Autor: Pr. Aldenir dos Santos
Gênesis 14 começa com relato de uma guerra, algo comum nos dias de Abrão. Anrafel, rei de Sinar; Arioque, rei de Elasar; Quedorlaomer, rei de Elão; e Tidal, rei de Goim, formaram uma confederação, para guerrear contra uma coalizão rebelde formada por Bera, rei de Sodoma; Birsa, rei de Gomorra; Sinabe, rei de Admá; Semeber, rei de Zeboim; e o rei de Bala ou Zoar. As duas confederações se enfrentaram no vale de Sidim, uma rica região cujo os reis não queriam mais pagar tributos e taxas. Por isso se rebelaram em busca da independência.
Na lista dos reinos do norte Anrafel é uma figura misteriosa, aparece em primeiro lugar, indicando uma liderança superior; seu reino, Sinear, é a famosa Babilônia. Na bíblia, o primeiro imperador de Sinear foi Ninrode. Outra teoria diz que Anrafel seria Hamurábi, rei da Babilônia, famoso pela obra jurídica conhecida como Código de Hamurábi.
A confederação do Norte liderada por Quedorlaomer avançava deixando um rastro de destruição, enquanto os rebeldes se organizavam a fim de se defenderem. Quedorlaomer infligiu dura derrota aos rebeldes, que foram humilhados, apanhados em suas próprias armadilhas. O vale tinha poços de extração de betume. Quando os soldados da região de Sodoma e Gomorra fugiram, muitos caíam nesses poços. A derrota foi tão grande que os soldados sequer sabiam onde estavam, enquanto isso os sobreviventes para os montes.
Os vencedores saquearam a região de Sodoma e Gomorra, levaram o povo cativo, entre elas Ló. Essa guerra teria acabado neste ponto e passaria despercebida se Ló não estivesse entre os cativos. Quando a vitória parecia definitiva, um soldado, que conhecia Abrão, sabendo da sua força e de seu amor pelo sobrinho, foi até os carvalhos do Manre e avisou Abrão que até aqui nada tinha haver com esta guerra. Ao tomar conhecimento do sequestro de Ló, organizou um exército composto de 318 homens, aliados aos amorreus Aner, Escol e Manre, saíram na caça dos confederados do Norte, que tentavam voltar a Mesopotâmia.
Com sábia estratégia Abrão os atacou durante a noite em várias frentes. Despreoarados, os reis do norte foram derrotados e expulsos de Canaã, perderam seus bens e todo despojo da guerra. Abrão derrotou o império do norte da Mesopotâmia, resgatou Ló e libertou os reinos do Jordão.
Mas a história ainda não acabou, e a parte mais interessante ainda estava por vir. Ao retornar feliz e vitorioso da batalha, Abrão recebe Bera, rei de Sodoma que foi ao seu encontro no Vale de Savé.
Nesse ponto, surge o personagem mais misterioso das Escrituras: Melquisedeque, rei de Salém, futura Jerusalém. Seu nome significa Rei da Justiça. A epístola aos Hebreus diz que: "Melquisedeque primeiramente se interpreta rei de justiça, rei de paz" - sem pai, sem mãe, sem genealogia, sem princípio nem fim de dias, entretanto foi feito semelhante a Cristo, o Filho de Deus permanece sacerdote eternamente. Ele surge de repente e sai de cena muito rapidamente.
É claro que como ser humano, Melquisedeque deveria ter pais e uma vida terrena. Uma antiga tradição judaica diz que este misterioso sacerdote era Sem filho de Noé. Malki Tsédec é um título real, e não um nome próprio. Malki ou Mélech no hebraico significa rei. Tsédec quer dizer "Casa de Justiça". Entretanto, há um grupo de comentaristas que chamam atenção para o fato de que Melquisedeque ofereceu a Abrão pão e vinho, elementos que mais tarde seriam símbolos da Páscoa e representantes do corpo e do sangue de Cristo. Melquisedeque se dirige a Deus como "o Possuidor dos céus e da terra", da mesma forma que Jesus se dirigiu ao Pai como "Senhor dos céus e da terra". Seu nome significa "Rei de Justiça"; atribuir esse título a um homem seria uma blasfêmia, "porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus". Melquisedeque é "Rei de Paz", pecadores desconhecem o caminho da paz enquanto Cristo é o Príncipe da Paz. Melquisedeque é apresentado como rei e sacerdote, uma característica clara e distinta do Messias. "Semelhante" ao Filho de Deus nos leva a uma pergunta: "Por que ele ainda não era de fato o Filho de Deus?" A resposta é óbvia: ele ainda não havia sido gerado pelo Espírito Santo. Por tudo isso este grupo afirma que Melquisedeque é Cristo.
O mistério persiste, mas é bom lembrar que fora a casa carta aos Hebreus, nenhuma outro autor do Novo Testamento cita Melquisedeque, e quando Hebreus o faz, jamais o trata como uma visão do Messias pré-encarnado.
O rei e sacerdote Melquisedeque lembra Abrão e ao ganancioso e imaturo Ló que a vitória é benção do Senhor, resultado da aliança de Deus com Abrão. Ele sim é o verdadeiro governante, o rei soberano do universo, a ele tudo pertence de fato. A resposta de Abrão foi um testemunho de fé em Deus adorado por ele e representado por Melquisedeque. O dízimo foi a prova de que Deus merece toda honra e toda glória.
Texto do pastor Aldenir dos Santos, pastor da Igreja Batista Bíblica em Cidade de Deus, Manaus - AM. Texto extraído do jornal O Varonil (Órgão Oficial da Confederação das Uniões dos Homens Evangélicos Congregacionais - março, abril e maio de 2021).
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