Santidade

Devemos ser santos na terra, se quisermos ser santos no céu. Foi Deus que disse e Ele não voltará atrás: “A santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor” (Hebreus 12:14). Observou William Jenkyn: “O calendário do papa só declara santos às pessoas mortas, mas as Escrituras requerem a santidade da parte dos vivos”. John Owen afirmou: “Não se deixe iludir. O Senhor Jesus Cristo só conduz ao céu àqueles a quem Ele santifica na terra. O Cabeça vivo não admite membros mortos”. J.C. Ryle

sábado, 6 de janeiro de 2024

Como Martinho Lutero encontrou a verdadeira fé em Cristo e a sua paz com Deus (Sola Fide)

Autor: Rev. Miguel Núnes 

 

  O ensinamento sobre a salvação pela fé somente (Sola Fide) fez parte do cerne do movimento da Reforma Protestante. É uma doutrina fácil de ver na Palavra de Deus porque há múltiplas passagens onde está dito claramente que a salvação se dá pela fé e não por obras (Efésios 2:8-9). Mas, apesar dessa realidade, a maioria não percebe a importância desse ensinamento. Para Martinho Lutero, o ensinamento da justificação pela fé somente era o princípio sobre o qual uma igreja se levanta ou cai. "Se a doutrina da justificação [pela fé] se perde, se perde também todo o resto da doutrina cristã".

  Há doutrinas que são interpretadas de maneira diferente por cristãos maduros e também por eruditos, como o tempo e a forma da segunda vinda de Cristo; mas esta doutrina representa o cerne da fé cristã para Lutero, Calvino, demais reformadores e para nós também. Esse ensinamento determina como o ser humano é salvo da condenação eterna. 

  De certa maneira, essa doutrina é a coluna vertebral da fé cristã. É a doutrina na qual a Igreja Católica Romana não crê, já que até hoje a Igreja de Roma entende e ensina que a salvação se obtém através do sinergismo entre a graça de Deus, a fé colocada em Deus e as obras que o homem realiza. A discussão dessa doutrina foi o que deu início ao movimento da Reforma, levando os reformadores a romper com a igreja de então, da qual haviam participado por anos.

  Curiosamente, Lutero, que acabou defendendo esta doutrina com sua própria vida, não começou sua vida cristã crendo da mesma maneira. Martinho Lutero viveu por anos atormentado por seus pecados e aterrorizado pensando sobre sua possível condenação. Não conseguia dormir tranquilo pensando na justiça perfeita de Deus, que de maneira nenhuma via como corresponder ou satisfazer.

  Um dia, de volta à sua casa, Lutero foi pego por uma tempestade e, no meio dela, um raio caiu próximo de onde cavalgava, fazendo-o cair do cavalo em que ia. Em meio ao medo que tomou conta dele, exclamou: "Santa Ana, me ajude e eu me tornarei um monge". Dois ou três dias depois, Lutero entrou para o mosteiro dos Agostinhos. Uma vez ali dentro, retirado do mundo e das tentações, Lutero pensou que isso o ajudaria a encontrar a paz que não havia experimentado; mas não foi assim. Esse jovem não teve paz até o dia em que encontrou o verdadeiro significado da cruz.

  Lutero vivia uma vida monástica bastante santa diante dos olhos dos homens, mas mesmo assim não encontrava paz para sua alma. Ele soube dormir quase nu, no frio do inverno, para castigar seu corpo; soube se confessar até duas ou três por dia, e ao lembrar de algum pecado enquanto se distanciava do confessionário, voltava até o sacerdote para continuar pedindo perdão. E o que atormentava Lutero é uma realidade que poucos entendem e que ele conheceu vivendo retirado no mosteiro: levamos o pior inimigo dentro de nós mesmos. Por isso, mesmo afastado do mundo, sua alma continuava atormentada, porque depois de se confessar, ele sabia que continuava em pecado. Lutero entendeu que seu problema com o pecado não estava fora do mosteiro, mas no âmago do seu ser.

  Em 1510, Martinho Lutero foi escolhido por sua ordem sacerdotal para viajar à Roma para tratar de assuntos oficiais relacionados à sua ordem eclesiástica. Este era o sonho de Lutero, porque sempre havia pensado que Roma seria como a Jerusalém celestial, mas aqui na terra. No entanto, essa viagem o decepcionou enormemente ao ver a corrupção do clero.

  Lutero regressa dessa viagem e volta ao mosteiro onde ensinou os livros de Romanos (1515-1516), Gálatas (1516-1517) e Hebreus (1517-1518); onde ensinou também sobre o livro de Salmos (1513-1515) dois ou três anos antes. O que mais atormentava Lutero era que, apesar de ser um monge impecável, não encontrava paz em sua alma, o que o levava a confessar -se continuamente. Lutero descreveu este período de sua vida como uma época de grande desespero. Ele disse ter perdido o contato com o Cristo Salvador e Consolador de sua vida, que tinha se tornado em carcereiro e torturador de sua alma. Isso chegou a atormentá-lo tanto que, quando alguém lhe perguntou se ele amava a Deus, Lutero respondeu: "Amar a Deus?...Eu, às vezes, o odeio". Isso ocorreu durante o período entre os anos 1510-1517, até que finalmente, estudando e ensinando o livro de Romanos, Lutero entendeu a frase que aparece em Romanos 1:17, que diz "o justo viverá pela fé".

  Em 1516, enquanto Lutero ensinava o livro de Romanos, chegou a compreender a essência do evangelho, a mensagem das boas novas, e um dia entendeu realmente o que Deus havia revelado ainda no Antigo Testamento, que "o justo viverá pela sua fé" (Habacuque 2:4). A compreensão disso leva Lutero a experimentar o novo nascimento do qual Jesus falou a Nicodemos, outro professor de teologia que não entendia como entrar no reino dos céus (João 3).

  Depois de entender isso, em algum momento, Lutero pronunciou estas palavras:

  "Finalmente, meditando dia e noite, pela misericórdia de Deus, eu...comecei a entender que a justiça de Deus é aquela através da qual o justo vive como um presente de Deus, pela fé...com isso, eu senti como se tivesse nascido de novo por completo, e que tivesse entrado no paraíso através das portas que tinham sido amplamente abertas para mim".

   Texto retirado do livro "Ensinamentos que transformaram o mundo", cujo autor é o doutor Miguel Núnes, pastor titular da Igreja Batista Internacional em Santo Domingo, República Dominicana. 

  

2 comentários:

  1. Assim como Lutero compreendeu essa verdadeira fé que salva, que você também possa compreender essa verdade de que somos salvos pela graça mediante a fé, e não pelas obras que praticamos, pois a salvação vem do Senhor. Creia hoje mesmo que Jesus Cristo é o Senhor e Salvador da sua vida. O fim dos tempos está à nossa porta. Jesus está voltando.

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