atlético, entrou na fábrica. O poder do Espírito Santo ainda permanecia sobre ele; os operários, ao vê-lo, sentiram a culpa de seus pecados a ponto de terem de se esforçar para poderem continuar a trabalhar. Ao passar perto de duas moças que trabalhavam juntas, uma delas, no ato de emendar um fio, foi tomada de tão forte convicção, que caiu em terra, chorando. Segundos depois, quase todos em redor tinham lágrimas nos olhos e, em poucos minutos, o avivamento encheu todas as dependências da fábrica. O diretor, vendo que os operários não podiam trabalhar, achou que seria melhor se cuidassem da salvação da alma, e mandou que parassem as máquinas. A comporta das águas foi fechada e os operários se ajuntaram em um salão do edifício. O Espírito Santo operou com grande poder e dentro de poucos dias quase todos se converteram. Diz-se acerca deste pregador, que se chamava Charles Finney, que, depois de ele pregar em Governeur, no Estado de New York, não houve baile nem representação de teatro na cidade durante seis anos. Calcula-se que, durante os anos de 1857 e 1858, mais de 100 mil pessoas foram ganhas para Cristo pela obra direta e indireta de Finney".

Prefácio do livro"Teologia Sistemática" de Charles Finney 

quarta-feira, 28 de agosto de 2024

Breve biografia de Aníbal Pereira dos Reis: O ex-padre que se converteu

 Texto retirado do blog Memória dos Batistas 


  Aníbal Pereira dos Reis foi um ex-padre católico, com formação teológica na PUC-SP, vindo se tornar um teólogo e pastor batista na década de 60. Reconhecido por sua forte personalidade, ele aderiu a teologia não-sacramentalista dos batistas, se tornando um das principais vozes batistas no assunto.

  A grande maioria de suas obras e escritos teológicos eram críticas a teologia e aos dogmas católicos. Escreveu aproximadamente 40 livros, nos quais criticava principalmente o ecumenismo e o catolicismo. entre eles: "Anchieta Santo ou Carrasco"; "O Ecumenismo e os Batistas"; "O Santo que Anchieta Matou"; "Um Padre Liberto da Escravidão do Papa"; entre outros.

  Nasceu em São Joaquim da Barra (SP) no dia 9 de março de 1924. Entre os batistas conservadores sempre foi tido como referência por sua defesa aos pontos bíblicos defendidos pela denominação, mas sempre foi perseguido e chamado de herege e apóstota por teólogos católicos, além de ser chamado de radical para evangélicos mais ecumênicos.

  Em 1961, já morando em Orlândia, começou a questionar as doutrinas católicas e afastou-se do catolicismo romano. Fugiu da cidade de baixo de extremas represálias e em 30 de maio de 1965 fez sua profissão de fé em uma Igreja Batista onde foi batizado. Na década de 1970, foi ordenado pastor batista e saiu como pregador itinerante.

  Ele faleceu em 30 de maio de 1991.

  Há um artigo completo publicado no blog do Memória dos Batistas com relatos autobiográficos e notas biográficas sobre ele. Também há um link para leitura do livreto: "A Ceia do Senhor, livre ou restrita?"

Link: https://www.igrejabatista.net/blog/100-anos-de-anibal-pereira-dos-reis-o-padre-catolico-que-virou-pastor-batista






sexta-feira, 12 de abril de 2024

Breve biografia de J. C. Ryle

 Texto da Igreja Bíblica Congregacional Marengo 


  De John Charles Ryle:

  "É bom entender que servir a Cristo nunca foi e nunca será, uma garantia contra todos os males dos quais a nossa carne é herdeira. Se você é crente, deve considerar a possibilidade de ter a sua quota de doenças e de dor, de tristezas e de lágrimas, de perdas e de cruzes, de mortes e de privações, de despedidas e de separações, de ignomínia e de desapontamentos, enquanto você estiver nesse corpo. Cristo nunca prometeu que você iria para o céu sem passar por essas coisas. Ele prometeu que todo aquele que vem a Ele terá todas as coisas que conduzem à vida e à piedade; entretanto, Ele nunca prometeu que os faria prósperos ou ricos, ou saudáveis, e que a morte e as tristezas nunca chegariam à sua família".

  "Tenho o privilégio de ser um dos embaixadores de Cristo. Em Seu nome, posso oferecer vida eterna a todo homem, mulher ou criança, que deseja obtê-la. Em Seu nome, posso oferecer perdão, paz, graça, glória a qualquer filho ou filha de Adão que lê estas linhas. Contudo, não ouso oferecer prosperidade a essa pessoa como sendo parte e uma porção do evangelho. Não ouso oferecer vida longa, um salário mais alto e libertação da dor. Não ouso prometer ao homem que toma sua cruz e segue a Cristo que ele nunca encontrará uma tempestade em seu caminho".

  "Bem sei que os homens não se agradam dessas condições. Eles preferem ter a Cristo e boa saúde, Cristo e muito dinheiro, Cristo e nenhuma morte na família, Cristo e nenhuma preocupação desgastante, Cristo e uma eterna manhã sem nuvens. Porém, eles não gostam de Cristo e a cruz, Cristo e tribulação, Cristo e conflitos, Cristo e ventos uivantes, Cristo e tempestade".

  Ao destacar esta palavra do Pr. John Charles Ryle, o faço pedindo que compare com o que normalmente muitos que se apresentam como pastores e mestres estão falando. Você consegue perceber que o número de falsos mestres é muito grande? Vamos atender bem a recomendação bíblica: “Ninguém vos engane com palavras vãs” (Efésios 5:16).

  Quem foi John Charles Ryle (1816-1900)?

  Nascido na Inglaterra, numa família que lhe permitiu ter uma excelente educação. Destacou-se como atleta e alcançou alto nível em História e Filosofia Greco-Romana tanto antiga quanto moderna. Ele não aceitou atuar na área do ensino e tudo indicava que seguiria uma carreira política, no entanto foi despertado espiritualmente com o texto de Efésios 2 (se puder separe uns minutos para meditar neste texto), vindo a tornar-se ministro cristão.

  Ryle estabeleceu igrejas fortes e bem alimentadas da palavra de Deus, mantendo sempre a pregação fiel do Evangelho, destacando-se pela defesa vigorosa da verdade com graciosidade e entusiasmo. Dedicou-se também a escrever material para que o povo pudesse compreender as doutrinas cristãs evangélicas. Seus livros: “Comentários aos Evangelhos” e “Santidade” são extraordinários e até hoje ainda nos falam e de maneira insuperável.

O texto de JOHN CHARLES RYLE foi extraído do livro "SANTIDADE SEM A QUAL NINGUÉM VERÁ O SENHOR", uma publicação da Editora Fiel (http://www.editorafiel.com.br). Este livro é um CLÁSSICO! Insuperável neste tema.