Autor: Ricardo dos Santos
Estudo baseado no livro "A cruz de Cristo" de autoria de John Stott
John Stott em seu livro "A cruz de Cristo" escreve a respeito de um assunto central da fé cristã, algo que se tornou o símbolo universal para nós cristãos: a cruz. É um excelente e profundo livro escrito por esse escritor e pregador conhecido mundialmente.
O capítulo 2 desse livro tem como o seguinte tema: "Por que Cristo morreu?" Ele cita as principais figuras envolvidas na crucificação do Senhor Jesus: Os soldados romanos e Pilatos; O povo judaico e seus sacerdotes; Judas Iscariotes, o traidor. É baseado justamente nesse capítulo que estamos fazendo esse estudo.
Sabe-se que Pilatos foi nomeado procurador (isto é, governador romano) da província fronteiriça da Judeia pelo imperador Tibério e serviu durante dez anos, de cerca de 26 a 36 A.D. Ele adquiriu a fama de hábil administrador, tendo um senso de justiça tipicamente romano. Os judeus, porém, o odiavam porque ele os desprezava. Eles não se esqueciam de seu ato de provocação do início do seu governo quando exibiu os estandartes romanos na própria cidade de Jerusalém. Josefo descreve outra de suas loucuras, a saber, que desapropriou dinheiro do templo a fim de construir um aqueduto. Muitos acham que foi no motim que se seguiu que ele misturou sangue de certos galileus com os seus sacrifícios (Lucas 13:1). Estas são apenas algumas amostras do seu temperamento esquentado, de sua violência e crueldade. De acordo com Filão, o rei Agripa I , numa carta ao imperador Calígula, descreveu Pilatos como: "Um homem de disposição inflexível, e muito cruel como também obstinado." Seu objetivo principal era manter a lei e a ordem, conservar os judeus perturbadores firmemente sob controle, e, se necessário para esses fins, ser implacável na supressão de qualquer tumulto ou ameaça de motim.
Daí, nas páginas 51 e 52 ele fala a respeito do reconhecimento de Pilatos da inocência de Jesus. Jesus estava sendo acusado pelos líderes judaicos de estar pervertendo a nação, de estar vedando pagar tributo a César e de estar afirmando ser ele o Cristo Rei (Lucas 23:2). Ao investigar o caso, Pilatos teve a convicção da inocência de Cristo, ficou impressionado com a nobre conduta, com o domínio próprio e a inocência política do prisioneiro. Mas, mesmo assim a multidão gritava: "Crucifica-o! Crucifica-o!" Pilatos fez três tentativas de persuadir o povo sobre a inocência de Jesus, porém foi em vão. A própria mulher de Pilatos o enviou uma mensagem dizendo: "Não entres na questão desse justo, porque num sonho muito sofri por causa dele" (Mateus 27:19).
John Stott, então, fala a respeito de suas engenhosas tentativas de evitar ter de tomar um partido. Ele queria evitar sentenciar a Jesus (visto acreditar ser ele inocente) e ao mesmo tempo evitar exonerá-lo (visto acreditarem os dirigentes judaicos ser ele culpado).
Vamos, então, analisar a respeito das quatro artimanhas de Herodes para tentar soltar a Jesus e ao mesmo tempo pacificar os judeus, isto é, ser justo e injusto simultaneamente. O que tudo isso tem a ver conosco? Qual lição podemos tomar para a nossa vida diante das responsabilidades? Vamos analisar.
[Observação: As palavras de John Stott escritas no livro colocaremos em itálico.]
"Primeira, ao ouvir que Jesus era da Galileia, e, portanto, estar sob a jurisdição de Herodes, enviou-o ao rei para julgamento, esperando transferir a ele a responsabilidade da decisão. Herodes, porém, devolveu Jesus sem sentença (Lucas 23:5-12)."
Muita das vezes, queremos lançar nossas responsabilidades aos nossos líderes. Isso acontece tanto no seio da igreja quanto no meio secular. Na igreja, muita das vezes queremos jogar as responsabilidades nas costas do pastor, ou dos presbíteros, ou dos diáconos, ou do professor da Escola Bíblica Dominical, ou do líder de um determinado departamento. Não deve ser assim. O chamado que Deus tem para nós, nós é que devemos cumprir, nós é que devemos fazer; o talento que Deus nos deu em determinada área, nós é que devemos pôr em prática.
Está escrito em Efésios 2:10: "Porque somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para as boas obras, as quais Deus preparou para que andássemos nelas."
Em Colossenses 3:23: "E tudo quanto fizerdes, fazei-o de todo o coração, como ao Senhor, e não aos homens."
Tiago 4:17: "Aquele, pois, que sabe fazer o bem e não o faz, comete pecado."
"Segunda, ele tentou meias medidas: 'Castigá-lo-ei, pois, e soltá-lo-ei' (Lucas 23:16,22). Ele esperava que a multidão se satisfizesse com algo menos que a penalidade máxima, e que o desejo de sangue do povo fosse saciado ao verem as costas de Jesus laceradas. Foi uma ação mesquinha. Pois se Jesus era inocente, devia ter sido imediatamente solto, não primeiramente açoitado."
Não podemos querer agradar os dois lados nem ficar em cima do muro. O próprio Senhor Jesus nos diz em Mateus 6:24: "Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de odiar um e amar o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e a Mamom."
"Terceira, ele tentou fazer a coisa certa (soltar a Jesus) com o motivo errado (pela escolha da multidão). Lembrando-se do costume que o Procurador tinha de dar anistia de Páscoa a um prisioneiro, ele esperava que o povo escolhesse a Jesus para esse favor. Então ele podia soltá-lo como um ato de demência em vez de um ato de justiça. Era uma ideia astuta, mas inerentemente vergonhosa, e o povo a frustrou exigindo que o perdão fosse dado a um notório criminoso e assassino, Barrabás."
Essa situação é muito parecida com a primeira, com a diferença de que aqui ele estava tentando manipular a massa para cumprir seu propósito. Não devemos manipular ninguém nem querer transferir nossas responsabilidades para aqueles que estão subordinados a nós.
"Quarta, ele tentou protestar sua inocência. Tomando água, lavou as mãos na presença do povo, dizendo: 'Estou inocente do sangue deste justo' (Mateus 27:24). E então, antes que suas mãos se secassem, entregou-o para ser crucificado. Como pôde ele incorrer nessa grande culpa imediatamente depois de ter proclamado a inocência de Jesus?"
Um ato covarde de Pilatos. Não podemos lavar as nossas mãos diante de uma situação ou problema que está diante de nós. Não devemos fugir dos problemas que precisamos resolver. Muito menos ficar calados diante de uma situação em que um inocente está sendo condenado.
Conclusão
Para concluir, podemos continuar usando das palavras de John Stott nesse conceituado livro. Em um determinado parágrafo, ele escreve:
"É fácil condenar a Pilatos e passar por alto nosso próprio comportamento igualmente tortuoso. Ansiosos por evitar a dor de uma entrega completa a Cristo, nós também procuramos subterfúgios. Deixamos a decisão para alguém mais, ou optamos por um compromisso morno, ou procuramos honrar a Jesus pelo motivo errado (como mestre em vez fe Senhor), ou até mesmo fazemos uma afirmação pública de lealdade a ele, mas ao mesmo tempo o negamos em nossos corações."
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